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Esmael Morais

Jornalista e blogueiro paranaense, Esmael Morais é responsável pelo Blog do Esmael, um dos sites políticos mais acessados do seu estado

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Direita racha antes da Quaest sobre Flávio Bolsonaro

"Nos bastidores, a rachadura já aparece na logística política"

Flávio Bolsonaro e Sergio Moro (Foto: Roque de Sá/Agência Senado | Marcelo Camargo/Agência Brasil / IA / Brasil 247)
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A direita bolsonarista chega à véspera da pesquisa Genial/Quaest BR-07661/2026, marcada para divulgação em 10 de junho, dividida entre salvar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e reduzir o prejuízo eleitoral de 2026.

O levantamento virou senha para o próximo movimento do PL. Registrada para presidente, a pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre 5 e 8 de junho, com entrevistas presenciais, margem de erro de 2 pontos e custo declarado de R$ 433.255,92, bancado pelo Banco Genial.

O questionário mostra o tamanho do problema. A Quaest testa Flávio Bolsonaro contra o presidente Lula (PT), mede rejeição, pergunta sobre medo da volta da família Bolsonaro ao poder e inclui uma questão direta: se Jair Bolsonaro deveria escolher outro candidato ou manter o filho na disputa.

A pergunta sobre substituição não é detalhe ornamental de pesquisa. Ela mede se a candidatura de Flávio Bolsonaro virou ativo eleitoral ou passivo para a própria direita.

Nos bastidores, a rachadura já aparece na logística política. O núcleo bolsonarista que atua no Brasil evita dividir a mesma videoconferência com a ala que opera a partir dos Estados Unidos, colada ao presidente americano Donald Trump.

A turma de Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo, Allan dos Santos, Alexandre Ramagem e outros nomes próximos ao bolsonarismo internacional passou a ser vista por setores da direita nacional como parte do problema. A acusação interna é simples: a aposta em Trump, sanções, tarifaço e confronto externo ajudou a empurrar o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro para uma zona de risco.

A ala que se apresenta como "verde-amarela" por permanecer no Brasil faz uma leitura mais dura. Para esse grupo, Flávio Bolsonaro pode perder a eleição, enfrentar risco de prisão e arrastar Jair Bolsonaro para um isolamento ainda maior na prisão, onde o ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses pela tentativa de golpe de Estado.

Não há decisão judicial nova que confirme esse roteiro contra Flávio Bolsonaro. O dado político é outro: parte da própria direita já trata o candidato do PL como problema, não como solução.

A avaliação que circula nesse núcleo é que o PT agiu com frieza ao esperar o fechamento da janela partidária, em abril, para explorar politicamente os áudios de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A acusação de vazamento ao PT não está provada. O efeito, porém, foi concreto: depois da janela, a solução com Tarcísio de Freitas (Republicanos) já não é mais possível.

As reportagens do Intercept Brasil afirmaram que Vorcaro teria acertado R$ 134 milhões para a cinebiografia de Jair Bolsonaro, com ao menos R$ 61 milhões liberados. Flávio Bolsonaro negou relação inicial, depois admitiu contato e disse que o encontro serviu para encerrar a participação do banqueiro no projeto.

O PL, diante disso, tende a fazer política de contenção de danos. A lógica discutida por dirigentes e aliados é redimensionar 2026: menos fantasia de vitória presidencial imediata, mais energia em bancadas na Câmara e no Senado. O partido sabe que tempo de TV, fundo eleitoral, governabilidade e blindagem política dependem de bancada forte.

A disputa presidencial, porém, não desaparece. Quando o nome de Flávio Bolsonaro perde tração, aparecem especulações de plano B. A Quaest testa Michelle Bolsonaro, Rogério Marinho, Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado como substitutos em caso de troca no comando bolsonarista.

O senador Sergio Moro (PL-PR) não aparece nessa lista da Quaest, mas já levantou a mão pelo lado paranaense. O ex-juiz da Lava Jato é pré-candidato ao Palácio Iguaçu, lidera levantamentos estaduais e, no chamado "DataMoro", viu seu nome ser ensaiado contra Lula em cenário presidencial.

Moro opera em faixa própria. No Paraná, tenta manter a dianteira para governador. No plano nacional, observa a crise de Flávio Bolsonaro como oportunidade. O cálculo é conhecido: se o bolsonarismo concluir que o filho zero um não fecha a conta contra Lula, alguém tentará vender ao PL uma candidatura com menor desgaste familiar.

No entanto, o problema de Moro é sua associação à figura do escorpião. O ex-juiz da Lava Jato é visto com muita desconfiança no bolsonarismo e no mundo da política.

A Quaest também testa a economia emocional da eleição. Pergunta se o eleitor tem mais medo da volta da família Bolsonaro ou de mais um governo Lula. Mede se Lula é visto como mais moderado que o PT e se Flávio Bolsonaro é considerado mais moderado que sua família. A formulação mostra que a disputa de 2026 não está limitada a voto espontâneo e intenção de primeiro turno. Ela procura medir rejeição, medo, fadiga e viabilidade de substituição.

A direita aguarda a pesquisa porque precisa de número para brigar menos no escuro. Se Flávio Bolsonaro aparecer competitivo, o PL ganha argumento para manter a candidatura e empurrar o caso Vorcaro para a defesa jurídica. Além disso, fortalece o núcleo americano do bolsonarismo. Se vier fraco, a pressão pelo plano B deixa de ser fofoca de corredor e vira pauta de sobrevivência eleitoral. Ato contínuo, dá musculatura ao núcleo verde-amarelo do bolsonarismo.

O resultado da Quaest não escolhe candidato pelo PL, mas pode autorizar a guerra interna. A direita chega à pesquisa com dois núcleos, duas culpas e uma pergunta que ninguém quer responder em público: Flávio Bolsonaro ainda é herdeiro eleitoral ou já virou custo para 2026?

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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