DataMoro ensaia Moro contra Lula sem Flávio Bolsonaro
Moro é testado contra Lula em pesquisa no Paraná sem Flávio Bolsonaro na lista, e resultado amplia pressão sobre o PL na disputa presidencial
O senador Sergio Moro (PL) apareceu nesta terça-feira (9) em dois recortes presidenciais da pesquisa Veritá no Paraná: primeiro como candidato em uma lista nacional sem Flávio Bolsonaro (PL-RJ); depois, em confronto direto de segundo turno contra Lula (PT), no qual marca 42,8% do total da amostra contra 21% do presidente.
A pesquisa virou “DataMoro” nos bastidores da política paranaense porque o resultado importa menos que a pergunta feita ao eleitor. O relatório não mede apenas a eleição ao governo do Paraná. Ele também pergunta se Moro caberia na corrida pelo Palácio do Planalto caso o filho zero um de Jair Bolsonaro comece a pesar demais na chapa da direita.
O levantamento foi feito pelo Instituto Veritá entre 2 e 6 de junho, com 2.010 eleitores do Paraná, margem de erro de 2,5 pontos percentuais e registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) BR-08297/2026. A pesquisa tem abrangência estadual. Portanto, o recorte presidencial não mede o Brasil inteiro, mas mostra como o eleitor paranaense reage a um roteiro nacional da direita.
Na Pergunta 21, o instituto apresenta uma lista presidencial sem Flávio Bolsonaro. Moro aparece com 15,3% no total da amostra. Fernando Haddad (PT) tem 14,6%. Romeu Zema (Novo) registra 9,8%. Pablo Marçal (União) marca 7,5%. Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 4,8%.
Também entram na tela Joaquim Barbosa (DC), com 3,9%; Renan Santos (Missão), com 3,2%; Cleitinho (Republicanos), com 2,7%; Aécio Neves (PSDB) e Augusto Cury (Avante), ambos com 2%; e João Campos (PSB), com 1%. Os que não souberam ou não responderam somam 30%. Brancos e nulos chegam a 3,1%.
A Pergunta 23 deixa a sondagem ainda mais indigesta para Flávio Bolsonaro. Em confronto direto contra Lula, Moro aparece com 42,8% no total da amostra, enquanto o presidente registra 21%. Entre os votos válidos, o ex-juiz marca 67,1% contra 32,9% de Lula. O mesmo quadro mostra 32,5% de indecisos e 3,7% de brancos e nulos.
Esse número não pode ser vendido como retrato nacional. O Paraná é um dos estados onde Moro tem maior recall, foi base eleitoral da Lava Jato e virou laboratório da direita antipetista. Ainda assim, a pergunta tem utilidade política. Ela mede se o nome do senador funciona como peça nacional dentro do mesmo partido que lançou Flávio Bolsonaro como herdeiro eleitoral do bolsonarismo.
Moro se filiou ao PL em 24 de março para disputar o governo do Paraná e reforçar o palanque estadual de Flávio Bolsonaro. Menos de três meses depois, aparece em pesquisa registrada como opção presidencial e em segundo turno contra Lula. A diferença entre ser cabo eleitoral e virar reserva de luxo começa nesse tipo de sondagem.
Não há documento público que prove uma operação de Moro para substituir Flávio Bolsonaro na candidatura presidencial. O fato verificável é que a pesquisa Veritá colocou o senador em uma lista nacional sem Flávio Bolsonaro e também testou Moro contra Lula. Em política, quando o substituto aparece na tela, o titular passa a dividir a atenção do próprio vestiário.
Flávio Bolsonaro chega a esse momento com desgaste no caso apelidado por adversários de BolsoMaster. Reportagens apontaram pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro confirmou ter buscado patrocínio privado, mas nega irregularidade, vantagem indevida ou uso de dinheiro público.
O filho zero um também virou alvo de Lula e aliados na crise envolvendo tarifas dos Estados Unidos, Pix e sanções. O presidente acusou o clã Bolsonaro de agir contra interesses brasileiros. Flávio Bolsonaro nega traição ao país e atribui a crise ao governo federal. O desgaste, porém, entrou no vocabulário eleitoral da campanha antes mesmo do início formal da disputa.
A pesquisa Veritá cria uma dor de cabeça dupla para o PL. Se Moro continuar apenas como pré-candidato ao governo do Paraná, o partido precisa explicar por que seu nome foi testado para presidente. Se o nome dele começar a circular como plano B, Flávio Bolsonaro perde a exclusividade simbólica de herdeiro presidencial de Jair Bolsonaro.
Para o Paraná, o impacto é imediato. Uma eventual migração de Moro para a disputa nacional desorganizaria a corrida ao Palácio Iguaçu, reabriria espaço para Sandro Alex (PSD), Requião Filho (PDT), Rafael Greca (MDB) e demais nomes estaduais e obrigaria o PL a refazer sua engenharia local em plena pré-campanha.
O DataMoro não troca candidato, não antecipa convenção e não prova conspiração interna. Mas entrega uma senha que a Boca Maldita entendeu sem legenda: se Moro já é testado contra Lula, Flávio Bolsonaro deixou de ser o único nome da direita na janela presidencial.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




