Considerações em meio à guerra

"Os xingamentos e ofensas de Bolsonaro e do general Mourão aos militantes antifascistas e a possível convocação da Força Nacional para reprimir as mobilizações revelam o temor de que a rua seja o fator decisivo para a queda do governo"

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Por Bepe Damasco

1- Vivemos a maior tragédia sanitária dos últimos 100 anos. Por isso, é respeitável a posição de não ir para as ruas protestar contra o fascismo, devido à ameaça da ampliação da disseminação do coronavírus. Só que igualmente merecem respeito os que se dispõem a pôr a saúde em risco para enfrentar situacões-limite, tal qual ocorre em dimensão histórica nos EUA. No Brasil, é a democracia que está por um fio.

2- Considero, portanto, o suprassumo da omissão e do recuo o argumento segundo o qual os atos antifascistas marcados para o próximo domingo devem ser evitados, pois a infiltração de baderneiros de extrema direita dará pretexto a Bolsonaro para um golpe de estado. O interessante é que os defensores dessa proposta não sugerem absolutamente nada como alternativa às manifestações, a não ser assinar manifestos.

3- Como diz o deputado federal Glauber Braga, essa tese imputa de forma absurda a responsabilidade de uma eventual ruptura democrática aos manifestantes e não ao capitão nazista. Como se o não comparecimento das pessoas tivesse o condão de frear os impulsos golpistas de Bolsonaro.

4- A nota do PT de apoio aos protestos pacíficos antifascistas destaca com propriedade que a prática da democracia não pode ser intimidada por Bolsonaro. O artigo 5° da Constituição assegura o direito à livre manifestação.

5- Os xingamentos e ofensas de Bolsonaro e do general Mourão aos militantes antifascistas e a possível convocação da Força  Nacional para reprimir as mobilizações revelam o temor de que a rua seja o fator decisivo para a  queda do governo. Ou seja, acusaram o golpe. De quebra, as agressões verbais colocaram mais lenha na fogueira dos atos.  

6- Chama atenção a forma prudente, responsável e equilibrada com a qual os organizadores do ato no Rio vêm se conduzindo. As correntes antifascistas das torcidas dos grandes clubes não só mudaram o local do evento, para evitar o encontro com o gado bolsonarista, como estão orientando fortemente contra a ação de provocadores, recomendando que todas as medidas de proteção à saúde sejam adotadas e apelando para que os integrantes do grupo de risco não marquem presença no protesto.

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