Debate sem Lula deixou um vazio no telespectador

"Sem Lula ou Haddad o debate na Band, uma tradição em todas as eleições, ficou insosso, sem brilho, oferecendo uma sensação de vazio", avalia o jornalista e colunista do 247 Ribamar Fonseca; "O sentimento geral era o de que estava faltando alguma coisa. Por mais que os adversários do ex-presidente na mídia se esforcem para ignorá-lo, uma tentativa inútil para leva-lo ao esquecimento, o líder petista continua sendo a grande estrela da politica brasileira"

Debate sem Lula deixou um vazio no telespectador
Debate sem Lula deixou um vazio no telespectador (Foto: Kelly Fuzaro/Band | Stuckert)

O jogo começou mas sem a equipe principal. O debate da Band sem Lula ou Haddad, sem dúvida um desrespeito ao eleitorado e a seus telespectadores, deixa claro mais uma vez que o jogo será pesado para eliminar o PT do torneio. E nem adianta recorrer ao juiz de vídeo que, como se sabe, também participa do consenso montado pela comissão de arbitragem para eliminação do time petista. Igualmente não adianta esperar por um noticiário imparcial sobre o jogo, porque a mídia também está comprometida com o esquema destinado a impedir a volta de Lula ao pódium. Então, só restará à equipe campeã de votos contar com a imprensa alternativa, as redes sociais, para levar à sua imensa torcida informações sobre o treinamento do time e seu preparo para ganhar o jogo e receber o título. Afinal, já vai longe o tempo em que a mídia tradicional, em especial a Globo, era dona da mente da população. Os tempos hoje são outros.

Sem Lula ou Haddad o debate na Band, uma tradição em todas as eleições, ficou insosso, sem brilho, oferecendo uma sensação de vazio. O sentimento geral era o de que estava faltando alguma coisa. Por mais que os adversários do ex-presidente na mídia se esforcem para ignorá-lo, uma tentativa inútil para leva-lo ao esquecimento, o líder petista continua sendo a grande estrela da politica brasileira e tanto isso é verdade que logo no inicio do debate o candidato do Psol, Guilherme Boulos, clamou pela liberdade dele. O fato é que não poderão mantê-lo afastado dos próximos debates porque estará no centro das discussões, como candidato ou com o seu substituto, conforme se observou no debate da Band, quando o bolsa-familia foi elogiado até por seus adversários. Lula é o fantasma que continuará assombrando esse pessoal durante muito tempo, mesmo preso, apesar do aparato judicial montado a partir da Lava-Jato para eliminá-lo da vida pública e das ameaças de golpe de generais de pijama.

Sem Lula o debate da Band frustrou todas as expectativas, até porque, com honrosas exceções, a maioria dos candidatos se mostrou muito fraca. Álvaro Dias foi a grande decepção, revelando-se despreparado para o cargo, apesar da sua longa experiência política, repetindo sempre a mesma resposta com a escolha do juiz Sergio Moro para ser seu ministro da Justiça e pedindo para o povo "abrir o olho". O cabo Daciolo foi uma figura folclórica, parecendo mais um pastor evangélico do que um candidato a Presidente. O ex-ministro Henrique Meirelles, coitado, falou mais do tempo em que foi presidente do Banco Central, no governo Lula, do que a sua recente e desastrosa passagem pelo Ministério da Fazenda, no governo Temer. Parecia atoleimado, enfrentando grande dificuldade para explicar sua gestão no Ministério da Fazenda, esforçando-se inutilmente para convencer que fez um bom trabalho mas evitando citar o nome de Temer por motivos óbvios.

Geraldo Alkmin e Marina Silva continuaram com o mesmo velho discurso político do "é preciso". O telespectador teve a sensação de que estava sendo enganado mais uma vez. O ex-governador paulista, que está na mira dos investigadores sobre as obras do Rodoanel, teve a cara de pau de falar que combateu a corrupção em São Paulo e a certa altura tentou tirar uma casquinha do governo Lula ao afirmar que "ajudou" na transposição do Rio São Francisco. Aliás, Marina Silva e Ciro Gomes também falaram sobre essa obra sem citar Lula, como se eles fossem os seus autores. E Jair Bolsonaro, que levou uma claque, se enrolou ao tentar responder à pergunta de Boulos sobre seu patrimônio e a sua funcionária Val. Pego de surpresa e em dificuldades para explicar a denuncia feita pela "Folha de São Paulo", desistiu do seu tempo para dar a resposta. Também se revelou vazio, apresentando-se mais como candidato dos militares, inclusive propondo a militarização das escolas, pois no seu entendimento o que o ensino público do país está precisando é de disciplina e hierarquia. Sua solução para o problema da violência é um primor: armar a população e castrar estupradores. Que solução inteligente!! Foi, porém, o único aplaudido pela claque presente no estúdio da Band.

Guilherme Boulos e Ciro Gomes sem dúvida foram os melhores do debate. Apesar de calouro na política, o candidato do Psol mostrou muita segurança nas respostas, revelando conhecimento sobre os problemas do país. Algumas vezes foi duro, inclusive chamando Bolsonaro na cara de "machista" e "homofóbico". O ex-ministro cearense, por sua vez, se perdeu algumas vezes com a citação de números, mas de um modo geral se saiu bem, embora aquém do esperado. O debate da Band, no entanto, serviu para mostrar que sem Lula o pleito perde legitimidade. O apresentador Ricardo Boechat informou no inicio que o ex-presidente foi convidado mas impedido de comparecer pela Justiça. Na verdade, uma desembargadora do TRF-4 negou o pedido da defesa para que Lula comparecesse ao debate, o que deixou de ser novidade, porque todos os recursos do ex-presidente são negados em todas as instâncias do Judiciário, qualquer que seja o magistrado. O ministro Ricardo Lewandowski, porém, disse aos grevistas de fome que "um dia a Justiça triunfará". Todos sabemos disso, mas quando?

O fato novo é que o vice de Bolsonaro, o general Mourão, em entrevista ao jornal "Valor Econômico", defendeu uma intervenção militar caso Lula seja confirmado candidato. Mourão, que se mostrou um vice perfeito para Bolsonaro, é o mesmo que recentemente se revelou racista, afirmando que o povo brasileiro herdou a indolência do índio e a malandragem do negro. Como ele não é louro nem tem olhos azuis é possível que estivesse falando de si próprio. De qualquer modo, até o próximo dia 15 se saberá se Lula será ou não candidato, o que não irá impedir a eleição e posse da sua "idéia", representada pelo ex-prefeito Fernando Haddad. A não ser que os generais de pijama, como o vice de Bolsoronaro, resolvam levantar do sofá e promover um novo golpe.

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