Denúncias e vilões

Há uma aparente cisão, pela qual o caminho do afastamento do presidente está sendo trilhado, mas a possibilidade de um auto-golpe é também provável. Em qualquer caso, o resultado não mudará a natureza dos que o elegeram

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A entrevista/denúncia do empresário Paulo Marinho revela mais uma evidência de fraude eleitoral em 2018, agora por meios mais clássicos: informação privilegiada e interrupção de investigação supostamente sigilosa do esquema Flávio Bolsonaro/Queiroz. Todos os acusados negarão, outra cortina de fumaça surgirá e segue a boiada.

O vídeo da reunião ministerial de 22 de abril ainda não foi divulgado, mas já levou a discussões e interpretações múltiplas. A primeira impressão é que os procedimentos da Presidência são muito pouco republicanos e os rompantes a que assistimos dia sim, o outro também, são apenas a pontinha do iceberg de incompetência dos gestores do país.

Não existe definição de tamanho para crime de responsabilidade do presidente da República. O que Sérgio Moro revelou em seu depoimento não contém novidades, mas seria o suficiente para a abertura de processo. Claro que se esperava mais, mas o ex-ministro sabe muito bem as falcatruas conjuntas que realizou com Bolsonaro e não vai se incriminar. Há a versão de Bolsonaro e a versão de Moro. Tenho aversão a ambos.

Também a recente encenação de Bolsonaro e empresários a galope pela Praça dos Três Poderes foi desastrosa. Não se esperava nada diferente, já que deve ter se inspirado na ex-atriz Regina Duarte, secretária especial de Cultura, eterna filha solteira de militar e amante do fascismo. Após isso, a apregoada suprema união dos magistrados do STF é mais do que necessária e premente. Não nos esqueçamos, porém, que o poder não eleito diretamente pelo povo é o mais bem remunerado. Pode ser, agora, o protagonista no controle dos desvarios do presidente da República. Que assim seja para compensar um pouco as atrocidades cometidas no passado recente, com condenações sem provas, apenas convicções.

Apresentam-se, assim, os membros atuais e os já demitidos do desgoverno de Brasília como um idêntico conjunto de vilões do mesmo saco que vilipendiam o país. Há uma aparente cisão, pela qual o caminho do afastamento do presidente está sendo trilhado, mas a possibilidade de um auto-golpe é também provável. Em qualquer caso, o resultado não mudará a natureza dos que o elegeram. Se o capitão cair, assumindo o general, essa extrema direita de pronto dirá que apoia o novo governo, pois votou na inexistente plataforma antissistema e não tardarão novas e mais duras medidas fascistoides.

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