Corrida de Sanders à Casa Branca fortalece Fernando Haddad

O senador americano pelo estado de Vermont, Bernie Sanders, anunciou que concorrerá à presidência dos Estados Unidos em 2020. As eleições americanas têm, geralmente, o potencial de afetar o mundo inteiro. O anúncio do senador independente, no entanto, pode significar um importante referencial político para Fernando Haddad

Corrida de Sanders à Casa Branca fortalece Fernando Haddad
Corrida de Sanders à Casa Branca fortalece Fernando Haddad (Foto: Esq.: Paul Sancya)

O senador americano pelo estado de Vermont, Bernie Sanders, anunciou nesta semana que concorrerá à presidência dos Estados Unidos em 2020. As eleições americanas têm, geralmente, o potencial de afetar o mundo inteiro, seja do ponto de vista militar ou econômico, e mesmo cultural, dentre outros. O anúncio do senador independente, no entanto, pode significar um importante referencial político para Fernando Haddad.

Isso pode acontecer porque ambos representam uma esquerda mais orgânica do que os chamados "partidos-movimento" que, embrenhados no universo digital, perdem por vezes o contato com a realidade. Embora busquem atender a demandas legítimas e urgentes de nossos tempos, a "esquerda digital" parece sobrepor as pautas identitárias às discussões sobre os métodos econômicos capazes de fazer a economia crescer, o desemprego cair e as desigualdades sociais serem reduzidas.

Trata-se, no entanto, de perceber que qualquer revolução moral e de valores deve estar, em primeiro lugar, ancorada numa economia política que a torne possível. Uma política de classe mais explícita deve ser perseguida. Atender aos interesses materiais dos trabalhadores é um pressuposto fundamental, do qual a política não pode prescindir. Além disso, é preciso reorganizar a classe trabalhadora, ouvir suas demandas, propor soluções para o achatamento de direitos e a precarização das relações trabalhistas.

Nesse contexto, há que se falar de um retorno da política às bases. Isso significa trabalhar a partir de uma lógica organizacional que evidencie as estratificações sociais. E, ao mesmo tempo, fazer emergir quadros políticos que reúnam os trabalhadores em torno de pautas econômicas e sociais em comum. Há aí uma ordem de fatores que altera fundamentalmente o produto. Pois, uma vez que sejam as bases sociais que sustentam e dão força aos governos, não se pode pressupor que a chegada ao poder deve anteceder a consolidação de bases de apoio na sociedade.

Bernie Sanders parece representar isso. Seu trabalho a partir de bases sociais mais orgânicas e delineadas representa pontos importantes de reconciliação entre a esquerda e os trabalhadores. Fernando Haddad, interlocutor de Sanders, tem aí uma oportunidade não apenas de projeção e protagonismo na América Latina. Haddad se depara também com a oportunidade de liderar, ao lado de Sanders, um reposicionamento do campo progressista no continente americano. De perfil moderado e reflexivo, o ungido do presidente Lula tem a chance de agir como o catalizador do reordenamento da esquerda na geopolítica latino-americana.

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