Conselheiro de Moro tem histórico de homofobia, misoginia e truculência

"O mais recente episódio envolvendo um auxiliar de alto escalão confirma que são quase que pré-requisitos para ser nomeado para o governo Bolsonaro ter um rabo preso com o passado e possuir um enorme potencial de falar e fazer besteira", diz Gilvandro Filho, do Jornalistas pela Democracia, em relação a nomeação de Wilson Salles Damásio, para ocupar um cargo no Ministério da Justiça; Damázio foi exonerado da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco após ter "expelido pérolas do pensamento machista e homofóbico ao falar dos homossexuais e das mulher

Conselheiro de Moro tem histórico de homofobia, misoginia e truculência
Conselheiro de Moro tem histórico de homofobia, misoginia e truculência (Foto: ABr | Agência Senado)

Gilvandro Filho, do Jornalistas pela DemocraciaO mais recente episódio envolvendo um auxiliar de alto escalão confirma que são quase que pré-requisitos para ser nomeado para o governo Bolsonaro ter um rabo preso com o passado e possuir um enorme potencial de falar e fazer besteira. Estão aí, para exemplos, ministros como o das Relações Exteriores, Ernesto Araújo; dos Direitos Humanos e Mulher, Damares Alves; do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio; do Meio Ambiente, Ricardo Salles; da Educação, Veléz Rodriguez e vai por aí, que a lista é grande.

Com o delegado federal aposentado Wilson Salles Damásio, nomeado pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro, para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), não iria ser diferente. Mal foi empossado, já desencavaram uma entrevista explosiva concedida por ele, ao Jornal do Commercio, do Recife, em novembro de 2013, na qual ele se revela como misógino de primeira linha.

Na matéria assinada pela jornalista Fabiana Moraes, Damázio expele pérolas do pensamento machista e homofóbico ao falar dos homossexuais e das mulheres. A matéria foi o estopim para a saída dele do cargo. Ele já era muito contestado. Diante da forte repercussão da entrevista, acabou pedindo demissão, aceita de pronto por Eduardo Campos.

Sobre os homossexuais, Wilson Damázio foi categórico: "(...) desvio de conduta a gente tem em todo lugar. Tem na casa da gente, tem um irmão que é homossexual, tem outro que é ladrão, entendeu? Lógico que a homossexualidade não quer dizer bandidagem, mas foge ao padrão de comportamento da família brasileira tradicional".

Já sobre as mulheres, o então titular da SDS-PE foi a imagem e semelhança do machão sertanejo. Ele falava sobre um caso de abuso sexual praticado, na época, por um grupo de policiais. "(...) o policial exerce um fascínio no dito sexo frágil. Eu não sei por que é que mulher gosta tanto de farda", disse, sem papas na língua.

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E ainda foi mais longe, falando, segundo ele, de suas próprias experiências. "É um negócio. Eu sou policial federal, feio pra c**... A gente ia pra Floresta (cidade do Sertão do São Francisco), para esses lugares. Quando chegávamos lá, colocávamos o colete, as meninas ficavam tudo sassaricadas. Às vezes tinham namorado, às vezes eram mulheres casadas. Pra ela é o máximo estar dando pra um policial. Dentro da viatura, então, o fetiche vai lá em cima, é coisa de doido". Nem o fato de estar dando entrevista a uma mulher e ter na sala vários diretores da SDS freou o ímpeto narrativo do secretário.

Velho conhecido dos movimentos sociais de Pernambuco da época em que, secretário de Defesa Social na gestão do governador Eduardo Campos, Wilson Damázio teve a missão de conter a leva de protestos que varreu o ano de 2013. E conteve no pau. Inúmeras denúncias povoaram o noticiário, contra a Polícia Militar e contra o secretário e sua maneira rude de dialogar.

Em junho de 2013, no auge da repressão policial contra as manifestações, ele entrou em confronto com o Ministério Público de PE que contestava uma determinação do secretário de proibir o uso de máscaras pelos manifestantes. Após o então procurador Agnaldo Fenelon defender a prática nos protestos, o secretário reagiu no deboche, o que irritou o MPPE. "É preciso saber se eles (os manifestantes) conseguiram, junto à prefeitura, autorização para o baile, já que todo baile de Carnaval precisa de uma autorização da prefeitura", foi a resposta de Damázio.

Importante lembrar que, na gestão de Wilson Damázio, os números de homicídios envolvendo homossexuais forem bem relevantes. Em 2012, foram 35 mortes, caindo para 22 em 2013. Os dados são do Centro de Vulnerabilidade Social LGBT, da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos da SDS/PE.

Wilson Damázio foi empossado no CNPCP em fevereiro, na mesma canetada que nomeou a especialista em segurança pública Ilana Szabó de Carvalho. Os dois foram escolhas de Moro, mas o nome dela logo seria retirado após pressões dos bolsonaristas e exigência do próprio Jair Bolsonaro. Ilana é tida como desarmamentista, uma heresia em um governo cuja primeira medida, no segundo dia de trabalho, foi baixar uma medida cuja intenção é acabar com o Estatuto do Desarmamento, flexibilizando posse e uso de arma no País.

Como não poderia deixar de ser, a revelação das teses de Wilson Damázio acendeu o sinal amarelo para o que pode vir por aí. Mas, pelo que disse o ministro Sérgio Moro, falando pelo governo Bolsonaro, o conselheiro pode ficar tranquilo. Moro não só defendeu as "qualidades técnicas" do auxiliar, como repetiu o mantra que já faz parte do seu discurso de "não estou nem aí" para os deslizes de seus colegas de governo: "Ele já se desculpou".

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