Delação de Cerveró deveria ser castigada

Não sei como alguém pode levar a sério as delações "premiadas" do sr. Cerveró. Ao menos as três últimas, em que investe em três presidentes de uma vez, a atual e dois ex-: Lula, Fernando Henrique e Dilma.

De Lula ele diz que recebeu o seu cargo na Petrobrás dele próprio, como "prêmio". (Seria uma "indicação premiada"?) Não entendo como esse tipo de "delação" foi aceito pela equipe de Sérgio Moro nesses termos, sem mais detalhes comprobatórios, pois seria, como foi, facilmente rebatida pelo "acusado". "Eu não indiquei diretores da Petrobrás", disse Lula. Apesar da fragilidade, o depoimento foi aceito como "delação premiada", foi vazado por ninguém sabe por quem e, pasmem, foi publicado pelos editores dos maiores jornais do país, também sem nenhuma prova.

Dias depois (pela cronologia dos vazamentos e não dos depoimentos), o mesmo Cerveró afirmou que ouviu dizer de representantes de uma empresa argentina que o governo FHC recebeu 100 milhões de dólares de propina. Ohhhhh!

Mais uma vez, essa denúncia que tem mais a cara de fofoca foi admitida como "delação premiada" pela equipe de Sérgio Moro, o que me deixa mais uma vez com a pulga atrás da orelha: por que eles não pediram mais provas antes de colocar seu depoimento no papel?

Pior: se você fosse editor de um jornal daria de manchete uma declaração tão vaga como essa? "O governo FHC recebeu"... mas quem do governo? Qual pessoa? O presidente? O vice? Um ministro? O presidente da Petrobrás? Em que banco? Em que conta? Que dia? Que ano?. A quantia redonda "100 milhões de dólares" também parece redonda demais, certinha demais para ser verdadeira. Foi à vista ou em vezes? E em quantas vezes?

E, no entanto, a fofoca – sem comprovação – logo virou notícia em todos os blogs: "FHC levou 100 milhões da Petrobrás". Verdade ou mentira? Parece verdade agora, mas será que vai continuar assim no futuro?

A outra fofoca envolve a atual presidente da República. Vaza, mais uma vez, um depoimento de Cerveró em que ele diz que Collor lhe disse que a presidente lhe disse que a BR Distribuidora era dele. Mais uma vez os torquemadas da Lava Jato aceitaram como verdadeiras declarações absolutamente nebulosas, um verdadeiro e legítimo diz-que-me-diz-quem transformado em notícia: "Dilma deu a BR Distribuidora ao Collor".

Essa fofoca em forma de notícia ganha desdobramentos rapidamente, os jornais passam a ver uma conexão entre a Lava Jato e o impeachment, mais uma vez confundindo o distinto público, pois no impeachment só valem malfeitos cometidos no mandato iniciado no ano passado e não nos anos anteriores e o jornal nem sabe quando "a presidente disse a Collor o que ele disse a Cerveró e o que Ceveró disse à Lava Jato".

Delações como essas de Cerveró não deveriam ser premiadas e sim castigadas.

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