Dia D na Câmara: democracia ou ditadura?

"Se a maioria dos deputados entender, seja por qual motivo for que o que Daniel Silveira disse não ultrapassou os limites da liberdade de expressão, que essa incitação de violência contra a Suprema Corte e contra a democracia é tolerável, que ele merece continuar deputado federal, a Câmara dará o sinal verde para ele e seus aliados bolsonaristas seguirem em frente em sua escalada rumo à volta a 64" alerta Alex Solnik

Dep. Daniel Silveira (PSL - RJ)
Dep. Daniel Silveira (PSL - RJ) (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)
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Logo mais a Câmara dos Deputados vai se pronunciar contra ou a favor da prisão em flagrante do deputado Daniel Silveira efetuada por ordem do ministro do STF Alexandre de Moraes ontem à noite.

Em vídeo que postou no youtube em resposta ao ministro Edson Fachin do STF que definiu como “intolerável” o tuíte golpista do general Villas Boas, o deputado bolsonarista, dentre outros ataques ao Estado de Direito, incitou ao espancamento público de Fachin, em linguajar meio miliciano, meio fascista:

“O que acontece, Fachin, é que todo mundo está cansado dessa sua cara de filha da puta que tu tem, essa cara de vagabundo… várias e várias vezes já te imaginei levando uma surra, quantas vezes eu imaginei você e todos os integrantes dessa corte…quantas vezes eu imaginei você na rua levando uma surra… que que você vai falar? Que eu tô fomentando a violência? Não… eu só imaginei… ainda que eu premeditasse não seria crime… qualquer cidadão que conjecturar uma surra bem dada com um gato morto até ele miar, de preferência após cada refeição, não é crime”.

Em outro momento do vídeo diz o deputado:

“Vocês não têm caráter, não têm escrúpulo, nem moral para poderem estar na Suprema Corte. Eu concordo completamente com com o Abraham Weintraub quando ele falou ‘eu por mim colocava todos esses vagabundos na cadeia’. Ele estava certo. Ele está certo. E com ele pelo menos 80 milhões de brasileiros corroboram com esse pensamento”.

“Você e seus dez ‘abiguinhos, abiguinhos’ não guardam a Constituição, vocês defecam sobre a mesma, essa Constituição que é uma porcaria”.

“Eu também vou perseguir vocês. Eu não tenho medo de vagabundo, não tenho medo de traficante, não tenho medo de assassino, vou ter medo de onze? Que não servem para porra nenhuma para esse país”?

“Aí, quando um general das Forças Armadas, do Exército para ser preciso, faz um tuíte, faz alguma coisa e você fica nervosinho, é porque ele tem as razões dele. Lá em 64, na verdade em 35, quando eles perceberam a manobra comunista, de vagabundos da sua estirpe, 64 foi dado então um contragolpe militar, e que teve lá 17 atos institucionais, o AI-5 que é o mais duro de todos como vocês insistem em dizer, aquele que cassou três ministros da Suprema Corte, você lembra? Cassou senadores, deputados federais, estaduais, foi uma depuração, um recadinho muito claro, se fizerem a gente volta”.

“Não é nenhum tipo de pressão porque o Judiciário tem feito uma sucessão de merda no Brasil. Uma sucessão de merda e quando chega em cima, na Suprema Corte, vocês terminam de cagar a porra toda. É isso o que vocês fazem. Vocês endossam a merda”.

Não sei se o deputado Daniel Silveira lançou essas aleivosias por conta própria ou se é o porta-voz de um grupo golpista; não sei se o vídeo era apenas mais uma demonstração de sua truculência ou se é a senha para um golpe militar.

O que eu sei é que hoje é o Dia D - dia da democracia ou da ditadura.

Se a maioria dos deputados entender, seja por qual motivo for que o que Daniel Silveira disse não ultrapassou os limites da liberdade de expressão, que essa incitação de violência contra a Suprema Corte e contra a democracia é tolerável, que ele merece continuar deputado federal, a Câmara dará o sinal verde para ele e seus aliados bolsonaristas seguirem em frente em sua escalada rumo à volta a 64, com consequência nefastas, inclusive para os deputados, que sempre são, ao lado dos jornalistas, as primeiras vítimas de um golpe militar.

E vai desmoralizar o STF.

Hoje é o Dia D.

Vamos ver, logo mais, se os 302 deputados que votaram em Lira estão ao lado da democracia ou da ditadura.

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