Diplomacia com fígado podre

Coisa de maluco. Trump deve estar soltando os cachorros. Se Bolsonaro briga com Fernandez, que acaba de ter vitória espetacular contra o neoliberalismo, contraria, diretamente, a diplomacia americana, para favorecer chineses

(Foto: Esq.: Adriano Machado - Reuters)

Coisa de maluco. Trump deve estar soltando os cachorros. Se Bolsonaro briga com Fernandez, que acaba de ter vitória espetacular contra o neoliberalismo, contraria, diretamente, a diplomacia americana, para favorecer chineses. O presidente brasileiro age como imperador sul-americano sem ter cabedal para tal. Tenta dar xeque-mate no novo presidente argentino, como se tivesse cacife, quando, na verdade, está blefando. Suas cartas não valem nada. Os empresários brasileiros dependem de exportações para a Argentina. Se não puderem exportar carros para lá, colapso na cadeia produtiva de automóveis no Brasil emergirá, imediatamente. Não terá União Europeia para salvá-los. Milhões de empregos diretos e indiretos vão para o espaço. Nada mais tenebroso, para a população brasileira, diante da recessão que joga 13 milhões de desempregados na rua da amargura, ao lado de 30 milhões de desalentados e 60 milhões de inadimplentes, atingindo, aí, 100 milhões de não consumidores. Horror econômico neoliberal. Os argentinos, diante da diplomacia enlouquecida do Itamarati, comandado por religiosos fundamentalistas, optarão pelos chineses, cujos carros são muito mais baratos. Além disso, a China tem cacife para importar toda produção do agronegócio argentino, garantindo-lhe reservas cambiais. Afinal, Pequim tem 4 trilhões de dólares em reservas em caixa, para enfrentar guerra comercial com americanos. Assim, argentinos, socorrendo-se com Jiping, que briga com Trump, fugiriam do sufoco em que estão metidos com os 57 bilhões emprestados pelo FMI para Macri, sob condições de seguir política ultraneoliberal, que o derrotou nas urnas. Bolsonaro está tentando achar chifre na cabeça de cavalo.

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