Convenhamos: até o Lobão pediu para conversar

É nítido o desconforto do STF em chancelar um Impeachment sem tese consistente aceita pela maioria da sociedade

Brasília- DF- Brasl- 03/12/2014- Manifestantes tentam entrar na Câmara. Na foto, em destaque, o cantor Lobão. Foto: Laycer Tomaz/ Câmara dos Deputados
Brasília- DF- Brasl- 03/12/2014- Manifestantes tentam entrar na Câmara. Na foto, em destaque, o cantor Lobão. Foto: Laycer Tomaz/ Câmara dos Deputados (Foto: Leopoldo Vieira)

A semana que passou foi favorável ao governo. O voto do ministro Teori sobre os grampos contra Dilma e o processo contra Lula em Curitiba, a declaração de Renan Calheiros de que Impeachment sem crime tem outro nome, e a proliferação de atos contra o golpe protagonizados por setores democráticos da inteligência nacional e classe média progressista são exemplos.

Sergio Moro enviou a lista da Odebrecht para o STF, alegando não ter como identificar o que seriam pagamentos legais e ilegais, explicitando para a sociedade que o problema da corrupção tem origem no sistema político vinculado ao financiamento empresarial de campanha e que é inverídico que o o xis da questão seja o PT, o governo ou Lula.

Principal estrategista do golpe, a grande mídia sentiu o impacto, sobre a sociedade e o meio político, do fato de que Impeachment sem crime de responsabilidade é golpe, e, imediatamente, tenta reverter a tendência de reação social da inteligência democrática, classe média progressista, importantes setores políticos e comunidade internacional de que é cúmplice de um golpe ou de que um esteja em curso.

É nítido o desconforto do STF em chancelar um Impeachment sem tese consistente aceita pela maioria da sociedade.

Nas mãos do STF, quando do julgamento do sobre a posse de Lula, está a estabilização do tempo do País para que se chegue a um acordo para solucionar a crise pela via da política.

Conduções coercitivas sem recusa de depoimento, grampos ilegais, prisões preventivas e temporárias sem término e habeas corpus, delações feitas e refeitas, vazamentos seletivos, carta de juízes à manifestações políticas que enforcam simbolicamente negros e discursos de promotores inflamando os ânimos de parte da sociedade não dá mais. Assim como não dá para perder 2, 3% do PIB porque concursados se julgam super-heróis.

Neste sentido, as Manifestações do dia 31/03 são uma oportunidade de mais uma atenta observação dos riscos para a ordem pública da divisão no País sobre o Impeachment.

Uma oportunidade para questionar frontalmente que este seja comandado por um parlamentar desesperado com a possibilidade de afastamento ou prisão e com foco em regredir conquistas dos mais pobres, vide declarações de expoentes do oposicionismo no PMDB nesse fim de semana.

Nem me refiro ao PSDB, que, desde os primórdios, chama o Bolsa-Família de "bolsa esmola" e foi contra até as cotas para negros nas universidades.

No mesmo sentido, a população mais pobre já começa a perceber que, sim, há grande impacto da Lava Jato na geração do desemprego. Até quando acompanharão as crianças dos patrões em manifestações contra eles próprios?

O noticiário da grande mídia, além de buscar reverter o fato de que Impeachment sem crime de responsabilidade é golpe, também beirando o surrealismo, propaga que o PMDB já rompeu com o governo em sua totalidade, que até os movimentos sociais apenas estão a demarcar um campo para disputar o "governo Temer" e que o governo, por sua vez, na verdade, limita-se a semear a narrativa de sua queda.

Ledo engano.

Antes de tais conclusões, é preciso ver como a sociedade, o meio político e o Judiciário reagirão, efetivamente, às seguintes questões:

O caráter ilegítimo de um Impeachment sem crime de responsabilidade;
A perspectiva de reverter as conquistas sociais dos últimos 13 anos;
Se são legais os abusos da Lava Jato e se substituir a política por corporações politizadas é realmente a escolha do País de como melhor combater a corrupção;
Se é aceitável um Brasil dividido em dois por longo período em meio a mais grave crise econômica desde os anos 90, pela conjuntura mundial - pior desde 1929 - e pelos impactos econômicos da Lava Jato.
Tudo isto no cenário em que, segundo dados econômicos divulgados neste 28/03/2016, há projeções positivas para 2017 sobre tendência de crescimento do PIB, queda dos juros, alívio da inflação sobre os alimentos e aumento da confiança na Construção Civil.

Ou seja, projeções de que estamos no final da travessia e com bons sinais (ou reversão dos maus) de que 2017 será diferente.

O quanto pior melhor não tem mais muito o que prosperar. Melhor mesmo é que você Entenda o Golpe e veja Como Pode Ajudar a derrotá-lo aqui no Mapa da Democracia.

Aí, vamos às urnas em 2016 e 2018, com pactos, agendas e alianças, mas já sem o constrangimento do poder econômico sobre a soberania popular por causa da proibição do financiamento empresarial de campanha.

Melhor testar estar novidade autêntica do que testar de novo um golpe de Estado.

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