Diplomacia do porrete isola o Brasil no G-20

O jornalista Alex Solnik afirma que "a imagem de Bolsonaro que me vem à cabeça, ao ler e assistir ao que se passa no Japão, no G-20, é a de um homem das cavernas, vestindo pele de animal selvagem e um porrete na mão"

(Foto: Clauber Cleber Caetano/PR)

Por Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia - A imagem de Bolsonaro que me vem à cabeça, ao ler e assistir ao que se passa no Japão, no G-20, é a de um homem das cavernas, vestindo pele de animal selvagem e um porrete na mão.

Somente um grande déficit de inteligência e de sensibilidade explicam suas palavras e seus modos na cúpula com os 20 principais líderes do mundo.

 Na situação pré-falimentar vivida pelo Brasil seria de esperar que o chefe de estado fosse à reunião disposto a mostrar oportunidades de investimento no Brasil, estabelecer laços mais profundos com as grandes potências, entabular negociações de alto nível.

Em vez disso, Bolsonaro deu um show de truculência e ignorância.

O general Heleno, cada vez mais parecido com Bolsonaro no quesito “boquirrotice”, apelou para a ignorância ao responder às críticas da França e da Alemanha à política ambientalista brasileira: “Vão procurar sua turma”! Uma declaração agressiva e desnecessária, uma declaração agressiva e desnecessária, pois ele não tem nada a ver com o peixe. Afinal, seu papel é cuidar da segurança do presidente, no que falhou ao permitir o escândalo do Aerococa e não discutir aspectos do clima e do desmatamento da Amazônia.

O presidente avisou, tentando cantar de galo, que não admitiria ter a orelha puxada por Angela Merkel, ignorando que uns países dependem dos outros e que na correlação de forças o Brasil perde de longe, em qualquer quesito, econômico, bélico ou social da Alemanha ou da França.

Bolsonaro quer ser de fato o Trump dos Trópicos, mas sem o seu cacife de principal potência mundial.

Não se trata, porém, de medir forças. O bom senso recomendava que Bolsonaro, em sua estreia internacional, atraísse simpatias em relação ao nosso país, trouxesse bons negócios na bagagem, mas só conseguiu atrair repúdio.

Em vez de sair da reunião do G-20 fortalecido, fechando acordos com perspectiva de futuro, mostrando um país dinâmico, moderno, disposto a participar dos esforços do mundo civilizado contra a barbárie, Bolsonaro ridicularizou o Brasil, com sua absurda live em que apresenta uma “bijuteria de nióbio” que comprou no Japão e que usou como exemplo de que estava com a razão ao afirmar, durante a campanha presidencial a importância do minério.

E que também serviria para confeccionar brincos “para meninas”, como fez questão de sublinhar, expondo sem vergonha, mais uma vez, seu preconceito a sua homofobia. 

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