Da lama à carne podre: a falácia neoliberal da privatização

Isso não acontece porque é a indústria alimentícia ou outra qualquer. Isso é efeito do capitalismo sem limites, acontece com tudo. Não existe a menor preocupação com os consumidores. Só importam os números na planilha no final do mês

Brasil, Promissão, SP, 09/03/2006 – Foto: Alf Ribeiro – Linha de produção e corte de carne do Frigorífico Marfrig, em Promissão, SP
Brasil, Promissão, SP, 09/03/2006 – Foto: Alf Ribeiro – Linha de produção e corte de carne do Frigorífico Marfrig, em Promissão, SP (Foto: Guilherme Coutinho)

A Companhia Vale do Rio Doce foi privatizada em 1997 durante o governo do PSDB. A transação foi uma das mais polêmicas do país: além do próprio objeto, a entrega de uma área tão importante do patrimônio nacional ao Capital estrangeiro, o valor de venda não levou em consideração a enorme reserva de minério de ferro e os bilhões que ela valeria em breve. Saiu de graça. Anos depois uma das mineradoras controladas pela Vale, a Samarco, foi responsável pelo maior acidente ambiental da história. O Capital visa o lucro. Não enxerga pessoas ou meio ambiente. Essa é sua lógica.

A redução do Estado e o repasse de atividades para o mercado têm sido apontados pelo governo e seus aliados como a solução para a economia brasileira. A iniciativa privada seria eficiente e incorruptível pela própria natureza. Mas a busca incessante por margens cada vez maiores e encargos cada vez mais baixos tem feito o capital trazer danos irreparáveis aos cidadãos: Odebrecht e OAS estavam entre as maiores empresas do mundo em suas áreas de atuação. Os bancos praticam taxas abusivas, contribuindo para a desigualdade social. O maior empresário brasileiro está preso.

Agora estamos comendo carne podre e linguiça com papelão. Novamente, as empresas envolvidas são as maiores do mundo, no seu ramo. Isso não acontece porque é a indústria alimentícia ou outra qualquer. Isso é efeito do capitalismo sem limites, acontece com tudo. Não existe a menor preocupação com os consumidores. Só importam os números na planilha no final do mês. E ainda dizem que foi o socialismo que não deu certo.

A gestão pública deve reequilibrar essa equação, promovendo a redução de desigualdades sociais, criação e manutenção de políticas públicas e atuação nas áreas típicas de Estado. Deve administrar o patrimônio nacional e intervir na economia sempre que necessário. Caso contrário, estaremos condenando milhões de brasileiros a morrer na pobreza. "Privatizar tudo" não é solução para o País, é apenas mais uma falácia para o discurso entreguista e plutocrata do atual governo.

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