Da atual disputa eleitoral e a realidade dos povos e comunidades tradicionais

Quem em sã consciência, das pessoas envolvidas com o movimento negro, poderia dizer que o movimento não recebeu um gigantesco impulso nos últimos dez anos?

Quem em sã consciência, das pessoas envolvidas com o movimento negro, poderia dizer que o movimento não recebeu um gigantesco impulso nos últimos dez anos?
Quem em sã consciência, das pessoas envolvidas com o movimento negro, poderia dizer que o movimento não recebeu um gigantesco impulso nos últimos dez anos? (Foto: Walmir Damasceno)
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Eleições se aproximam e vemos desfilando em nossas casas e nas ruas, propostas diversas, discursos dos mais variados tipos e principalmente apelos de natureza profundamente irreais, oriundos tanto dos candidatos, quanto de seus correligionários e, porque não dizer, financiadores.

Difícil, na comunicação coloquial do dia a dia, fazer valer a razão o critério desinteressado, a abordagem política mais profunda, pois para isso, necessário entender alguns elementos técnicos, algumas nuanças mais intrincadas da administração pública, bem como dos matizes jurídicos constitucionais.

Porém, isso não pode nos abater; não pode nos desanimar em expor nossos pontos de vista e tentar explicar, para aqueles que ao menos tiverem boa vontade de ouvir, nossos motivos e nossos anseios de melhoria.

Mas no mar das falácias e na babel dos desentendimentos dos discursos heterogêneos, necessário algum parâmetro mais objetivo, para observarmos as diferentes propostas dos candidatos ao cargo máximo da República. Ora, tal é nosso desafio, assim é que optamos pela simplicidade; a análise do orçamento destinado às pastas das diferentes áreas de governo num espectro que envolve os últimos vinte anos do Governo Federal.

Tais dados podem ser encontrados nas publicações das leis orçamentárias contidas nas bibliotecas do congresso nacional, da presidência da república, bem como de órgãos do governo setorialmente falando, tais como tribunal de contas da união e outros.

Para não tornar nossa explanação excessivamente técnica ou maçante para os leitores em geral, desde já, escancaramos nosso choque, ao perceber que Ministérios voltados para o combate à desigualdade social, à equanimidade do pacto federativo, e à manutenção da ordem Republicana, jamais foram tão valorizados, pelo critério do orçamento público, quanto nos Governos de Lula e Dilma.

Certos setores, jamais inseridos nas discussões de alto nível das políticas públicas e que pareciam completamente invisíveis, também foram subitamente elevados ao plano das discussões oficiais. Esse é o caso das comunidades tradicionais e das instituições de combate ao racismo. Quem poderia negar dos povos e comunidades de terreiro, por exemplo, que somente agora, aproximadamente de dez anos para cá, que nossos pares começaram a receber propostas de discussão e de debate oriundos do Governo Federal?

Quem em sã consciência, das pessoas envolvidas com o movimento negro, poderia dizer que o movimento de reinserção e respeito dos direitos igualitários em todos os planos da população negra não recebeu um gigantesco impulso nos últimos dez anos?

Não há dúvida, de que o ser humano sempre almeja mais, sempre quer algo melhor, e isso deve ser mesmo assim, porém, não reconhecer o avanço é no mínimo tendencioso. Mas há também uma grande faixa da população com uma leitura ainda superficial e, sobretudo arregimentada pela mídia oriunda das classes mais abastadas da sociedade, que prefere criticar e voltar se para situações que não são novas nem inéditas de forma alguma na política nacional. Porém é incapaz de mostrar se satisfeita é óbvio com a inserção das maiorias menos favorecidas em setores nos quais nunca foram bem vindas.

Portanto, queiramos ou não se analisarmos do ponto de vista da distribuição da renda, da inserção de direitos de cidadania a faixas de população nunca antes vistas ou valorizadas, devemos reconhecer que houve crescimento, que houveram importantes conquistas e que estas precisam se desenvolver e se aprofundar. Não seria justo, não seria também razoável, que proporcionássemos a outros setores que já provaram sua indiferença anteriormente, e que demonstraram profundas convicções nada inclusivas do ponto de vista social a interrupção deste trabalho que vem sendo conduzido pela administração atual. Daí pedirmos aos povos e comunidades de terreiro que não se omitam nesse momento decisivo, que reflitam sobre a nossa visibilidade atual, sobre os nossos anseios futuros e se manifestem para a continuidade do progresso nas conquistas e na luta contra a desigualdade e intolerância que ainda graceja em todos os Estados da federação e em todos os âmbitos da república.

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