Descobrindo a pólvora

Num exercício de retórica, dos que lhe agrada junto à imprensa, o Presidente Jair Bolsonaro se deu ao luxo de “descobrir a pólvora” na hora, no lugar, e frente à pessoa errada

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No meio de eleições para prefeitos e vereadores em nível nacional, onde se espera que prevaleça o bom-senso, mais uma vez acabamos de ter a prova de que o aventureirismo pode ser perigoso. Num exercício de retórica, dos que lhe agrada junto à imprensa, o Presidente Jair Bolsonaro se deu ao luxo de “descobrir a pólvora” na hora, no lugar, e frente à pessoa errada. O recém-eleito John Biden, por causa de suas preocupações com as queimadas, não obstante sem lhe citar o nome, concentrou, desta vez, o descontrole verbal que lhe é típico. Foi tão longe, quase numa declaração de guerra, que os militares, através de seu Comandante, recordaram o sentido de suas funções, de acordo com a Constituição. Nós, da farda, não existimos para participar da política, ainda que (os fatos não mentem) estejam, em número inédito, da reserva ou da ativa, ocupando lugares superiores na administração pública. 

Há situações em que parece engraçado o destempero de um Presidente. Em outras, em vez de divertir, preocupa. Imaginemos se, por uma fagulha, estoure com efeito uma guerra com os nossos irmãos do norte. Para começar, precisaremos enfrentar um conflito nuclear ou a ameaça dele... Trata-se de uma perspectiva que, naturalmente, ocupada por tanta besteira e ideias quentes, não passou pela mente de Bolsonaro. Ou passou e deixou para lá. Aliás, do ponto de vista de uma avaliação da realidade, se esperarmos alguma sugestão, ficaremos mal. Sobre a epidemia de coronavírus, ele acha que nos comportamos com um “país de maricas”. Há contaminados em toda parte, mortos em abundância, ele próprio e vários de seus colaboradores contraíram a doença – e nos comportamos como maricas!... Que bela e inteligente descrição. Pode-se afirmar que, motivados por vários fatores e uma liderança insegura e irresponsável, não nos protegemos como deveríamos, com uma segregação social estrita e controles rigorosos dos números estatísticos. O aparente machismo ostentado mais de uma vez, em diferentes circunstâncias, mostra, ao contrário, Freud explica, uma dúvida sobre a própria masculinidade. Uma mirada rápida no panorama mundial em torno da questão, revela que tipo de postura os dirigentes em geral assumem frente a suas dificuldades. Sem dúvida, não com bravatas. 

Todo cuidado é pouco. A pólvora de Bolsonaro pode sair pela culatra. Como nem ele crê na competência de seu Ministro das Relações Exteriores, o pária Ernesto Araújo, imagina que “cuspe” com John Biden ou Kamala Harris não trará resultados. Já não estará mais diante de um Trump seguidor do seu estilo de populismo. Os vitoriosos da eleição norte-americana aspiram por resultados. Estão no mundo em que respiramos e prezam a qualidade do ar, enquanto for possível resguardá-la dentro de acordos internacionais. 

É verdade que a imprensa gosta de incontinência verbal. Ela fornece manchetes. Para a sensibilidade do cidadão, bem mais exigente, isso não basta. Não se vê desenvolvimento social, industrial ou científico, com nossas universidades e centros de pesquisa lutando por verbas e falta de prestígio. Depois de um tempo de susto, a pecha de “bolsonarista” cada vez produzirá menos dividendos. Como se comentou, é pólvora pura e corre o risco de explodir pela culatra, na cara do atirador.

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