Dupla falácia

Geraldo Alckmin foi, direta ou indiretamente, o maior responsável pelos 24 anos de governos do PSDB em São Paulo. Agora, ele pretende partir para a disputa presidencial ancorado numa mensagem principal: levar para o País o que, segundo ele, seu governo fez bem em São Paulo. É, portanto, oportuno debater as suas políticas

Geraldo Alckmin foi, direta ou indiretamente, o maior responsável pelos 24 anos de governos do PSDB em São Paulo. Agora, ele pretende partir para a disputa presidencial ancorado numa mensagem principal: levar para o País o que, segundo ele, seu governo fez bem em São Paulo. É, portanto, oportuno debater as suas políticas
Geraldo Alckmin foi, direta ou indiretamente, o maior responsável pelos 24 anos de governos do PSDB em São Paulo. Agora, ele pretende partir para a disputa presidencial ancorado numa mensagem principal: levar para o País o que, segundo ele, seu governo fez bem em São Paulo. É, portanto, oportuno debater as suas políticas (Foto: Alencar Santana Braga)

Geraldo Alckmin foi, direta ou indiretamente, o maior responsável pelos 24 anos de governos do PSDB em São Paulo. Agora, ele pretende partir para a disputa presidencial ancorado numa mensagem principal: levar para o País o que, segundo ele, seu governo fez bem em São Paulo. É, portanto, oportuno debater as suas políticas.

Um dos argumentos de Alckmin é que ele deu ao Estado a mais eficiente política de segurança pública do País. A prova seria a taxa de 20 homicídios por 100 mil habitantes, a menor entre os estados brasileiros. É uma meia verdade. Sem contar que, comparada ao mundo, é uma taxa da qual ele deveria se envergonhar e não se orgulhar.

O número de civis mortos por policiais atingiu o recorde de 939 casos em 2017, ante 480 em 2011. Os roubos de cargas subiram 287% entre 2002 e 2017, de 3.686 para 10.584 ocorrências. A população carcerária de São Paulo é a maior do Brasil, com 250 mil presos. Delegacias, sobretudo no Interior, fecham as portas e não é por menos que há lá uma epidemia de crimes: acima de 396 mil casos, mais do que o dobro dos 170 mil casos registrados nos 39 municípios da Grande São Paulo.

É especialmente difícil a situação dos jovens. Além de conviverem com a obscena taxa de 39% dos desempregados da Grande São Paulo, os jovens das periferias das maiores cidades, negros sobretudo, formam grande parte da população carcerária e têm seus direitos civis sistematicamente violados. O estupro de mulheres e a violência contra LGBTs tampouco são combatidos de forma adequada pelo governo paulista.

A segurança pública se dissolve sob Alckmin, enquanto a segurança privada vai de vento em popa. O faturamento das empresas nesta área subiu de R$ 7 bilhões, em 2002, para R$ 50 bilhões, em 2015. Privatizar o Estado, conceder à iniciativa privada a operação de metrôs, estradas, hospitais, entre outros, e abrir mão de políticas públicas eficientes é um padrão recorrente na trajetória do governador Geraldo Alckmin.

Em nosso ponto de vista, esta é a gênese da desigualdade social. A desigualdade não é um raio em céu azul. E ela é bem mais do que um fato sociológico e econômico. É a consequência de opções políticas concretas dos governantes. Vejamos.

O insucesso de Alckmin em educação é gritante. Ele usa números do IDEB para dizer que São Paulo tem a melhor nota do País, mas os resultados dos testes estaduais mostram um quadro calamitoso, principalmente no ensino médio. O desempenho dos alunos em português e matemática, no SARESP de 2015, foi pior do que há 20 anos.

Na saúde, como o governo não se dedica à prevenção, o Estado vive o choque do ressurgimento da febre amarela, da leishmaniose e o avanço das demais endemias.

Em saneamento básico, é como se o Estado mais rico da nação ainda vivesse no século XIX. A Sabesp ostenta grandes lucros nas Bolsas de Valores de São Paulo e Nova York, mas ainda joga, criminosamente, 40% do esgoto in natura da Capital nos riachos, represas e afluentes do Tietê, que corre morto, com 0% de oxigênio, por 120 km.

O argumento derradeiro de Alckmin é o de que ele é um gestor eficiente, que se manteve fiscalmente responsável e por isso não deixou de pagar os salários dos servidores, como outros governadores. O fato, porém, é que São Paulo tem a sexta pior nota (C -) atribuída pela Secretaria do Tesouro Nacional. E só se manteve dentro dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal depois de acertar com Michel Temer, no pós-impeachment, uma terceira renegociação da dívida estadual.

De fato, Alckmin deixa São Paulo em situação financeira bastante precária. Mesmo se pagou salários e pensionistas em dia, professores, policiais e servidores em geral sabem a que custo e com que arrocho salarial. Com a ineficiência de suas políticas, Alckmin jamais enfrentou a grande desigualdade social no Estado. Deu preferência aos ricos e não aos que mais necessitam. E agora, abraçado à agenda de Michel Temer, quer levar seu modelo excludente ao País. Também quer empurrar o megalomaníaco prefeito de São Paulo, João Doria Junior, para o governo do Estado. É falácia em dose dupla.

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