Consumado o bote, a saída é resistir nas ruas

 Se não podemos confiar na Justiça nossa única saída é a insubordinação. O mundo inteiro acompanha este julgamento e muitos estão indignados como estou. Os golpistas devem ser repugnados pela humanidade

29/08/2017- Lula participa do Ato Pela Democracia e Mais Direitos, em Quixadá (CE) Foto: Ricardo Stuckert
29/08/2017- Lula participa do Ato Pela Democracia e Mais Direitos, em Quixadá (CE) Foto: Ricardo Stuckert (Foto: Chico Vigilante)

Acompanhei na mídia nacional e mundial o julgamento do presidente Lula. Num dos dias mais tristes de minha vida, vi consagrar-se o golpe iniciado com o impeachment de Dilma Rousseff.
 
Tramaram e neste 24 de janeiro de 2018, consumaram o bote.
 
Confesso que a leitura dos votos de Gebran, Leandro Paulsen e Victor Luiz Laus, do TRF 4 e suas vozes forjadamente calmas e pausadas me deram ânsias de vômito.
 
Falo com a experiência de quem já foi julgado pela justiça federal na transição do regime militar para o governo do ex-presidente José Sarney.
 
À época, fui acusado de ter participado do movimento que ficou conhecido como Badernaço, em Brasília. As provas apresentadas pela PF  e o MP eram pedras, paus, tampas de bueiro.
 
Estes indícios fariam com que eu fosse preso e condenado como terrorista mas a juíza responsável pelo caso teve a coragem de me isentar porque eu, na verdade, não tinha feito nada do que me acusavam.
 
O mesmo acontece agora, Lula é acusado por algo que não fez. Os elementos que o acusam, abrigados pelo fato de terem feito concurso público, agem como algozes de tribunais nazistas.
 
Carrascos, justiceiros, tentaram intimidar até o STF e o STJ com ataques diretos durante este processo em que o Brasil retroage social, política e economicamente.
 
Na verdade, o que está sendo julgado não é Lula. Este é um julgamento e uma condenação de classe. Equivalente a dizer: vocês do andar de baixo continuem na senzala.
 
Moro, seus procuradores e agora os desembargadores do TRF4 cumprem o papel de modernos capitães do mato - caçadores de escravos que deve levá-los a qualquer custo ao Pelourinho.
 
O que esperar de um tribunal que gasta 8 milhões em publicidade?  Se tem que convencer a sociedade de que age bem algo está cheirando mal. Vivemos sob a ditadura das togas.
 
Abre-se um precedente muito perigoso para as liberdades democráticas e os direitos humanos no Brasil. A partir de agora qualquer pessoa pode ser condenada e trancafiada por algo que não fez, desde que desagrade aos poderosos. É a volta da Inquisição.
 
Se o Judiciário no Brasil se resumisse à Vara do juiz Moro e ao TRF4, a sociedade brasileira estaria perdida. Julgamento sem prova é linchamento. É ausência total de democracia.
 
As manifestações a favor da condenação de Lula demonstram que existe no Brasil uma elite egoísta e ignorante historicamente que defende uma quadrilha no Palácio do Planalto mas se insurge contra um líder da estatura de Lula, apoiado nas pesquisas pela maioria do povo brasileiro.
 
Um exemplo sintetiza bem este aspecto grotesco da direita brasileira: a propaganda divulgada esta semana pela cadeia de restaurantes Detroit Steakhouse, de Maus, que ofereceu aos clientes 1% de desconto para cada ano de condenação sofrido por Lula.
 
No entanto, esta rede, com 22 estabelecimentos em todo o país, deve mais de meio milhão de reais de impostos à União. Os canalhas defendem justiça para os outros, não para eles.
 
Essa é a turma que torce pela condenação de Lula. Sonegadores, achacadores, corruptos, corruptores, golpistas, ladrões dos cofres públicos, bandidos de toda sorte.
 
No entanto, a classe trabalhadora vai resistir. Essa história de que decisão da Justiça não se discute, se obedece, desta vez não cabe. Essa é para ser desrespeitada.
 
Se não podemos confiar na Justiça nossa única saída é a insubordinação. O mundo inteiro acompanha este julgamento e muitos estão indignados como estou. Os golpistas devem ser repugnados pela humanidade.
 
Lula mudou a cara do Brasil e está na alma e no coração do povo brasileiro.
 
Enquanto gatos pingados da direita saíram timidamente para pregar a condenação de Lula, milhares de pessoas ocupam praças e ruas de Porto Alegre e muitas outras cidades do país. A luta continua na resistência. Sempre.

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