É hora de denunciar ao país e ao mundo o golpe de estado

O golpe em curso possui uma metodologia curiosa: (a) a Judicialização da Política; (b) a Politização do Poder Judiciário; (c) a espetacularização (midiatização) do que foi judicializado e, por fim, d) a criminalização da Política, dos políticos e dos partidos políticos, tudo para justificar o golpe

Não dá mais para argumentar com serenidade é hora de denunciar ao país e ao mundo que estamos às portas de um GOLPE DE ESTADO.
Sim, um Golpe de Estado está em curso, com apoio de parte dos parlamentares e de setores conservadores do próprio Poder Judiciário e de parte da imprensa, cabendo a imprensa criar e amplificar o estado de tensão na população, fomentar o ódio e a intolerância.

Já escrevi aqui que durante a história humana as civilizações estão sempre envolvidas num processo dialético de transformações, mas algumas vezes esse processo dialético, histórico sofre revezes. Quando falo em quebra da linha evolutiva natural, me refiro aos GOLPES DE ESTADO.
Sim, um GOLPE DE ESTADO, pois estamos vivendo um tempo em que as instituições foram seqüestradas pelo medo e porque o PODER está sendo usurpado de forma ilegítima, com colaboração vergonhosa e criminosa de parte da mídia e setores do Poder Judiciário, esses corruptores da Constituição Federal.

O GOLPE DE ESTADO, ao contrário das revoluções, sobre o que podemos escrever noutro momento, tem um caráter pessoal, egoístico e busca a tomada do poder para atender o interesse um pequeno grupo que representa interesses que são contrários ou não são contemplados pelo establishment Político.

O GOLPE DE ESTADO está a ocorrer porque os derrotados, descontentes e golpistas, incapazes de alcançar o poder pelo voto popular, buscam através de manobras políticas e jurídicas assumir a posição de Chefe de Governo e o fazem de uma forma ardilosa: buscam legalizar e legitimar a ruptura institucional instrumentalizando o Poder Legislativo e do Judiciário.

E, a meu juízo, infelizmente está em curso no país um golpe de Estado e o fato torna-se induvidoso. Exemplos há aos montes. Baste que lembremos os encontros entre o Presidente da Câmara dos Deputados, o Ministro do STF Gilmar Mendes e personagens da oposição. A pauta foi o Processo de impeachment da presidente da república, o Processo que tramita no Tribunal Superior Eleitoral, etc.; bem como observarmos o conteúdo da cobertura televisiva e as manchetes dos grandes jornais, tudo para amplificar artificiosamente a crise e manter as manifestações contrárias ao governo e à democracia. Aos golpistas basta uma democracia de fachada, uma democracia relativa.

O verniz civilizado e civilizatório rompe-se com facilidade em nossa sociedade quando interesses são contrariados, basta observarmos o que está acontecendo hoje no país, onde o moralismo publicado interesses impublicáveis.

O que aconteceu em 1964, por exemplo, foi um golpe de Estado, pois um grupo que havia perdido as eleições presidenciais para Getúlio Vargas, para Juscelino Kubitschek e para Jânio Quadros/João Goulart que, ao lado dos maus militares, tomou para si o poder e tentaram rebatizar o evento nefasto de "revolução" e dar a ele contornos de legalidade e legitimidade controlando o congresso e o Judiciário, sempre com a presença servil dos "marechais da mídia".

O golpe de Estado é comum em locais cujas instituições são políticas fracas, onde não existe a certeza do cumprimento de todas as normas constitucionais no que diz respeito à sucessão dos cargos políticos ou à garantia dos direito individuais, o golpe de Estado foi muito comum na América Latina, África e Oriente Médio no decorrer do século 20.

O curioso é que os principais agentes do golpe aparecem quase sempre como os novos salvadores da pátria, haja vista sempre acontecer algum distúrbio ou crise quando de um golpe de Estado.

Fato é que vivemos tempos sombrios, um tempo em que os golpistas lançam mão, mais uma vez como fizeram em 1954 e em 1964, da bandeira do combate a corrupção, mas, paradoxalmente, defendem a redução da maioridade penal, o impeachment, a ruptura institucional, etc..

Vivemos um tempo em que os "bolsonaros" e imbecis de todo gênero ofendem a presidência da república, pedem a morte de Jô Soares, fazem ofensas racistas a uma jovem jornalista.

Tenho escrito faz algum tempo que tudo isso faz parte de um encadeamento de fatos quais, na minha maneira de ver, são os responsáveis à inflexão conservadora, sombria mesmo, que estamos testemunhando no país. Trata-se da construção do golpe.

O golpe em curso possui uma metodologia curiosa: (a) a Judicialização da Política; (b) a Politização do Poder Judiciário; (c) a espetacularização (midiatização) do que foi judicializado e, por fim, d) a criminalização da Política, dos políticos e dos partidos políticos, tudo para justificar o golpe.

A sociedade tem de reagir a qualquer tentativa de golpe, pois estamos no século 21, nossas instituições são fortes e uma ruptura institucional seria trágica para a nação.

Penso que cabe a Lula e Dilma, bem como a todas as lideranças democráticas, denunciarem ao país e ao mundo o GOLPE DE ESTADO e mais, cabe à Presidente Dilma a busca da preservação da ordem pública ou a paz social, pois há, induvidosamente, abusos e ameaças ao ordenamento jurídico.

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