De olho no apoio, Ciro Gomes morde e assopra Lula

O desejo intenso de Ciro é ter o apoio de Lula. O problema é que o político cearense erra no tom crítico. Desde que o julgamento de Lula foi marcado, Ciro tem subido o tom de seus questionamentos ao petista

Ciro e Lula
Ciro e Lula (Foto: Voney Malta)

O julgamento do ex-presidente Lula em segunda instância é o tema que alimenta os partidos e possíveis presidenciáveis. Sabem todos que eleição com Lula é uma, sem ele é outra. Condenado, preso, solto e até recursando, Lula terá influência no pleito de 2018.

Os adversários, especialmente aqueles do PSDB, avaliam que sem Lula da Silva as chances de Geraldo Alckmin chegar ao segundo turno aumentam substancialmente. Por sua vez, o PDT do aliado Ciro Gomes (PDT), pré-candidato que tem crescido no Nordeste, também acredita que aumentam as chances do ex-ministro chegar ao segundo turno.

E se tiver o apoio do ex-presidente, apontado pelo Datafolha como o melhor cabo eleitoral do Brasil, aumenta não só a perspectiva de chegar ao segundo turno, mas, principalmente, de vencer a disputa, o que preocupa os adversários.

O desejo intenso de Ciro é ter o apoio de Lula. O problema é que o político cearense erra no tom crítico. Desde que o julgamento de Lula foi marcado, Ciro tem subido o tom de seus questionamentos ao petista.

Já disse outras vezes que Lula não deveria ser candidato porque seria mais uma eleição que dividiria o país. Ainda que "Justiça boa é Justiça rápida" e que tem "muita esperança de que o TRF-4 possa absolver o Lula". Ou seja, morde e assopra.

Claro, mesmo mantida a condenação em segunda instância o petista poderá recorrer até boa parte do pleito. No geral, as decisões de primeira instância do juiz Sérgio Moro têm sido mantidas amplamente pelos desembargadores do TRF4. E, acredita-se, dificilmente ele será preso porque Moro não o condenou a cumprir pena.

Independente do que irá ocorrer a partir de janeiro, o quadro está totalmente nebuloso por conta do excesso de possibilidades que as decisões jurídicas trarão como implicações para 2018.

Lula será candidato? Lula será candidato mesmo condenado? Lula será candidato apresentando recursos? Estrategicamente Lula será candidato e, durante as eleições, desiste e é substituído por alguém escolhido por ele? Lula apoiará um nome da frente de esquerda, mas que não seja filiado ao PT?

São tantas interrogações e um imenso leque de possibilidades que tornam o quadro difícil para qualquer pré-candidato estabelecer estratégias de discurso, de alianças e de construção de debate e enfrentamento.

Tal situação também deixa sem definição algumas decisões que deveriam ter sido tomadas nos estados. Sem falar nos grandes caciques políticos que permanecem correndo risco nas investigações sobre recebimento de propinas aqui e alhures.

O jogo é, de alguma forma, empurrar com a barriga algumas situações. Até porque, especialmente no Nordeste e entre os brasileiros de baixa renda, Lula é o cara. É esse cara é a maior liderança política do país, líder nas pesquisas e quem mais transfere votos.

Uma declaração do ex-presidente ainda pode eleger até um poste, desde que este poste não seja a ex-presidente Dilma Rousseff, uma vez que ela se desgastou na relação com o Congresso

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