Decência é imperativo

Somos pela Democracia, somos pela Civilização e pela união de esforços em torno dessa causa, mas, isso não será factível se perdermos o senso de decência

(Foto: Ricardo Stuckert)

No sec 3, houve uma crise séria na Igreja, o imperador Romano, Décio, que governou de 249-251, voltou a perseguir a Igreja por não prestar culto ao imperador, muitos, ditos cristãos, abandonaram a fé,  e, dos que resistiram, muitos foram torturados ou mortos. 

Entre os torturados estava Orígenes de Alexandria, um dos maiores teólogos da época, que veio a morrer em consequência da tortura sofrida.

Com o fim da perseguição, muitos dos que negaram a fé pediram para voltar. 

E quase houve séria divisão por causa da questão de, se haveria ou não, concessão do perdão para os arrependidos, dada a natureza do erro.

Guardadas a proporções, a esquerda brasileira enfrenta quadro semelhante.

Muitos dos que fizeram o golpe via impeachment, que apoiaram o governo Temer, que votaram a favor da reforma trabalhista, que apoiaram a eleição do atual presidente, que fugiram no 2º turno, que votaram a favor da reforma da previdência, que são coniventes com a perda da soberania e a entrega do patrimônio brasileiro à sanha da geopolítica estrangeira, que deixaram passar a MP 881… diante da barbárie que passa pela fala do Presidente, estão a se reunir pela democracia.

Para isso, pedem o sacrifício de Lula ao PT. E se o PT se recusar, como parece, pela ausência no lançamento do fórum, tudo voltará a ser culpa do PT.

Primeiro, diante do resultado das urnas, a única prova que temos de que fomos vitimas de um crime contra a democracia é o que vem sendo divulgado pelo chamado “Vaza Jato”, onde os protagonistas da condenação do ex-presidente, apontado pelas enquetes como provável vencedor das eleições, confessam o interesse politico e a manipulação do judiciário para derrotá-lo.

Segundo, o governo atual foi eleito pelo encontro de interesses do agro-negócio, do rentismo, do neo-liberalismo internacional e da geopolítica estadunidense que, para alcançar os seus intentos, tiveram de forjar um partido e insuflar uma candidatura marcada pelo desatino, pois, nenhum partido com um mínimo de estrutura e legitimidade na luta pelo poder, que emana do povo, os abraçaria. 

Terceiro, o tal candidato venceu graças à trama que o “Vaza-Jato” denuncia e o discurso moralista, que engodou os religiosos, do qual ninguém da esquerda escaparia, e da simpatia que amealhou graças à pantomima do atentado à sua vida, e do bombardeio de “fake news”… ninguém da esquerda superaria isso.

Quarto, só não soçobramos porque tínhamos um partido forte, com uma história de realizações, assim como um líder sendo injustiçado a olhos vistos, cuja empatia e trunfos sociais arrastara multidões em todo o Brasil, quando resistiu à tentativa, infelizmente, realizada de tornarem-no prisioneiro político; e porque tínhamos um candidato reconhecido, nacional e internacionalmente, como um dos nossos melhores políticos, que, em vez de nos oferecer bravatas, oferecia uma das maiores cidades do mundo como testemunha de sua competência.

O movimento suprapartidário de que participo lutou, até não ter mais como enxugar o suor, pela democracia que nos foi roubada, ao lado de gente com história de luta pelos pobres, de quem Jesus Cristo nos mandou cuidar. 

Não estamos dispostos a ouvir zombarias de quem não encontramos no campo de batalha, nem a ser constrangidos por gente que tornou possível esse estado de coisas.

No caso da história do século 3, o perdão triunfou porque houve arrependimento. Ainda não ouvi o pedido de perdão dos que dizem querer voltar… e não se pede perdão sustentando a condenação de um inocente ou a manutenção da prisão politica. 

Somos pela Democracia, somos pela Civilização e pela união de esforços em torno dessa causa, mas, isso não será factível se perdermos o senso de decência.

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