E agora Brasil?

No Brasil os 'representantes do povo' fazem excelente representação de que nos representam, representando, pois (este 'pois' é logicamente importante), os interesses dos casagrandenses: interesses há quinhentos e tantos anos explícita e violentamente contrários aos da 'ralé'

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A elite branca brasileira não pode recuar do ato golpista que entronizou Michê e seus quadrilheiros na Presidência da República.

Evidentemente, Moro é um patético marionete no jogo de cartas marcadas cognominado Operação Lava Jato e em breve terá cumprido sua função nos limites da República de Curitiba, qual seja, fazer de conta que o 'combate à corrupção' era pra valer.

Portanto, nada a esperar do juizeco caipira sob os dedos do sinistro GM – chefe supremo do Superior Tribunal de Falsários (STF) e comandante da logística supostamente jurídica que busca organizar e agenciar os passos dos golpistas –.

Ato contínuo, nada a esperar também do corpus político tradicional – Lula e PT aí incluídos –, na medida em que (certamente os leitores já terão notado) tal corja encontra-se no momento em franca atividade 'pacificadora dos senzaleses', vale dizer, Lula e FHC (mais representantes da FEBRABAN, FIESP, UR, CIA e PIG) tramam à meia-noite o modus operandi no e pelo qual teremos 2020 ao invés de 2018...

De modo menos elíptico, digamos que a Casa-Grande – infelizmente, já agora com o beneplácito de Lula e PT (apesar das aparências em contrário) – não tem outra saída a não ser a entrada que ela mesma impôs ao País e à Nação, qual seja, continuar enfiando goela abaixo da Senzala o Golpeachment (Golpe de Estado travestido de Impeachment Constitucional), gerenciando-o, todavia, de sorte que sua legitimação obtenha o tempo necessário para naturalizar-se junto à 'negrada', concluindo-se assim as ditas reformas (em realidade, golpe patronal) e apresentando-nos em 2020 à tão sonhada Ordem Pró Exxon..., quer dizer, aos sofregamente aguardados Ordem e Progresso (sic).

Noutros termos, o conglomerado político sob o codinome 'Lula/FHC' apagará 2018 de nosso calendário eleitoral, empuxando-nos de bolsos vazios e mãos abanando para 2020, já devidamente subsumidos às 'reformas' e suficientemente convencidos – claro, pelo vandalismo do PIG (Globo à frente) – de que afinal Michê e seus quadrilheiros foram um 'mal necessário', ou seja, úteis em última instância para que o Brazil..., quer dizer, o Brasil reconquistasse a 'confiança do mercado' e desse solerte continuidade 'ao pleno-emprego, à liberdade, à democracia, à paz' (sic).

Neste contexto..., ou melhor (ou pior), neste concerto, desconfio – infelizmente, minhas desconfianças são severas – de que Lula será reconduzido à Presidência da República em 2020 e que no parlatório comemorativo de sua posse veremos Michê transmitindo-lhe emocionado a faixa-presidencial, não sem antes termos observado ao redor deles a comovida porém sorridente presença de Moro abraçado a GM, de FHC enlaçado aos Marinho e de joviais representantes da FEBRABAN enodados a não menos joviais representantes da FIESP, UR, CIA e MBL...

Tal parlatório testemunhará que a conciliação de classes proposta por Lula e PT finalmente conseguiu 'superar nossa bárbara herança colonial' – materializada no horripilante constructo freyriano Casa-Grande e Senzala –, assentando-nos 'na modernidade, confiantes no presente e de braços abertos para o futuro' (sic).

Exagero, licença poética de minha parte?

Antes fosse!

Em realidade – surreal-realidade, mas assim é o Brasil –, a elite branca brasileira já está em 2020, aceitando de bom grado o retorno dos que não foram: devidamente acomodados por ela e nela, Lula e PT serão reentronizados na Presidência da República sob calorosos aplausos daqueles mesmos que os expulsaram de lá a pontapés...

Sim, inocentes, vocês não sabem de nada!

No Brasil os 'representantes do povo' fazem excelente representação de que nos representam, representando, pois (este 'pois' é logicamente importante), os interesses dos casagrandenses: interesses há quinhentos e tantos anos explícita e violentamente contrários aos da 'ralé'.

Como então nós, senzaleses (os sem-tudo nesse e desse país), podemos obstaculizar a queima de etapa e de arquivo tramada pela elite branca brasileira para se perpetuar no poder?

Ora, saiamos do campo da representação!

Todo e qualquer partido de esquerda no Brasil e alhures joga o jogo de cartas marcadas cognominado pelos marcadores de 'Democracia Representativa' e nesta jogatina o Capital – contemporaneamente, sobretudo o Capital Financeiro (Neoliberalismo, etc) – distribui as cartas...

Logo, no caso brasileiro, às favas PT, PC do B, PCB, PSOL, PSB, etc!

Cerremos fileiras com os Coletivos – por exemplo, MST, MTST, etc – e passemos a ocupar material, objetiva e concretamente os espaços ditos 'propriedade particular', todos ferreamente trancafiados pela elite branca brasileira: terras, indústrias, bancos, escolas, hospitais, condomínios, mídias, etc.

Esse ato instalará de imediato a Democracia Ocupativa: direta, horizontal, assembleística, coletivista, popular.

Ou isto, com a Bastilha em chamas, ou 2020, com Michê e Lula pedindo perdão um ao outro sob as lentes – as brancas lentes – do PIG.

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