É possível abreviar a agonia do Brasil

Para o jornalista Luis Costa Pinto, apesar dos ataques feitos por Jair Bolsoanro contra a democracia e aos diretitos de milhões de brasileiros, "aprovação dele ainda se situa nas franjas dos 30%, há margem para o bem conquistar novas mentes do obscurantismo bolsonarista e abreviar a agonia de toda uma Nação"

Luis Costa Pinto, para o Jornalistas pela Democracia - É inútil desperdiçar tempo e dispersar energia tentando encontrar estratégia e esperteza por trás ou nas entrelinhas das declarações estúpidas, dos gestos autoritários e da postura antidemocrática de Jair Bolsonaro. Ele age dessa forma porque é ignorante, vil, despreparado, inculto, misógino. Enfim, é imprestável para ocupar o cargo ao qual foi alçado com a cumplicidade de 39% dos cidadãos brasileiros aptos a votar em 2018.Quem votou no 17 em quaisquer dos turnos da última eleição presidencial, por qualquer razão, é sócio dessa agenda deletéria que está a transformar o Brasil num hospício peculiar onde os doentes detêm o controle da porteira. A História tratará de indexá-los em algum rodapé dos livros que contarão essa quadra infeliz. Quem conseguiu permanecer são, luta para conservar a lucidez e abreviar a ascendência do Mal sobre o destino de um país que não vê mais futuro algum. 

No mundo, caminhamos celeremente para regressar ao posto de grande mancha geográfica irrelevante no planisfério. A avidez derrogatória no ataque às instituições, órgãos, institutos e a todo o aparato público que construímos nos últimos 35 anos, desde o fim da ditadura militar, não pode encontrar senões ou poréns no combate ativo que se faz necessário.

 É necessário trazer para o nosso lado eleitores arrependidos de Bolsonaro. Estamos em guerra e em períodos conflagrados as alianças são feitas mirando a derrota total do inimigo comum. Ou seja, convergindo pelo meio, pelo centro. Foi isso que permitiu a Churchill e a Roosevelt, escoltados por De Gaulle, sentarem com Stálin a fim de traçar o plano de aniquilamento de Hitler e do nazismo. Derrotado o Eixo, mortos Adolf Hitler e Benito Mussolini, voltaram às desavenças históricas. Guardadas as proporções, mas tendo por inimigo alguém com visão de mundo que tangencia o nazi-fascismo, é essa aliança estratégica que precisamos perseguir com os arrependidos de gradações diversas. 

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Com didatismo, entretanto, não se deve conceder aos órfãos do bolsonarismo permissão para que se mantenham do lado escuro da força. É necessário impedir que sigam se autodesculpando pelo erro cometido. Eles têm de assimilar a dimensão de todo o mal que ajudaram a semear, de todo o ódio que ajudaram a plantar em nossa sociedade, sob pena de repetirem o erro caso não percebam como ajudaram a nos trazer à antessala do inferno.

Também não é mais plausível escutar a desculpa de ser difícil para o país tirar mais um presidente legítimo, posto que eleito diretamente. O argumento foi esgrimido por nós, com correção, em 2016 e vinha sucedido da advertência: não se mexe impunemente no edifício legal, na arquitetura institucional do país. “Vai dar errado”, cansamos de dizer. Deu. Essa fala era nossa, não foi ouvida. Contudo, pode e deve ser lembrada. 

Como constatavam o Conselheiro Acácio e Marco Maciel, as consequências vêm depois. Vieram. É dado o momento de endurecer na reação diuturna sem perder a ternura de apontar o caminho de saída desse campo de concentração controlado pelos débeis celerados do bolsonarismo. É hora de sentar praça nos espaços vazios e nas lacunas da sociedade civil, estabelecer a meta, descobrir os alvos, rascunhar o projeto de país que se quer e trilhar o caminho de lutas refinando o espírito gregário. Só se vence uma guerra fazendo aliança e ocupando os espaços que surgem com aliados – e não com submissos. 

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Nas duas últimas semanas Bolsonaro disse ao menos duas barbaridades por dia. Essa proatividade patética guarda um método – manter a resistência ocupada e atarantada, erguendo redes de proteção em diversas direções – mas também denota certo desespero. Ele sabe que dia a dia perde credibilidade, dilapida a esperança que qualquer eleito projeta e reduz o valor de sua caneta institucional. Tudo isso se dá porque é um despreparado absoluto para exercer o cargo ao qual foi catapultado no florescer do ódio classista e recalcado semeado a partir da derrota de Aécio Neves em 2014 e muito bem arado por Eduardo Cunha em 2015 e 2016. 

A verborragia institucionalmente escatológica de Bolsonaro destina-se, além de perturbar a ração, a endurecer o núcleo de seus aderentes – hoje calculado em algo em torno de 20% dos eleitores brasileiros. Como a aprovação dele ainda se situa nas franjas dos 30%, há margem para o bem conquistar novas mentes do obscurantismo bolsonarista e abreviar a agonia de toda uma Nação.

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