Dois meses de um governo fadado ao fracasso

O governo Bolsonaro está completando apenas dois meses, mas já dá claros sinais de desgaste. O primeiro bimestre foi marcado por um despreparo flagrante do capitão em ocupar o cargo mais alto da República, denúncias de corrupção em seu partido e derrotas acachapantes no Congresso

O governo Bolsonaro está completando apenas dois meses, mas já dá claros sinais de desgaste. O primeiro bimestre foi marcado por um despreparo flagrante do capitão em ocupar o cargo mais alto da República, denúncias de corrupção em seu partido e derrotas acachapantes no Congresso. O resultado é uma baixíssima aprovação do governo (38.9%, segundo pesquisa do MDA/CNT) e uma sensação de abandono e desgoverno, mesmo para quem apoiou sua candidatura em 2018. Sob os olhares atentos de seu vice, ávido por poder, a nau do capitão dá claros sinais de que pode naufragar precocemente. E o país precisa se preparar para isso.

A insegurança de um governo inapto é flagrante. Bolsonaro e sua equipe cedem frequentemente a pressões, mudam o curso de suas estratégias e não demonstram pulso para conduzirem o país. Sérgio Moro, o "superministro" da Justiça aceitou, após sofrer pressão, fatiar seu polêmico pacote anticrime. Mais recentemente revogou a nomeação da super capacitada Ilona Szabó para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. A nomeação que daria mais legitimidade à pasta, por ser exclusivamente técnica, foi desfeita por insatisfação de apoiadores de Bolsonaro, pelo único motivo de ela ser contra a política de armamento da população. O próprio presidente revogou o decreto sobre sigilo de dados, por medo de sofrer uma derrota no Senado, a exemplo do que aconteceu na Câmara. O governo já havia voltado atrás outras vezes, como na polêmica fusão dos ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura.

Outros casos de insegurança e despreparo, envolvendo o primeiro escalão beiraram o bizarro. O mais recente exemplo foi a desistência do ministro da educação em pedir para filmar estudantes cantando o Hino. "Foi um erro" reconheceu Ricardo Velez. A ministra das Mulheres, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, já havia voltado atrás de uma polêmica declaração de que meninos deveriam usar azul e meninas rosa. "Meninos e meninas podem vestir azul, rosa, colorido, enfim, da forma que se sentirem melhores", declarou ao UOL em entrevista.

Mas o mandato de Bolsonaro não é apenas o mandato do "volta atrás" e do despreparo. Em apenas dois meses sobram indícios de corrupção. A crise gerada pelos "laranjas" do PSL parecem se agravar a cada dia. Um assessor de Flávio Bolsonaro declarou ao Ministério Público que transferia dois terços do salário a Queiróz todos os meses. O próprio Queiroz confessou práticas ilícitas no gerenciamento dos recursos de Flávio na Alerj. Nesse ínterim ainda houve o escândalo das candidatas laranjas do partido do Presidente que precisa ser esclarecido, a polêmica com Bebianno e desentendimentos envolvendo a prole do presidente. São muitos casos obscuros para quem prometia ser o expoente de uma nova política.

O balanço do primeiro bimestre do governo Bolsonaro não poderia ser pior. Foram dois meses de ineficiência, corrupção, despreparo e desentendimentos internos. Desse jeito fica difícil imaginar que Bolsonaro resista no poder nos próximos 46 meses. Já há quem diga que seu vice, o general Mourão, é um sério pretendente a usar em breve a faixa presidencial. De toda forma, podemos esperar mudanças no comando da República. Está claro que o governo do capitão está fadado ao fracasso.

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