Criminalização de quem, cara pálida?

É inadmissível que Tarso Genro, um ex-ministro de Lula, não saiba que está em curso a criminalização do Partido dos Trabalhadores e de suas principais lideranças, especialmente Lula, e não da política

PORTO ALEGRE, RS, BRASIL, 29.05.13: Governador Tarso Genro grava o programa Mateando com o Governador. Foto: Pedro Revillion/Palácio Piratini
PORTO ALEGRE, RS, BRASIL, 29.05.13: Governador Tarso Genro grava o programa Mateando com o Governador. Foto: Pedro Revillion/Palácio Piratini (Foto: Bepe Damasco)

Em recente entrevista ao Jornal O Estado de São Paulo, o ex-governador Tarso Genro, ao analisar a conjuntura atual, marcada por extremas dificuldades para a esquerda democrática, apontou a criminalização da atividade política como uma das principais táticas deletérias implementadas pela direita e pelos grupos de mídia.

Causa espécie que um quadro experiente e preparado como Tarso tenha protagonizado tamanha derrapagem. Mas, não faz sentido creditá-la a um eventual descuido teórico ou algo do tipo. A declaração é parte de sua pregação de refundação do partido ou debandada. A verdade é que tal criminalização da política não resiste nem mesmo a uma confrontação rudimentar com os fatos.

É inadmissível que um ex-ministro de Lula não saiba que está em curso a criminalização do Partido dos Trabalhadores e de suas principais lideranças, especialmente Lula, e não da política. José Dirceu e Vacari mofam na cadeia, agora acompanhados de Palocci, enquanto Lula é perseguido e caçado da forma mais infame por Moro e pelo MP. A mídia completa o serviço, linchando o ex-presidente diariamente.

Além da inabilitação ou prisão de Lula, alijando-o da corrida presidencial de 2018, todos os que não se deixaram contaminar pelo massacre midiático sofrido pelo PT têm conhecimento de que o outro objetivo é a cassação do registro do partido, pois o golpe contra Dilma já se consumou.

Que criminalização da política é essa que passa batida pela apreensão de 400 kg de cocaína, em um helicóptero cujo proprietário é aliado de Aécio Neves ? Que criminalização da política é essa que faz vista grossa para a roubalheira tucana nos metrôs e trens paulistas ? Que criminalização da política é essa que ignora todas as denúncias contra Aécio e o PSDB porque Moro acha que não vem ao caso ?

Que criminalização da política é essa que censura a delação segundo a qual José Serra embolsou R$ 23 milhões fora do país ? Que criminalização da política é essa que considera empreendedores geniais os tucanos que trabalham com consultoria, mas que trata Dirceu como criminoso por se atrevido a se lançar no mercado como consultor ?

Que criminalização da política é essa que permite que tesoureiros de todos os partidos recolham contribuições para campanhas eleitorais de empresas envolvidas na Lava Jato, mas prende o tesoureiro do PT por arrecadar nas mesmas fontes ?

Seriam laudas e mais laudas de exemplos como os que citei acima provando que só existe criminalização de um partido. Para o aparato midiático golpista brasileiro e para a República de Curitiba, a política é revestida de nobreza de propósitos republicanos desde que seja exercida pelo PSDB, Temer e assemelhados. No caso do PT, não resta dúvida : é coisa de bandido.

A tese da generalização da criminalização expressada por Tarso atende, isto sim, aos seus interesses no debate travado pelo partido, no momento de sua crise mais aguda. Uma coisa é a necessária autocrítica dos muitos erros cometidos, para tentar sacudir a poeira e seguir em frente. Outra, bem diferente, é menosprezar, como faz Tarso, a ação orquestrada da burguesia para destruir o PT, notadamente pelos seus acertos e pelo que representa como instrumento de transformação social.

Conheça a TV 247

Ao vivo na TV 247 Youtube 247