Doria e os conchavos da velha política

O governador de São Paulo tomou posse falando em "nova política", mas nomeou um grupo que não traz nenhuma novidade. Pelo contrário, o Palácio dos Bandeirantes agora é governado por agentes conhecidos pelos velhos conchavos

Doria e os conchavos da velha política
Doria e os conchavos da velha política (Foto: Wilson Dias - ABR)

O governador de São Paulo tomou posse falando em "nova política", mas nomeou um grupo que não traz nenhuma novidade. Pelo contrário, o Palácio dos Bandeirantes agora é governado por agentes conhecidos pelos velhos conchavos.

Eleito com a promessa de ser um "gestor", Doria teve uma curta passagem pela Prefeitura que logo ficou marcada por práticas retrógradas e ainda terminou seu primeiro ano de governo como o pior prefeito dos últimos 20 anos, como apontou em janeiro de 2018 pesquisa Ibope/Rede Nossa São Paulo.

Doria tomou posse falando que o Estado não seria mais governado por "partidos e políticos", mas se cercou de assessores que trabalharam na sua ineficaz administração municipal. Além disso, ele considerou indicações partidárias para a diretoria de estatais e até montou uma filial do governo golpista de Michel Temer, com 10 ex-integrantes passando a atuar sobre seu comando.

Ou seja, esse será um governo da "Velha Política". Com esse grupo, Doria sinaliza que vai apostar na agenda neoliberal, de desestatização, de cortes de direitos trabalhistas, de austeridade, de congelamento nos investimentos sociais, de repressão e de desrespeito aos direitos humanos. Um exemplo desse desmonte já acontece na área na educação. As aulas logo vão começar e muitos alunos da rede pública estadual ficarão sem professores e sem material escolar, como já admitiu o próprio governador.

Ao dar pistas que apostará numa agenda de privatizações, ele resgata a fórmula de desmonte do estado feita por FHC na década de 90. Tal medida não é inovadora e só contraria a vontade popular. Pesquisa Datafolha divulgada no último final de semana mostra que 60% dos brasileiros rejeitam a venda de estatais.

O quadro que se desenha para o Estado de São Paulo não é, portanto, dos melhores, mas também não traz novidades. Não esperamos outra coisa de quem se aliou ao governo antidemocrático de Bolsonaro e trouxe um filial de um governo golpista que tirou direitos dos trabalhadores e dos mais pobres. Não é de se duvidar que, no próximo período, Doria invente uma Reforma da Previdência no Estado, entregue patrimônios para empresas e até de que aumente a folia dos pedágios.

São Paulo é um Estado rico e com capacidade de dar melhores condições de vida para a sua população. Precisamos lutar para que o seu patrimônio não seja arrolado a interesses financeiros e que nem se curve ao entreguismo e a velha política do consórcio Bolsonaro-Doria.

A Assembleia Legislativa deve ter compromisso com o povo paulista e precisa se tornar um polo de resistência ao desmonte do Estado.

No parlamento estadual, não vamos aceitar conchavos e lobos vestidos de cordeiros. Com apoio da sociedade civil, vamos continuar nossa luta em defesa da democracia, da liberdade e de mais direitos para o nosso povo.

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