É errado e perigoso minimizar ataques à democracia

"Um governo neofacista ligado a milícias, ancorado no fundamentalismo religioso e apoiado por tudo que existe de mais obscurantista e retrógrado na sociedade só pode ser derrotado se for combatido em todas as trincheiras", escreve o jornalista Bepe Damasco sobre o governo de Jair Bolsonaro

(Foto: Reprodução)

Sempre que entram em cena os projetos estratégicos antipopulares e antinacionais do governo Bolsonaro, tais como a reforma da previdência, a privatização das empresas públicas, a entrega do pré-sal como xepa de feira e agora o pacote do ministro Guedes, que empurra o país de vez para o estado mínimo, brota uma discussão interessante na militância da oposição de esquerda.

Não são poucos os militantes que ocupam as redes sociais chamando a atenção de que é preciso foco no essencial e desprezo por tudo o que, na visão deles, não passa de cortina de fumaça para não vermos o rolo compressor passar. No ponto de vista peculiar desses valorosos ativistas,  o nosso radar deve estar voltado apenas para o corte de direitos sociais e para as decisões de política econômica prejudiciais ao povo.

Estou entre aqueles que pensam de forma contrária. Um governo neofacista ligado a milícias, ancorado no fundamentalismo religioso e apoiado por tudo que existe de mais obscurantista e retrógrado na sociedade só pode ser derrotado se for combatido em todas as trincheiras.

Do comportamento à cultura, dos direitos sociais aos direitos civis, passando pela ciência, a economia, as artes, nada deve escapar aos  democratas e progressistas. E usando todas as armas disponíveis : passeatas, greves, comícios, ocupações, marchas, humor, sátira política, voto, caravanas, embates parlamentares e todo tipo de mobilização popular e social.

Para contribuir modestamente com esse debate, aí vão algumas indagações:

Por acaso a defesa da volta do AI-5 feita pelo filho 03 do presidente é menos preocupante do que a emergência fiscal de Guedes? Vale lembrar que AI-5 significa censura, cassação, tortura, prisão, assassinato, banimento, garroteamento das liberdades e garantias constitucionais.

Por acaso deve passar em branco o fato escabroso de um presidente da República surrupiar provas de uma investigação na qual ele próprio é um dos investigados?

Por acaso não há nenhum risco ao estado democrático de direito quando o presidente posta um vídeo nas redes sociais se dizendo um leão cercado por hienas, caracterizadas como as instituições da República, a imprensa, os partidos de esquerda e até a ONU?

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