Ditadura da toga mostra poder com algemas e corrente

"Tudo leva a crer que eles sonham em fazer o mesmo com Lula, o que lhes proporcionaria orgasmos múltiplos. Embora o TRF-4 tenha divulgado nota informando que o ex-presidente não será preso, o que já revela a disposição de confirmar a sua condenação no julgamento de 24, é evidente que eles só não cometerão essa loucura porque sabem que haverá reação do povo", diz o colunista Ribamar Fonseca

Sergio cabral
Sergio cabral (Foto: Ribamar Fonseca)

A ditadura da toga, que se consolidou no Brasil com a cumplicidade da mídia – a mesma que apoia todos os golpes – a cada dia deixa mais visível o estado de exceção em que mergulhou o país. Além da escandalosa perseguição ao ex-presidente Lula, condenada até por deputados norte-americanos, o Judiciário decidiu também adotar métodos medievais para conduzir e humilhar os seus presos: por decisão do juiz Sergio Moro, sempre ele, o ex-governador Sergio Cabral, já condenado praticamente à prisão perpétua, foi transferido do Rio para a Guatânamo de Curitiba e levado ao IML, para exame de corpo de delito, algemado e acorrentado nos pés, como se fosse um
escravo ou um bandido de alta periculosidade. Pra quê? Qual o perigo que ele poderia representar para a segurança da sociedade?

A algema e a corrente, não há dúvida, tiveram o objetivo de humilhá-lo e confirmar o poder da toga. Aparentemente, para o Ministério Público e para o juiz Moro não basta a sua prisão. Se no Brasil houvesse pena de morte ele certamente já teria sido executado, para satisfação de alguns procuradores e magistrados. Alguém ainda tem dúvidas de que o país já vive sob o estado de exceção?

Tudo leva a crer que eles sonham em fazer o mesmo com Lula, o que lhes proporcionaria orgasmos múltiplos. Embora o TRF-4 tenha divulgado nota informando que o ex-presidente não será preso, o que já revela a disposição de confirmar a sua condenação no julgamento de 24, é evidente que eles só não cometerão essa loucura porque sabem que haverá reação do povo. Na verdade, até o final de semana não se detectou nenhum sinal de que o julgamento seja suspenso, como muitos imaginaram, diante da penhora do tríplex que demoliu a sentença de Moro, prolatada sobre bases falsas.

Isso significa que aquele tribunal pretende dar prosseguimento à farsa, indiferente às possíveis consequências desastrosas da confirmação da condenação. Nenhum sinal também foi emitido pelo Supremo Tribunal Federal, cuja presidenta, ministra Carmen Lúcia, mais interessada em presídios, vem assistindo de camarote aos abusos explícitos sem um gesto que, pelo menos , sugira uma preocupação em impedir injustiças e recuperar o respeito e a credibilidade da Justiça, hoje recebendo críticas até do exterior.

Independentemente do julgamento, pelo TRF-4, do recurso de Lula contra a sua condenação pelo juiz Moro, ele continua sendo perseguido em outras jurisdições do Judiciário. Em São Paulo, por exemplo, a justiça proibiu manifestações a seu favor na avenida Paulista, enquanto a 10ª. Vara da Justiça Federal de Brasilia manteve para o dia 20 de fevereiro próximo o seu depoimento e de um dos seus filhos no processo da Operação Zelotes. Essa operação foi criada para combater a sonegação de impostos, mas no meio do caminho, além de ignorar os grandes sonegadores que todos conhecem, desviou o seu curso para atingir o ex-presidente operário. Para completar, a revista "Época", da Globo, revela que os seus filhos são o próximo alvo da Lava-Jato este ano.

E o ex-presidente Fernando Henrique, que foi acusado pelo dono do extinto Bamerindus de ficar com R$ 130 milhões de sobra de campanha e sufocou todas as tentativas de instalação de CPIs para investigar o seu governo, ainda tem coragem de dizer que não existe perseguição ao líder petista. Só ele não vê, porque essa vergonhosa e covarde perseguição é percebida até de Washington pelos deputados democratas.

O fato é que o Brasil não pode continuar refém de parte do Judiciário que, em parceria com uma parcela do Ministério Público e a cumplicidade da mídia golpista, passou a governar o país, interferindo no Executivo e no Legislativo. Na verdade, quem manda mesmo é a Lava-Jato que, sob o pretexto de combater a corrupção, conforme planejamento elaborado nos Estados Unidos, vem destruindo a economia nacional e desempregando milhares de trabalhadores, dando cumprimenta à missão que lhe foi destinada pelo Tio Sam.

O processo é comandado pelo juiz Sergio Moro, apontado como agente norte-americano no Brasil, que, na realidade, está empenhado em destruir o PT e o seu líder maior, para isso atropelando a legislação e a própria Constituição. Transformado em celebridade pela Globo por supostamente combater a corrupção, Moro é o mesmo que dobra a coluna para cumprimentar o presidente golpista, acusado de chefe de quadrilha, e mantém sorridentes conversas com o senador Aécio Neves, acusado de receber propinas milionárias. O combate à corrupção é apenas para inglês ver, porque os corruptos, mesmo os confessos, estão em casa, desfrutando do produto do roubo, premiados por suas delações.

O julgamento de Porto Alegre, que está atraindo brasileiros de todos os recantos do país àquela cidade, pode ser o início da mudança desse panorama, em que um punhado de juízes pretende decidir o futuro da Nação. O povo, massacrado de um lado por Temer e pela Lava-Jato de outro, provavelmente não mais aceitará essa situação, em que meia dúzia de togados querem até subtrair-lhe o direito de escolher os seus governantes. O julgamento do recurso de Lula pode ser a gota dágua para a explosão do descontentamento que vem sendo represado há algum tempo.

Seja qual for o resultado, porém, Lula terá multiplicada a força da sua liderança: se for absolvido, que é a decisão justa diante da falta de crime, sua candidatura será praticamente vitoriosa e sem maiores percalços; se for condenado será transformado em mártir e terá ampliado o seu eleitorado, obrigando o povo a sair às ruas com disposição redobrada para garantir a sua eleição. E aí ninguém poderá prever os acontecimentos, porque povo revoltado é como estouro de boiada. O brasileiro é um povo ordeiro, mas, afinal, toda paciência tem limites.

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