E a tormenta se agiganta

A irresponsabilidade fiscal de Temer e camarilha pipocou o maior rombo orçamentário da história brasileira; em dois anos a aventura golpista nos terá deixado um boleto negativo de trezentos bilhões de reais. Antigamente, se dizia "meta fiscal"; Temer extraiu o conteúdo normativo desta categoria e seu governo em vão, tenta [apenas tenta!] administrar o caos e que propositadamente criou

Brasília - Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente Michel Temer durante anuncio do pacote de medidas econômicas (Beto Barata/PR)
Brasília - Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente Michel Temer durante anuncio do pacote de medidas econômicas (Beto Barata/PR) (Foto: Ângelo Cavalcante)

A economia brasileira segue se perdendo! O país sem governo vaga arriscadamente ao sabor do caótico vento dos mercados. Nesse contexto é absolutamente impossível identificar rumos e tendências das amplas ondas desta tormenta global.

É como estar em uma embarcação! Para evitar naufrágio é preciso de bússola, de rumos, de horizonte; é importante saber ler os céus e as estrelas; é imperativo perceber o fulgor dos ventos, da sua velocidade; do clima e das suas alterações ao longo do dia; é necessário identificar o momento certo para avançar, reduzir o curso ou recuar no trajeto; sem equipamentos a tripulação não supera as revoltosas marítimas.

E é preciso de muita sabedoria e cautela para superar o desafio. A graciosa poesia de Paulinho da Viola nos ensina: "faça como o velho marinheiro que durante o nevoeiro leva o barco devagar". O "devagar" do poeta não é para parar, mas é seguir com cuidado, atenção e rumo.

Os sinais do tormentoso drama brasileiro seguem sumários e ameaçadores! Dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e da Confederação Nacional de Dirigentes Logistas (CNDL) apontam 59,4 milhões de inadimplentes no país, isso quer dizer que são quase 60 milhões de CPF's negativados e sem acesso a qualquer crédito.

Economia de mercado com essa parcela de gente sem crédito? Como assim? Sem intercâmbios perenes? Sem consumo, financiamentos e dinâmicas sócio-produtivas estabelecidas, resguardadas e garantindo vida econômica para o país? Não entendi!

Pois bem... A irresponsabilidade fiscal de Temer e camarilha pipocou o maior rombo orçamentário da história brasileira; em dois anos a aventura golpista nos terá deixado um boleto negativo de trezentos bilhões de reais. Antigamente, se dizia "meta fiscal"; Temer extraiu o conteúdo normativo desta categoria e seu governo em vão, tenta [apenas tenta!] administrar o caos e que propositadamente criou.

Vivemos um dramático tempo de incertezas onde os próprios representantes do capital já perderam a cerimônia e não se cansam de fazer suas denúncias. O banqueiro Luiz Cezar Fernandes (PACTUAL), por exemplo, acaba de anunciar o irremediável calote da dívida interna brasileira e o evidente confisco de aplicações financeiras no país.

Diz o financista: "Um default [ausência de liquidez] nessa dívida interna implicará na falência do sistema, atingindo de grandes bancos a pessoas físicas. Para evitarem uma corrida bancária, as grandes instituições bancárias terão, obrigatoriamente, que impedir seus clientes de efetuarem os saques de suas poupanças à vista ou a prazo".

O que se verifica com relativa facilidade é a constituição de um quadro macroeconômico inadministrável no curto/médio prazo; a fragilidade e vulnerabilidade da economia brasileira atingiu seu nível de maior dramaticidade de modo que as políticas estatais e de governo já se mostram abertamente ineficazes e insuficientes.

Encerro com a maravilhosa canção "Flor da pele" do cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro no preciso fragmento em que canta: "Um barco sem porto, sem rumo, sem vela". Isso... O poeta, por fim, nos descreve.

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