Distopia Real versus Esperança – A Nova Ditadura Brasileira

(Foto: ADRIANO MACHADO - REUTERS)

Não sei se serão, mais uma vez, duas décadas de tenebrosas transações, autoritarismos vários e ódio alastrado pelos poros da sociedade brasileira. O fato é que já se vive um princípio de ditadura no Brasil, em moldes um pouco diferentes daquele début de outrora. Mas sim, ela está em voga, renasceu com roupagem jurídico-midiática, cresce e vai se consolidando em ritmo acelerado. 

Talvez este regime neofacista brasileiro atinja um patamar de defasagem ainda mais elevado que o do golpe militar de 64, uma vez que a internet uniu odientos e idiotas, não existe mais, nem de longe, a defesa da soberania nacional e a economia mingua a passos largos, com implicações nos altos índices de desemprego e, por conseguinte, no desalento que paira na sociedade brasileira.

Em apenas seis meses, o poder destrutivo do governo miliciano prenuncia a catástrofe do porvir. Bolsonaro, funcionário de Trump, não cairá. Os Estados Unidos, que tomam de assalto o petróleo – destruindo, inclusive, a Petrobras -, a Embraer e a base de Alcântara, não deixarão um empregado tão dedicado ser demitido. Nesse sentido, mesmo Moro estando afundado na lama que é a máfia lava-jatista, por ser trombadinha da elite do atraso (parafraseando Jessé) e empregado exemplar dos anseios bolsonaristas, certamente também não cairá. 

Assim, malgrado a Vaza-jato, reportagem mais importante das últimas décadas deste conturbado país chamado Brasil, vê-se que a conjuntura pende para mais autoritarismo, mentiras, manipulações e distorções da realidade. A distopia é vigente, palpável e assusta. Não existe mais Estado de Direito (antes poderíamos falar, pelo menos, de certos lampejos deste instituto). Vigoram, em contrapartida, a manutenção de privilégios e de jogatas por parte dos setores mais promíscuos das instituições – desmoralizadas – brasileiras. O direito, enfim, está morto; tornou-se, na prática, uma série de ações, maquiadas de embasamento jurídico, visando ao projeto elitista de poder. Desculpas antecipadas a tais obviedades, alguns de seus operadores, em conluio com certos terroristas políticos, podem ser nomeados: Fux, Fachin, Moro, Dallagnol, Bretas, Gebran, Dodge, Carmen Lúcia etc.  Frustração ímpar, pois, é constatar, apesar das provas robustas do Intercept, esse descalabro que assola a vida brasileira e perceber que uma virada da conjuntura política não acontece. Pior: vai se distanciando, por exemplo, com a aprovação da reforma da previdência e a nomeação de Eduardo Bolsonaro para embaixador nos EUA – make nepotismo great again. São derrotas dolorosas e diárias. Fadigam o corpo e mente dos que lutam pelo Brasil livre das amarras retrógadas. Teimo a dizer que ainda há, por incrível que pareça, a bendita esperança. Ela não está, evidentemente, em um hipotético voto, no vindouro mês de agosto, a favor da libertação de Lula no STF. Esqueçamos esta corte cooptada pelo bolsonarismo. Muito menos está na possibilidade longínqua de renúncia do agente americano da República de Curitiba. Não está numa autocrítica da mídia hegemônica, um dos vetores mais importantes da destruição do Estado brasileiro. A esperança, trazendo mais uma obviedade à tona, está no povo brasileiro, na sua capacidade de mobilização contra esse processo que pode não ter mais volta a curto ou médio prazo. As pessoas precisam se reunir, juntar-se num mar de serenidade que vise um projeto de país agregador de suas diversidades, protagonista da geopolítica mundial. Só o povo fará renascer a bela experiência social que estávamos iniciando na era Lula. Só o povo, manifestando sem cessar nas ruas, nas campanhas e cidades, resgatará o verdadeiro Brasil. Este com o qual nos deparamos atônitos é uma distopia, mesmo que real.

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