E daí?

Não haveria nenhum problema se um ou uma jurista, que fosse escolhido para ocupar o cargo de ministro do STF fosse da fé evangélica, ou romana, ou ortodoxa, ou de matriz africana, ou muçulmano, ou da fé judaica, ou de qualquer expressão religiosa

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Tudo indica que haverá um evangélico no STF.

O moço que era da AGU, depois foi ministro da Justiça, chamou o presidente de profeta… - se bem que há profetas do caos. E depois voltou para a AGU, e, agora, recebeu a notícia de que poderá ser o próximo.

O moço que disse, por ocasião da polêmica sobre a abertura ou não dos templos, por causa da Covid, que os evangélicos estavam dispostos para morrer por sua liberdade de culto, o que, no caso, significava: os evangélicos estavam dispostos a morrer pelo direito de morrer de Covid! Uma vez que o direito de culto nunca esteve ameaçado. Suicídio ou eutanásia? Seja o que for, isso é crime!

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Um evangélico pode ser ministro do STF. E daí?

De fato, não haveria nenhum problema se um ou uma jurista, que fosse escolhido para ocupar o cargo de ministro do STF fosse da fé evangélica, ou romana, ou ortodoxa, ou de matriz africana, ou muçulmano, ou da fé judaica, ou de qualquer expressão religiosa. Aliás, a religião do candidato ou candidata nem deveria ser tido como requisito ou como valor a ser considerado.

Afinal, o Estado Brasileiro é laico!

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E aqui está o problema, o presidente colocou a religião como passível de representação, ao dizer que seria muito bom ter um Ministro do STF "terrivelmente" evangélico.

O presidente disse isso desconsiderando a laicidade do Estado brasileiro e, isso sim, é terrível.

O presidente disse isso lá atrás, mas, não cumpriu, porque antes de satisfazer aos evangélicos viciados pelo amor ao poder, e às benesses da lassidão de um governo corruptível, teve, tudo indica, de agradar o centrão… afinal, nunca um presidente recebeu tantos votos pelo seu impeachment, então, parece, que teve de garantir a retaguarda para não ser jogado para fora do poder.

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Bem, parece que, agora, a promessa será cumprida!

E quando teremos ministros ou ministras de matriz africana, ou kardecistas, ou muçulmanos, ou da fé judaica, ou de qualquer outra expressão religiosa?

Por que essa pergunta não é feita? Por causa do preconceito racial, ou cultural ou religioso?

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Eu sou evangélico, mas, eu não quero isso, não quero ninguém recebendo ou deixando de receber qualquer poder na república por ser da minha religião ou de religião qualquer.

A república é composta por cidadãos e cidadãs que, de acordo com seu direito ou capacitação deve ou não ser escolhido para o exercício de poder, em nome da cidadania: seja por eleição, seja por concurso ou seja por ter a confiança de quem ganhou o direito de escolher assessoria.

Este Presidente, ao fazer tal asseveração, tenta fazer do Brasil uma nação dividida por confissões religiosas, na verdade, uma nação em disputa pelas manifestações do cristianismo, em detrimento de qualquer outra confissão e, mais, reconhecendo-lhes o direito à hegemonia, o que só fomenta o preconceito e a perseguição ao que tem outra fé.

Nós, monoteístas, temos, o tempo todo, de lutar para não transformar a nossa fé em desculpa para a condenação dos que não reconhecem o nosso Deus como único. Nós não precisamos de um Presidente sectário e, muito menos de escolhas pautadas na religião do escolhido.

Uma vez que o Presidente já deu mostras de que seu apreço à religião é, no mínimo, questionável, esse movimento irresponsável e ilegal só pode ter como objetivo transformar os evangélicos, de vez, em curral eleitoral, apoiado por pastores e pastoras que, consumidos por postura autoritária, sonham que a tirania que exercem sobre o povo, que só queria Cristo, seja modo de governo… não é atoa que vivem a namorar os antigos ditadores!

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