Curitiba vermelha mostra que PT está bem vivo

Para os que desde o golpe contra a presidenta Dilma preconizam o fim do Partido dos Trabalhadores, o dia 10 de maio equivale a um balde de água gelada em pleno outono

Para os que desde o golpe contra a presidenta Dilma preconizam o fim do Partido dos Trabalhadores, o dia 10 de maio equivale a um balde de água gelada em pleno outono
Para os que desde o golpe contra a presidenta Dilma preconizam o fim do Partido dos Trabalhadores, o dia 10 de maio equivale a um balde de água gelada em pleno outono (Foto: Bepe Damasco)
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Para os que desde o golpe contra a presidenta Dilma preconizam o fim do Partido dos Trabalhadores, o dia 10 de maio equivale a um balde de água gelada em pleno outono. Claro que a composição da impressionante multidão que invadiu Curitiba, vinda de todos os quadrantes do país, foi muito além da militância do PT. Até porque a mobilização transcendeu a solidariedade a Lula e se transformou em uma gigantesca manifestação pelo resgate da democracia no Brasil.

Marcaram presença também na manifestação militantes do PCdoB, do PCO e de inúmeros movimentos sociais sem vinculação partidária. Mas era inegável o amplo predomínio dos petistas, com suas camisetas, faixas e bonés com a estrela do partido. Que outro partido brasileiro seria capaz de deslocar dezenas de milhares de brasileiros e brasileiras de seus estados de origem em direção a uma das unidades da federação em nome da causa da justiça e da democracia?

A capilaridade nacional do PT ainda faz a diferença. E mesmo no olho do furacão de sua mais grave crise em 37 anos de existência, o petismo segue como a maior força entre os ativistas e dirigentes dos movimentos social, sindical e demais organizações da sociedade civil. Para o bem ou para o mal, o PT ainda é a referência de esquerda no imaginário popular. Pouca gente deu a atenção devida aos últimos levantamentos dos grandes institutos de pesquisa mostrando o aumento das indicações do PT como o partido preferido da população, ranking que aliás lidera com folga há mais de 20 anos.

Longe de querer jogar confete e minimizar a derrota contundente imposta pelo golpe ao PT, a quantidade nada desprezível de erros cometidos, dentre eles a burocratização, o afastamento das lutas diárias do povo, a adesão aos métodos escusos de financiamento eleitoral da burguesia, o não investimento na politização dos milhões de beneficiados pelos seus programas sociais e o acovardamento na luta pela regulação da mídia, chamo a atenção de que o debate travado pela esquerda sobre seus rumos se desviará da realidade se não levar em conta a musculatura política que o PT ainda exibe.

Ferido, alquebrado, mas ainda bem vivo. Se será capaz de recuperar a saúde política de outrora, vai depender de uma série de fatores. Lula conseguirá derrotar a feroz perseguição da qual é vítima? O Congresso do partido logrará fazer a autocrítica necessária dos erros, identificar os acertos, que foram muitos, para aperfeiçoá-los, além de operar a correção de rota imposta pelos novos tempos e seguir em frente? Isso só o tempo e as opções táticas e estratégicas do partido dirão.

Reconhecer a encruzilhada que o PT se encontra para tentar superar seus dilemas é uma coisa. Outra bem diferente é trombetear a morte do partido, esfregando as mãos para que seu espólio lhe caia no colo. Para se ter um ideia do afã do PSOL em discutir o "pós-PT" dos seus sonhos, na revista do partido, de dezembro de 2016, há uma seção contendo vários artigos sob o título "O ciclo do PT chega ao fim - E agora ?". O problema é que açodamentos e erros graves de avaliação têm preço na política. E se o PSOL for obrigado a pautar para sua publicação outra sequência de artigos envolvendo o PT, mas desta vez com a seguinte chamada: " Um novo ciclo se abre para o PT - E agora?"

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