Distritão será bom para bancada da bala, do boi e da bíblia

Com o distritão "vai perder a importância os partidos que já têm dificuldades com ao atual formato. Esse modelo reforça o voto nas pessoas, não nos partidos. Rede, PSOL, partidos ideológicos, vão sucumbir. Quando o centrão propõe isso, no Congresso, já sabem que será melhor para eles, para quem tem mandato, quem é mais conhecido e tem poder econômico"

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congresso (Foto: Voney Malta)

Autor de um levantamento sobre deputados estaduais, federais e vereadores alagoanos (Maceió) que se elegeriam ou não nas eleições de 2012, 2014 e 2016, o professor Marcelo de Melo Bastos analisa que o distritão não vai fazer grande diferença.

Para ele, é uma troca seis por meia dúzia porque o perfil daqueles que se elegeram e dos que nãos e elegeram é o mesmo. "Vai prevalecer o poder econômico. Pedro Vilela (PSDB), por exemplo, nunca foi político, mas foi muito bem votado por causa da estrutura do governo do seu tio, Teotonio Vilela, e por suas condições financeiras. Teve mais de 100 mil votos".

O professor diz, ainda, que com o distritão "vai perder a importância os partidos que já têm dificuldades com ao atual formato. Esse modelo reforça o voto nas pessoas, não nos partidos. Rede, PSOL, partidos ideológicos, vão sucumbir. Quando o centrão propõe isso, no Congresso, já sabem que será melhor para eles, para quem tem mandato, quem é mais conhecido e tem poder econômico. A reforma teria que ser séria e profunda. Essa não dá chances às minorias".

Tem razão em sua avaliação o professor Marcelo de Melo Bastos. Integrante na Câmara dos Deputados da turma 'BBB' – bancada da bala, do boi e da bíblia – o distritão já é visto como fundamental para expansão dos evangélicos.

Em 1994 os evangélicos tinham 21 deputados federais. Atualmente o número quadruplicou, passando para 85. Sem o distritão a meta era, para 2018, aumento de 10% no número de cadeiras na Câmara. Com o distritão, essa previsão cresce, podendo superar os 20%.

Com o fim da eleição no sistema proporcional e suas coligações, os evangélicos teriam uma boa vantagem. Eles são conhecidos, têm celebridades, caso de cantores gospel e apresentadores de programas religiosos na televisão – os televangelsitas -, além de vários pastores capazes de influenciar o voto dos seus liderados.

Hidekazu Takayama (PSC-PR), líder da bancada, admitiu na Folha que "A maior parcela [dos deputados evangélicos] prefere o distritão". Em abril, ele foi orar com o presidente Michel Temer no Planalto. Nesse encontro aproveitou para reforçar que é contra o debate da ideologia de gênero nas escolas, o aborto, a legalização das drogas e a permissão para que o aluno transgênero use o banheiro que preferir, feminino ou masculino.

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