De Curitiba, Lula manda o recado da unidade. E Ciro?

Diante dos grandes gestos políticos de Lula, a pergunta que não quer calar é se Ciro Gomes continuará proferindo insultos enquanto Lula pratica a grande política; seguirá semeando cizânia, envenenando o ambiente político e promovendo divisões? Continuará isolando-se e fazendo o jogo da direita? Vai afrontar o presidente do seu partido e mais uma vez trocar de legenda? - questiona o jornalista José Reinaldo Carvalho

De Curitiba, Lula manda o recado da unidade. E Ciro?
De Curitiba, Lula manda o recado da unidade. E Ciro? (Foto: Eduardo Matysiak/Ricardo Stuckert)

Por José Reinaldo Carvalho para Jornalistas pela Democracia A visita do presidente do PDT, Carlos Lupi, nesta quinta-feira (22), ao ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, preso político em Curitiba, foi um dos fatos políticos mais relevantes da semana.

Vista em conjunto com outros episódios protagonizados nestes mesmos dias pelas forças oposicionistas, aponta para uma virada que pode ter impactos no curto e médio prazos na luta democrática do povo brasileiro.

Ao lado de Lupi, estava também um destacado dirigente socialista, o ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho (PSB), hoje presidente da Fundação João Mangabeira. Coutinho é uma liderança que sempre esteve ao lado das forças progressistas. Mesmo nos momentos em que seu partido se bandeou para uma aliança com a direita e apoiou a candidatura de Aécio Neves no segundo turno da eleição presidencial em 2014 e, em seguida, respaldou o golpe contra a presidenta Dilma, ele permaneceu do lado certo, adquirindo assim a credibilidade que o torna um interlocutor privilegiado do próprio Lula, do PT e demais forças de esquerda.

Faltou alguém, entretanto, na visita a Lula nesta quinta-feira: o ex-candidato presidencial pedetista Ciro Gomes.

Não foi por falta de convite que Ciro ainda não foi transmitir sua solidariedade a Lula, como têm feito todas as lideranças de esquerda e centro-esquerda, juristas, economistas, intelectuais de diferentes áreas, lideranças dos movimentos sindicais e populares, deputados, senadores e eminentes figuras internacionais. Para que não fique nenhuma dúvida, o próprio Lula o convidou de público, durante a histórica entrevista que concedeu na prisão aos jornalistas Mônica Bergamo e Florestan Fernandes Jr., em 26 de abril último.

Lula tem feito reiteradas demonstrações de grandeza política, levantando sua mirada ao que mais interessa: construir uma ampla frente política, que tenha por núcleo a esquerda, capaz de aglutinar o que há de melhor das forças políticas e sociais do país para enfrentar os imensos desafios de resistir à brutal ofensiva antidemocrática, antissocial e antinacional do governo Bolsonaro e abrir novos horizontes e caminhos para o povo brasileiro.

Diante dos grandes gestos políticos de Lula, a pergunta que não quer calar é se Ciro Gomes continuará proferindo insultos enquanto Lula pratica a grande política. Seguirá semeando cizânia, envenenando o ambiente político e promovendo divisões? Continuará isolando-se e fazendo o jogo da direita?

Quiçá, o encontro de ontem entre Luiz Inácio e Carlos Lupi tenha aberto uma nova perspectiva e começado a pavimentar um novo caminho. Ou Ciro vai afrontar o presidente do seu partido e mais uma vez trocar de legenda?

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O que as forças progressistas esperam é que Ciro substitua a crispação pelo entendimento, os xingamentos por palavras sábias, como as do presidente do PDT ao final da visita a Lula: "Julgo que Lula está sendo vítima de uma grande injustiça. Vi ele muito bem, forte, lúcido, olhando o futuro do Brasil, preocupado com os mais pobres, que estão sofrendo muito com o desgoverno que está aí, esse presidente que está a serviço de interesses internacionais" (...) "O presidente Lula ainda tem muito a fazer pelo povo brasileiro", disse Carlos Lupi.

A visita de Lupi e Coutinho a Lula ocorreu um dia depois da reunião do Fórum dos Partidos de Oposição. No encontro desta quarta-feira, a novidade foi precisamente a volta do PDT ao convívio com as demais forças de esquerda e centro-esquerda, que já se tinham reforçado com o regresso também do PSB, que passou uns tempos afastado do campo progressista.

O fato é auspicioso. Após um debate fraterno e democrático, as direções do PT, PCdoB, PSOL, PSB e PDT convergiram para uma agenda de defesa da democracia, dos direitos sociais e da soberania nacional, na resistência e na luta contra os ataques brutais do governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro ao povo e à nação.

O encontro de Lula com Lupi e Coutinho e a reunião dos partidos de esquerda e centro-esquerda foram, assim, fatos da maior relevância para a realização da mais importante e estratégica tarefa: construir uma ampla frente com caráter democrático, popular e patriótico, a indispensável unidade entre as forças progressistas do Brasil.

A construção de tal frente e a mobilização do movimento social organizado, por meio das suas entidades representativas, no seio de outra articulação fundamental, a Frente Brasil Popular - organização unitária que também desempenha papel estratégico - é o que pode alterar o quadro político do Brasil.

É a mensagem que desde Curitiba Lula tem enviado. Do lado de cá, as forças progressistas e populares devem retribuir, empenhando-se mais e mais pela unidade e gritando ainda mais alto o brado Lula Livre.

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