Depois da Covid-19 o mundo não será o mesmo. Quem disse?

Vamos continuar vivendo sob o mesmo sistema econômico, o capitalista. Então, para se mudar alguma coisa, esse sistema produtor de grandes desigualdades sociais teria que ser repensado. Mas não vai

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Tenho lido e ouvido por aí que “depois da Covid-19 o mundo não será o mesmo”. Como assim? Tenho cá as minhas dúvidas.

Pra começar, vamos continuar vivendo sob o mesmo sistema econômico, o capitalista. Então, para se mudar alguma coisa, esse sistema produtor de grandes desigualdades sociais teria que ser repensado. Mas não vai. Os bilionários do mundo vão querer continuar sendo os bilionários do mundo e, principalmente em países como o Brasil, as poucas centenas de bilionários continuarão a reter a grande parcela da riqueza nacional, cabendo à maior parte da população a menor parcela da riqueza, ou seja, as desigualdades sociais e a grande desigualdade de renda vão continuar.

Os bancos vão continuar praticando seus juros abusivos, principalmente em cima da população menos favorecida economicamente e dos pequenos e médios empresários.

Os impostos continuarão altos e o retorno desses impostos para os investimentos socias (água, saneamento, saúde, educação...) continuará do jeito que é hoje.

Por exemplo, e entrando na minha praia, que é a alimentação, só mudará alguma coisa mesmo se houver, como tenho dito sempre, investimento maciço no desenvolvimento da agricultura familiar, com mais crédito e juros mais baixos. Mas duvido que isso aconteça; ao contrário, os principais investimentos vão continuar indo para o agronegócio e para a produção de commodities agrícolas, produtos de exportação.

O alto investimento na produção e utilização de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos continuará, em detrimento do investimento na agroecologia, que é o desenvolvimento agrícola ecológico e sustentável e considerada pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) como” essencial para o futuro da humanidade, que deve preservar o planeta e ao mesmo tempo garantir alimentos saudáveis para todos”.

A Nestlé continuará sendo a maior empresa de alimentos do mundo, e fará de tudo para não perder o posto. E isso vale também para a Unilever, a Pepsico e outras multinacionais. Ninguém vai querer perder o seu posto.

Cai o consumo de arroz e feijão

Uma mudança de paradigma seria fazer com que as pessoas passassem a ter uma alimentação mais saudável, cozinhando sua própria comida, comendo mais produtos naturais ou minimamente processados. Dessa forma se evitaria, por exemplo, o aumento da obesidade, que já é um problema de saúde pública em países como os Estados Unidos e mesmo no Brasil.

Olhem só a quantas anda o problema.

Divulgada na última sexta-feira (3 de abril), a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE, mostrou que, em 15 anos (entre 2003 e 2018) o consumo de arroz e feijão caiu 40% na mesa do brasileiro, perdendo espaço para comida industrializada, ou seja, os alimentos ultraprocessados. 

(Realizada desde a década de 1970, a POF é um levantamento detalhado em relação aos padrões de consumo dos brasileiros. Nesta edição o IBGE pesquisou cerca de 58 mil dos 70 milhões de lares brasileiros, em 1,9 mil cidades.)

A população está comendo menos cereais, dando preferência a produtos como biscoitos, doces, sorvetes e refrigerante. O consumo de alimentos preparados industrialmente cresceu 56% em 15 anos.

A boa notícia é que dobramos o consumo de ovos no período. São mais de 3,3 kg/ano consumo de ovos.

Obesidade

Está mais do que comprovado que o consumo de alimentos ultraprocessados contribui para o aumento da obesidade. Segundo o Ministério da Saúde, o país ganha um milhão de novos obesos por ano, que hoje somam 20% da população.

Não vai mudar

E esse quadro vai mudar? Me desculpem, mas não vai não. As multinacionais da alimentação vão continuar tratando comida como lucro financeiro, vão continuar, por intermédio de propaganda maciça, tentando mostrar que comer comida industrializada é melhor, mais prático e mais barato (o que não é verdade) do que fazer sua própria comida.

E assim segue a vida...

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