Deputado sofre pressão para não investigar empresários

Os empresários que respondem por boa parte do PIB nacional não pouparão esforços para tirar Altineu Côrtes do caminho. Como Dom Quixote, pode ser que enfrente sozinho essa briga

Os empresários que respondem por boa parte do PIB nacional não pouparão esforços para tirar Altineu Côrtes do caminho. Como Dom Quixote, pode ser que enfrente sozinho essa briga
Os empresários que respondem por boa parte do PIB nacional não pouparão esforços para tirar Altineu Côrtes do caminho. Como Dom Quixote, pode ser que enfrente sozinho essa briga (Foto: Celso Raeder)

O deputado federal Altineu Côrtes (PMDB-RJ) se tornou especialista em botar gente rica na cadeia. Como sub-relator na CPI da Petrobras, Altineu convocou para depor o todo poderoso Marcelo Odebrecht, dono de uma das maiores empreiteiras do país, que pagava propina para políticos em troca de contratos bilionários com a estatal. Pouco tempo depois, Marcelo acabou preso e condenado a 19 anos de prisão pelo juiz Sérgio Moro.

Altineu ignorou solenemente as relações de amizade que unem o presidente licenciado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha e o banqueiro André Esteves, e partiu como um cão perdigueiro à procura de informações que ligassem os negócios subterrâneos da Odebrecht com o BTG Pactual, de Esteves. Denunciado pelos procuradores da Lava Jato, por supostamente oferecer propina à família de Néstor Cerveró em troca de silêncio, André Esteves amargou uma temporada nada agradável na carceragem da Polícia Federal.

Não foi diferente na CPI do Carf, criada para investigar o desvio bilionário em impostos sonegados através de um esquema de fraudes na arrecadação de tributos federais. Altineu Côrtes convocou para depor o ex-presidente do Bradesco, Luiz Trabuco, considerado um dos 60 executivos mais poderosos do Brasil. O mesmo aconteceu com André Gerdau, que controla uma das maiores empresas de siderurgia no país, e que carrega o nome de sua família como marca de qualidade.

Enfrentar tanta gente poderosa tem um preço. Todos esses homens possuem laços de amizade em todas as esferas do poder, e o deputado Altineu Côrtes sabia que não tardaria a reação raivosa contra sua insistência em provar que cadeia também é para os ricos. A gota d´água foi a convocação do banqueiro Joseph Safra para depor na CPI do Carf. Para a elite econômica nacional, Altineu teria ido longe demais.

Sem apresentar qualquer prova, assim como fizera na ocasião em que denunciara membros do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão por tentativa de suborno, para evitar a cassação do prefeito de Ribamar Fiquene, o deputado federal Hildo Rocha (PMDB-MA) procurou a mídia para lançar insinuações de que seu colega de partido também estava convocando grandes empresários para deporem na CPI, com o intuito de chantagea-los.

"Existe uma inversão de valores em todo esse processo, que vai acabar beneficiando os bilionários que construíram impérios às custas de sonegação de impostos e corrupção. Estou convocando essa gente porque não tenho rabo preso com ninguém. Não dependo deles para nada. O Brasil vive um momento de transformação, e a sociedade exige dos seus representantes que não se acovardem diante dessa gente que se tornou 'sócia' do dinheiro público", disse Altineu.

Nessa queda de braço, vai ganhar quem reunir mais força de um dos lados. Os empresários que respondem por boa parte do PIB nacional não pouparão esforços para tirar Altineu Côrtes do caminho. Como Dom Quixote, pode ser que enfrente sozinho essa briga. Mas se o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, perceber que Altineu Côrtes não come na mão do ainda deputado Eduardo Cunha, é bem capaz de tira-lo da lista de investigados, para torna-lo aliado no processo de moralização que está em curso.

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