Do tronco de Eduardo Cunha não pode vir galho que preste

Como de um tronco tão podre quanto o de Eduardo Cunha pode sair galhos saudáveis, se é indiscutível a influência que ele exerce sobre a família e sobre a filha? Grandes bandidos da política do Rio estão usando seus filhos mais jovens para conquistar mandatos políticos

Do tronco de Eduardo Cunha não pode vir galho que preste
Do tronco de Eduardo Cunha não pode vir galho que preste (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Há um fetiche em circulação nas atuais eleições pelo qual a juventude do candidato é apresentada como valor político absoluto. Embora, desde Jesus de Nazaré, saibamos que pecado não passa de pai para filho, o fato é que os jovens não raro trazem dos pais a marca de Caim. Como de um tronco tão podre quanto o de Eduardo Cunha pode sair galhos saudáveis, se é indiscutível a influência que ele exerce sobre a família e sobre a filha?

Grandes bandidos da política do Rio estão usando seus filhos mais jovens para conquistar mandatos políticos. Acaso alguém poderia supor que, por trás dessas candidaturas, haja genuíno espírito público? E numa época de reconhecida escassez de recursos, de onde vem o dinheiro para a campanha milionária dos filhos? Fica evidente, logo à primeira vista, que estamos num caso explícito de corrupção da juventude.

Não é raro que as candidaturas de filhos venham associadas com candidaturas evangélicas. É o caso, mais uma vez, de Eduardo Cunha. Contudo a prática é antiga e associada ao coronelismo nordestino. Está sendo apenas copiada e atualizada. Contudo, prefiro os velhos clãs como os de Sarney e de Antônio Carlos Magalhães ao clã abertamente corrupto de Cunha que chefia desde a cadeia a ascensão política da filha.

Entretanto não sei como impedir esse processo fraudulento da vontade do povo sem ferir a democracia. Aliás, os grandes demagogos são os primeiros a usar as brechas da democracia para violá-la. A única solução é a denúncia. Mas a denúncia em termos limitados, como os da internet, não tem o impacto necessário para abortar o nepotismo. E a grande imprensa, em geral cúmplice dos bandidos políticos, não aborda o assunto.

Fica a advertência, portanto. Em lugar de olhar a idade – pois há também jovens bem intencionados entrando na política -, olhe o prontuário do pai ou da mãe. Uma grande safra de jovens idealistas na política seria benvinda no Brasil para limpar as cavalariças do rei. Quanto aos oportunistas e vigaristas, pais e filhos, vamos apontá-los à opinião pública pelo crime de demagogia. É que nada de bom pode vir de um Eduardo Cunha ou de um Roberto Jefferson.

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