Coragem e Justiça

Pessoas pouco corajosas na verdade buscam paz. Tanto é assim que se associa o guerreiro à coragem. Encarar é sensação de falta de chão, acovardar-se é solo seguro, não há como negar

Os covardes morrem várias vezes antes da sua morte enquanto o corajoso experimenta a morte apenas uma vez. Pegando carona em Shakespeare, hoje quero refletir sobre a coragem: coragem de dizer sim, coragem de negar, coragem de ficar sozinho, coragem de largar o rebanho, coragem de ser a ovelha negra ou coragem de não querer ser. Coragem de discordar, de sair do armário, de tomar partido ou de ter um lado.

Quero falar da coragem de teimar, da coragem de encarar de queixo erguido a cagada que fez. Ou o feito heroico que esperavam que fizesse e não fez.

Pessoas pouco corajosas na verdade buscam paz. Tanto é assim que se associa o guerreiro à coragem. Encarar é sensação de falta de chão, acovardar-se é solo seguro, não há como negar.

O solo seguro de omitir uma verdade, de tomar atitudes na calada da noite enquanto todos dormem, de se esquivar do diálogo, ou de levantar a voz e se colocar.

Coragem é falar firme e levantar a voz, discordar e argumentar, voltar atrás e consertar, ir a público e assumir, ser o primeiro a contar, levantar a mão antes de todos, ser "petralha" em festa de coxinha ou vice-versa.

Talvez a vida do covarde seja uma vida mais tranquila mesmo, mas com certeza a vida do corajoso é épica e o faz se orgulhar do que fez ou não fez. É como se a coragem acendesse luz própria, apesar de toda a turbulência interna e externa que causa ao seu redor.

Coragem não é falta de medo. Medo é algo involuntário que depende às vezes da nossa imaginação, mas com caráter se supera o medo. Eis a origem da coragem: caráter!

Coragem pra ser justo, pois covardia não é só fugir da luta e sim bater no mais fraco.

Finco pé do lado da coragem, sou discípula de sua dignidade admirável.

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