Defesa de Temer: a técnica de gritar “pega ladrão”

A peça de defesa de Michel Temer assinada pelo advogado Eduardo Carnelós está destinada a figurar entre os documentos mais cínicos da História. Ela se dedica menos a contestar, no mérito, a dupla denúncia por formação de organização criminosa e obstrução da Justiça, e muito mais a achincalhar seu autor, o ex-procurador-geral da República. Com a valentia dos covardes, pois Janot não está mais no cargo nem terá direito à palavra durante o processo na Câmara, a defesa o acusa de ter tramado um golpe, aponta a colunista Tereza Cruvinel; com este grito de “pega ladrão” dado por Temer,  realmente vamos ingressando no mundo do realismo fantástico. Não por acaso o autor recorre a Gabriel Garcia Marques para titular um dos capítulos de seu libelo em que mais acusa que defende, afirma a jornalista

A peça de defesa de Michel Temer assinada pelo advogado Eduardo Carnelós está destinada a figurar entre os documentos mais cínicos da História. Ela se dedica menos a contestar, no mérito, a dupla denúncia por formação de organização criminosa e obstrução da Justiça, e muito mais a achincalhar seu autor, o ex-procurador-geral da República. Com a valentia dos covardes, pois Janot não está mais no cargo nem terá direito à palavra durante o processo na Câmara, a defesa o acusa de ter tramado um golpe, aponta a colunista Tereza Cruvinel; com este grito de “pega ladrão” dado por Temer,  realmente vamos ingressando no mundo do realismo fantástico. Não por acaso o autor recorre a Gabriel Garcia Marques para titular um dos capítulos de seu libelo em que mais acusa que defende, afirma a jornalista
A peça de defesa de Michel Temer assinada pelo advogado Eduardo Carnelós está destinada a figurar entre os documentos mais cínicos da História. Ela se dedica menos a contestar, no mérito, a dupla denúncia por formação de organização criminosa e obstrução da Justiça, e muito mais a achincalhar seu autor, o ex-procurador-geral da República. Com a valentia dos covardes, pois Janot não está mais no cargo nem terá direito à palavra durante o processo na Câmara, a defesa o acusa de ter tramado um golpe, aponta a colunista Tereza Cruvinel; com este grito de “pega ladrão” dado por Temer,  realmente vamos ingressando no mundo do realismo fantástico. Não por acaso o autor recorre a Gabriel Garcia Marques para titular um dos capítulos de seu libelo em que mais acusa que defende, afirma a jornalista (Foto: Tereza Cruvinel)

A peça de defesa de Michel Temer assinada pelo advogado Eduardo Carnelós está destinada a figurar entre os documentos mais cínicos da História. Ela se dedica menos a contestar, no mérito, a dupla denúncia por formação de organização criminosa e obstrução da Justiça, e muito mais a achincalhar seu autor, o ex-procurador-geral da República. Com a valentia dos covardes, pois Janot não está mais no cargo nem terá direito à palavra durante o processo na Câmara, a defesa o acusa de ter tramado um golpe, tentando depor Temer com “uma tramoia”, para a qual se associou aos “comparsas privados” da JBS, sugerindo sutilmente que tenha partilhado os  ganhos auferidos no mercado financeiro pelos delatores com o vazamento da delação. “Mas este jogo é conhecido. Temer usa a técnica do larápio que, flagrado, dá um grito de “pega ladrão” para despistar a multidão”, resume o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

Com tudo o que se soube sobre Temer nos últimos tempos, Carnelós afirma que a denúncia é uma "peça absolutamente armada, baseada em provas forjadas, feita com o objetivo claro e até indisfarçado de depor o presidente da República, constituindo, portanto, uma tentativa de golpe no Brasil". Temer é o santo, e Janot, “o arqueiro que atirou contra o Estado de Direito”. Espancando Janot,  depois das trapalhadas cometidas na delação da JBS, e das suspeitas que pesam contra o ex-procurador Marcello Miller, Temer dá o grito de “pega ladrão” e escapa, oferecendo à sua tropa de choque o discurso que vão brandir para justificar mais uma absolvição.

Uma técnica esperta, no que pese o cinismo. Mas o próprio autor, numa referência a Janot, faz uso de um dito popular que serve perfeitamente a Temer. “A esperteza, quando é muita, vira bicho e engole o dono”. Temer deve preservar o mandato mas chegará ao final devorado pelo descrédito, como o presidente mais rejeitado da História, escarnecido até por ladrões de bancos, como no vídeo que viralizou ontem na Internet. E passado o mandato, vai ter que acertar as contas com Justiça.

Embora tenha chamado Janot de “Iscariotes”, a defesa de Temer serve também para confirmar, mais uma vez, sua natureza escorpiônica. Criticando os danos que as duas denúncias teriam causado ao Brasil, o texto afirma: “Sim, porque a tramoia foi lançada contra o Presidente da República no momento em que a economia nacional começava a mostrar sinais de recuperação, depois de anos sofrendo os efeitos da crise fabricada pelos dois mandatários anteriores, e importantes reformas estavam sendo votadas e aprovadas pelo Congresso Nacional.”

Nesta citação indireta a Lula e Dilma, nenhuma referência ao fato de que Temer era o fiador de uma aliança, e o de que seu partido ocupou espaços importantes nos dois governos, tendo ele depois se tornado vice de Dilma, a quem traiu para ficar com a cadeira.  Lula, de promotor do mais importante ciclo de crescimento inclusivo das últimas décadas, mérito que ninguém lhe nega, é transformado em fabricante da recessão que Temer e Meirelles levaram ao paroxismo. 

Vê-se também que Temer “está de bem” com Eduardo Cunha, cuja recente entrevista à revista IstoÉ foi usada à farta,  num esforço para demonstrar que Janot promoveu uma “licitação” de delações, optando pela de Lúcio Funaro porque este, ao contrário de Cunha, dispunha-se a servir à derrubada de Temer. Sintomático que Cunha tenha dado uma entrevista enquanto a peça de defesa estava sendo escrita.

Com este grito de “pega ladrão” dado por Temer, realmente vamos ingressando no mundo do realismo fantástico. Não por acaso o autor recorre a Gabriel Garcia Marques para titular um dos capítulos de seu libelo em que mais acusa que defende.

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