CPI parte 2, a missão

"Esperamos para esta semana declarações, revelações, silêncios e ordens de prisão que esquentarão esse clima não fede nem cheira que se criou depois do arrego do presidente que agradou sobretudo a certos jornalistas que torcem para que o presidente Bolsonaro indique um caminho para a reconciliação", escreve o jornalista

(Foto: Miguel Paiva)
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Por Miguel Paiva, do Jornalistas pela Democracia

As emoções vão continuar. Depois de uma semana de enredo pobre, com a telinha sendo ocupada por programas de péssima qualidade como as manifestações de 7 de setembro e os arrependimentos do Jair, a CPI vai voltar com tudo e promete. Os vilões da história finalmente vão se sentar na bancada e apesar de alguns terem habeas corpus pra não se autodenunciarem, já estão mais do que queimados.

Vou ficar grudado na TV com pipoca e comprimidos contra enjoo por que ninguém é de ferro, não por causa da pipoca e sim por conta do que ouvirei, se é que eles vão falar. Mas as emoções da CPI funcionam mesmo com os depoentes em silencio. Eles são formados nos melhores cursos de interpretação teatral do mundo e os senadores habituados a monólogos reveladores. Portanto, a volta da CPI promete.

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Teremos lobistas, advogadas, representantes, banqueiros fajutos e os protagonistas de sempre fazendo coro. O meu querido senador Marcos Rogério comprometeu um pouco sua imagem enquanto astro da CPI ao se deixar fotografar ao lado do presidente nas manifestações golpistas do último dia 7. Lá estava ele de capa e espada e um terno bem cortado para apoiar seu ídolo. Um dia ainda saberemos de onde vem essa aliança, ou melhor, o que une esses dois. Marcos Rogério me parece mais esclarecido e sobretudo, bem apessoado que o Jair, mas se ele deve tanta continência ao patrão alguma história deve rolar.

Atrás de todas essas manobras, guinadas e  percursos políticos está sempre a famosa luta de classes, ou melhor dizendo o bom e velho capitalismo que não dá ponto sem nó. E o nó da gravata do Marcos Rogério é perfeito. Já o do Jair...

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O senador Luis Carlos Heinze, do Rio Grande do Sul corre o risco de perder o papel porque ele não consegue dizer outro texto. A cena já mudou, a história já avançou e ele continua e repetir o tratamento precoce, a cloroquina e a pesquisa de Harvard. O público já não aguenta mais e muda de canal. Verdade que ele tem aparecido pouco. O senador Jorginho está quase pronto para substituí-lo. O senador Girão também passou a ter pouco importância na história e sua insistência com a história da maconha só não é maior do que a atriz pornô do senador Heinze mas periga de a censura classificar a novela como imprópria para maiores de 60 anos.

As mulheres da trama continuam brilhando, carregando a história nas costas e trazendo inteligência para o texto muitas vezes banal e repetitivo do original. O senador Renan Calheiros faz um esforço danado para parecer ligado e atualizado.  Chama o público internauta, pede ajuda para a Isabelle, usa os recursos dos vídeos de apoio para manter o interesse nas suas perguntas muitas vezes repetitivas, mas fundamentais mesmo que o depoente se cale. Suas pausas dramáticas após o silencio do interrogado são o ponto forte da trama. 

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O núcleo cômico fica por conta do presidente da Comissão, o senador Omar Aziz. Seu repertório de frases feitas e ditos populares é notável. Seu personagem é destemido, corajoso, engraçado, mas esperamos ainda alguma reviravolta mais contundente para o final da história. Os outros personagens marcantes, que mantém a história interessante e não deixam a peteca cair são o os senadores Humberto Costa, o vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues, o senador Alessandro Vieira que não conseguiu ainda dar um sorriso e outros, mais da oposição que trazem sempre histórias novas, reviravoltas e momentos de tensão.

Esperamos para esta semana declarações, revelações, silêncios e ordens de prisão que esquentarão esse clima não fede nem cheira que se criou depois do arrego do presidente que agradou sobretudo a certos jornalistas que torcem para que o presidente Bolsonaro indique um caminho para a reconciliação. Impossível, coleguinhas. Bolsonaro é o vilão da história e vocês vão ter que engoli-lo, ou não. Nessa trama de quinta que é o seu governo não dá para achar que os papéis são bons. Ninguém vai se salvar. Ou acontece um terremoto como o que Janete Clair criou em 1967 para a novela Anastácia que matou mais de 100 personagens da novela ou essa CPI sai vencedora e revela ao país o que o país quase todo já sabe. Que presidente horroroso nós temos e que mal ele fez ao país. Não valerá a pena ver de novo, mas não podemos esquecer para que essa novela não se repita.

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