De sonho a pesadelo

Diálogos denunciam uma prática, tida como comum, entre o magistrado e a promotoria, tornando “tábula rasa” o princípio da presunção de inocência; o que é escandaloso e de uma crueldade sem precedentes

Brasília - O Procurador da República, coordenador da Força Tarefa do Ministério Público Federal na Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, durante comissão geral da Câmara dos Deputados para discutir o Projeto de Lei 4850 de 2016 que estabelece dez medidas de combate à corrupção, a crimes contra o patrimônio público e ao enriquecimento ilícito de agentes públicos. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Brasília - O Procurador da República, coordenador da Força Tarefa do Ministério Público Federal na Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, durante comissão geral da Câmara dos Deputados para discutir o Projeto de Lei 4850 de 2016 que estabelece dez medidas de combate à corrupção, a crimes contra o patrimônio público e ao enriquecimento ilícito de agentes públicos. (Marcelo Camargo/Agência Brasil) (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O chefe do governo federal, numa de suas falas estranhas, disse que seria bom que houvesse um evangélico como ministro no STF.

Ao saber dessa fala, pensei, eu já sonhei com algo assim, no passado, nada perto dessa possibilidade, mas, pensei que um dia nós evangélicos poderíamos dar nossa contribuição para a construção da nação, para o adensamento ético, na busca de uma nação igualitária.

Hoje, entretanto, trago, no lugar do sonho, um lamento. 

Não só não ajudamos na formulação de uma ética libertadora, como nos tornamos a principal marca do retrocesso ético em nome de moralismo oco.

Vejo o papel exercido pelo protagonista evangélico, nos diálogos liberados pela chamada “operação” “vaza jato”.

Fico a pensar: o que houve com a fé desse moço? O que houve com o que chamamos de Temor do Senhor? 

O TEMOR DO SENHOR é o principio norteador de nossa ética, uma vez que é o que nos dá o senso teleológico, o senso de finalidade.

A gente sempre aprendeu que a consciência de estarmos sempre na presença do Senhor, nos livraria de cair na tentação de um ética utilitarista, pois, o fim, decididamente, não justifica os meios, pelo contrário, o fim legitimo determina os meios, de modo que jamais aceitará um meio injusto como caminho possível para a justiça.

Por que isso parece não ter funcionado? A comprovar-se tais diálogos, o que, a cada dia fica mais evidente.

Estes diálogos, também, denunciam uma prática, tida como comum, entre o magistrado e a promotoria, tornando “tábula rasa” o princípio da presunção de inocência; o que é escandaloso e de uma crueldade sem precedentes.

Como cristãos evangélicos que militam nas várias instâncias e posições do judiciário não o denunciaram? 

Do que, do ponto de vista de uma contribuição para o aprimoramento das instituições, adiantou termos evangélicos lá? 

Logo, ter um evangélico no STF para que? 

Parece que a sugestão do chefe do governo federal apenas confirma o meu lamento, parece que a presença de um evangélico, para ele, seria eficaz para negar à comunidade LGBTQ+ o acesso aos direitos humanos. 

Enfim, meu sonho virou um pesadelo, e duvido que haja alguém capaz de vaticinar o que o futuro aguarda para o movimento evangélico nacional.

O que resta a dizer? Reiteramos: Lula Livre! 

O resta a exigir? Exigimos a revisão dos julgamentos e das consequentes sentenças proferida contra tantos, em tal ambiente.

O que resta a demandar? Demandamos que tal comportamento seja reprovado e banido de nossos tribunais, e restabelecido o cumprimento do ESTADO DE DIREITO!

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