E o golpe vai, vai, vai...

Empresas públicas e de absoluta importância nacional e geoestratégica como as de matriz energética já estão em muito avançado processo de desmonte, entrega ou privatização. O caso mais emblemático é o que se passa com o sistema petrolífero e energético da Petrobras e que, toda fatiada, como se fosse pão de fôrma, está sendo dada (não é exagero, a Petrobras está sendo entregue!) por moeda podre ou por títulos vencidos da dívida pública

Michel Temer, petróleo, pré-sal
Michel Temer, petróleo, pré-sal (Foto: Ângelo Cavalcante)
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É como depois de um grande acidente! Não é por acaso que profissionais de segurança sugerem isolar a área. É que podem ocorrer deslizamentos, desabamentos, riscos de incêndio, desmoronamentos, materiais cortantes ficam à mostra, enfim... Tudo ao redor fica instável.

Depois do golpe de 2016 o país desmorona! Os alicerces de sua base existencial e que não se limitam a aspectos eminentemente econômicos, estão desabando, estão sendo dissolvidos sob nossos olhos passivos e indignados.

Do ponto de vista econômico, desnecessário falar do quadro periclitante da atividade produtiva do país; do nível de desemprego, subemprego e ampla precarização, precarização inclusive, como política de Estado, como norma jurídica aprovada por um senado de empresários. Evidentemente, o mundo social se dissolve. Essa instabilidade e insegurança gera efeitos nocivos e diretos na subjetividade do trabalhador e na própria qualidade do trabalho que desenvolve. Os estudiosos do trabalho sabem bem desse debate.

Empresas públicas e de absoluta importância nacional e geoestratégica como as de matriz energética já estão em muito avançado processo de desmonte, entrega ou privatização. O caso mais emblemático é o que se passa com o sistema petrolífero e energético da Petrobras e que, toda fatiada, como se fosse pão de fôrma, está sendo dada (não é exagero, a Petrobras está sendo entregue!) por moeda podre ou por títulos vencidos da dívida pública.

A Petrobras, sempre ela, segundo um dos principais panfletos do capitalismo global, a revista Forbes, está muito bem situada entre as dez maiores empresas (eu disse empresas!) do mundo. Disputa espaço, mercado e produtos palmo a palmo com continentes empresariais como a Exxon Mobil, a PetroChina, a Shell, a BP, a Chevron, a GazProm e a russa Rosneft. Não é qualquer coisa. É o resultado de décadas de trabalho árduo e que combinou determinação política com pesquisa fina e de ponta com a elevação da própria formação dos seus trabalhadores... Pimba! Ponto para o Brasil.

O degenerado Temer ergue das catacumbas do pior da política nacional uma figura transilvânica, um meio homem, meio coisa de nome Pedro Parente para, tal qual, um cancro, carcomer a empresa por seu dentro; parte a parte; setor por setor; departamento por departamento.

E essa onda segue firme! Empresas de produção ou distribuição de serviços urbanos importantes para estados, municípios e localidades estão virando poeira na paisagem. Sendo entregues por qualquer ninharia somente a fim de cumprir o cânone neoliberal de desmonte estatal.

Esse é o ideal de modernização que economistas e tecnocratas do PSDB bancam a ferro, fogo e muita miséria. A paisagem social e ambiental do país já é de desterro, de guerra efervescente. E vai se intensificar!

Nestes sertões goianos a tragédia ganha forma e discurso modernizante pela alquimia midiática e persuasiva de uma imprensa paraestatal. Um dado curioso sobre a província: Goiás, possui 246 municípios, destes, algo como oitenta por cento possuem até vinte mil habitantes. São localidades deixadas no ermo; na vastidão de um Cerrado virado lavoura de cana. São territorialidades de economia estacionária onde o "boom" econômico, imaginem, são aposentadorias de idosos, pensões de viúvas, beneficiários do Bolsa Família ou os risíveis salários dos funcionários das prefeituras.

O gozo de consumo dessas localidades é, pasmem, quando a família, em fileira, vai pagar o Tião da mercearia para, é claro, "nova farra" de consumo subsistente e que, é claro, não lhes permite sair do "basicão" da cesta familiar.

É impressionante o atavismo sócio-produtivo; os níveis de ociosidade dessas economias ou sub-economias pós-campesinas. Tragédias! Esse foi o Goiás que "deu certo"! O Goiás bi-decenal dos tucanos. Uau!

Pois bem... A marcha pelo aprofundamento do subdesenvolvimento vai longe! Não para e, definitivamente, não irá cessar com as esperadas e "democráticas" eleições de 2018; mesmo com o grande capital corrompendo todo o processo, com a Rede Globo fazendo das suas e; Gilmar Mendes em sua jus-demo-tucana militância nos expedientes da Justiça Eleitoral.

Querem saber o que penso? 2018 não vai ser nossa redenção; ao contrário, será, depois do "golpão" de 2016, o maior mico do século. Por fim, ou pensamos urgentemente, algo para adiante desse vindouro pleito "salvacionista" ou vamos dar com os burros n'água. Funcionários públicos, de esquerda ou de direita, é que tem verdadeira compulsão, tara, vício por eleições... Sugiro algo mais amplo e profundo ou...

Aí o insuperável Raulzito cantava: "Quem não tem visão, bate a cara contra o muro". De verdade? O golpe segue forte, portentoso e arruinando com esse país. Ao fim, era precisamente para isso.

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