De onde virá a resposta?

O jornalista Breno Altman questiona: "Qual será o destacamento popular que mais rápida e amplamente responderá nas ruas ao bolsonarismo?" Ele defende que as classes trabalhadoras "sempre desempenharão o papel decisivo e hegemônico em qualquer estratégia vitoriosa de resistência popular" [...] "Mas - complementa - essa condição objetiva não faz dos trabalhadores, de forma automática, a força propulsora inicial do movimento de massas"

De onde virá a resposta?
De onde virá a resposta? (Foto: Roberto Parizotti)

Por Breno Altman para Jornalistas pela Democracia Qual será o destacamento popular que mais rápida e amplamente responderá nas ruas ao bolsonarismo?

Qual será o tema que permitirá, a curto ou médio prazo, dar caráter de massa à resistência?

Esses são debates relevantes entre as forças de esquerda e os setores progressistas de forma geral.

Certo senso comum parece predominar: quem primeiro se colocará em movimento será a classe trabalhadora, e o grande tema é a reforma da aposentadoria.

Alguns apostam com tanta convicção nessa via que a tornam quase exclusiva.

Mas a história de nosso país tem muitos registros contra esse senso comum.

Em tempos mais remotos, praticamente todas as rebeliões dos séculos XIX e XX nasceram de um deslocamento da pequena burguesia do bloco da ordem, por razões econômicas e políticas.

Não foi diferente na resistência à ditadura militar. O destacamento de massas que assumiu a vanguarda da resistência, em 1968, foi o movimento estudantil, depois arrastando outros setores médios.

A classe operária se colocou em ação, com as greves de Contagem e Osasco, depois que os estudantes deram exemplo de que era possível enfrentar os generais.

Dez anos depois, não foi diferente. Antes das grandes greves de 1978 a 1983, que emparedaram a ditadura e a transição conservadora, o protagonismo esteve com o movimento estudantil de 1977 e a campanha da anistia, que foram rompendo o círculo de ferro do AI-5.

Conheça e apoie o projeto Jornalistas pela Democracia As classes trabalhadoras sempre desempenharão o papel decisivo e hegemônico em qualquer estratégia vitoriosa de resistência popular. Sem que essas classes assumam o centro do palco, a resistência fracassa ou é aprisionada por alguma fração das classes dominantes.

Mas essa condição objetiva não faz dos trabalhadores, de forma automática, a força propulsora inicial do movimento de massas.

Aliás, historicamente quase nunca o foram, em nosso país.

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