Deputados vão salvar Temer para receber o que lhes deve

"Coloque-se na pele de um deputado corrupto, daqueles que sentam lá no fundo do plenário, de quem ninguém conhece o nome nem o rosto, muito menos as ideias – se é que tem alguma – que votou no golpe, votava com Cunha e agora vota com Temer. Ele votou contra a primeira denúncia de Janot contra Temer em troca de alguma emenda, emprego para cupincha ou outra compensação qualquer, mas não recebeu tudo o que Padilha (provavelmente) prometeu", avalia o colunista do 247 Alex Solnik; "Existe uma tradição no Brasil de deputados que gostam de ser comprados e governos que precisam comprá-los para não serem derrubados por eles. Não vai ser Temer quem irá quebrá-la", afirma

"Coloque-se na pele de um deputado corrupto, daqueles que sentam lá no fundo do plenário, de quem ninguém conhece o nome nem o rosto, muito menos as ideias – se é que tem alguma – que votou no golpe, votava com Cunha e agora vota com Temer. Ele votou contra a primeira denúncia de Janot contra Temer em troca de alguma emenda, emprego para cupincha ou outra compensação qualquer, mas não recebeu tudo o que Padilha (provavelmente) prometeu", avalia o colunista do 247 Alex Solnik; "Existe uma tradição no Brasil de deputados que gostam de ser comprados e governos que precisam comprá-los para não serem derrubados por eles. Não vai ser Temer quem irá quebrá-la", afirma
"Coloque-se na pele de um deputado corrupto, daqueles que sentam lá no fundo do plenário, de quem ninguém conhece o nome nem o rosto, muito menos as ideias – se é que tem alguma – que votou no golpe, votava com Cunha e agora vota com Temer. Ele votou contra a primeira denúncia de Janot contra Temer em troca de alguma emenda, emprego para cupincha ou outra compensação qualquer, mas não recebeu tudo o que Padilha (provavelmente) prometeu", avalia o colunista do 247 Alex Solnik; "Existe uma tradição no Brasil de deputados que gostam de ser comprados e governos que precisam comprá-los para não serem derrubados por eles. Não vai ser Temer quem irá quebrá-la", afirma (Foto: Alex Solnik)

 Coloque-se na pele de um deputado corrupto, daqueles que sentam lá no fundo do plenário, de quem ninguém conhece o nome nem o rosto, muito menos as ideias – se é que tem alguma – que votou no golpe, votava com Cunha e agora vota com Temer.

   Ele votou contra a primeira denúncia de Janot contra Temer em troca de alguma emenda, emprego para cupincha ou outra compensação qualquer, mas não recebeu tudo o que Padilha (provavelmente) prometeu.

   Tem gente que acha que deputados como esse, que estão na chamada “base aliada”, que garante maioria ao governo, irritados por não terem recebido tudo o que foi combinado poderão se vingar votando contra Temer na segunda denúncia e o feitiço virar contra o feiticeiro.

   Eu acho que não. Ter ficado devendo foi esperteza de negociante.

   Janot fatiou as denúncias e Temer fatiou os pagamentos.

   Ao deputado chorão, se queixando de que faltou 1 milhão na sua emenda, Padilha poderá dizer: “calma, tchê, vota conosco agora que tu vai receber o que ficamos devendo”.

   O deputado, já escaldado pelo primeiro calote, poderá retrucar: “mas, ô Padilha, que garantia você me dá que agora eu vou receber”?

   “Se salvar o governo”, responderá Padilha,” tu poderá receber ou não, ou seja, tem 50% de chance de receber o que te prometi; se não salvar, a tua chance será zero. O que tu prefere”?

   “E não é que ele tem razão”? – vai pensar o deputado ao deitar a cabeça no travesseiro. “Se eu votar contra Temer ele cai e nunca vou receber o que me prometeu; se votar a favor, ele continua e poderei não só receber o que me deve, como também negociar as próximas votações nas quais vai precisar de mim”.

   Existe uma tradição no Brasil de deputados que gostam de ser comprados e governos que precisam comprá-los para não serem derrubados por eles.

    Não vai ser Temer quem irá quebrá-la.

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