É preciso lutar

É preciso aprender rápido que nesse jogo sujo da extrema-direita não há espaço para amadores, para piedosos, para os praticantes do “paz e amor”

Hans River na CPMI das Fake News
Hans River na CPMI das Fake News (Foto: Gustavo Bezerra)

Faz pouco tempo escrevi sobre o que chamo ser o paradoxo da intolerância, sobre a urgência que temos em não sermos tolerantes com a intolerância. É preciso aprender rápido que nesse jogo sujo da extrema-direita não há espaço para amadores, para piedosos, para os praticantes do “paz e amor”. O tempo do “paz e amor” já passou faz tempo, se é que algum dia existiu espaço para isso no Brasil.  

O recente episódio do ex-funcionário da Yacows insultando a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, em plena sessão da CPMI das Fake News talvez seja o melhor exemplo que poderíamos ter. Na sequência, o filho do presidente reforçou o insulto com total certeza da impunidade, e a máquina digital para assassinar reputações entrou em cena com força total. Disparos em massa pelas mídias sociais e a horda bolsonarista replicando sem pudor aquilo que sabe ser falso, ou que ignora não ser verdadeiro, tanto faz. Todo esforço posterior da Folha expondo a absurda situação não vale de absolutamente nada. Totalmente ineficaz.

Esses bárbaros não prestam contas, estão blindados pela selvageria que foi institucionalizada por esse governo maldito. O propósito deles é apoiar cegamente qualquer coisa que venha de seus mestres. Um ódio latente, em constante estado de ebulição. Esses bolsonaristas mais radicais são como cães com raiva, irracionais, perturbados, ativos participantes de uma sociedade que é disfuncional. Eles ficam à espreita, aguardando o próximo “meme”, a próxima “genial” armação da quadrilha que controla nossa Nação, loucos para replicar qualquer coisa que seja, desde que seja realmente destrutiva, baixa, vil.  

Enquanto isso, a esquerda está mais uma vez perdida, com vozes clamando por autocrítica, conciliação, acordos com setores progressistas, mais ao centro, à direita, abaixo, acima, ao lado... Não existe autocrítica alguma a ser feita, isso é um erro básico demais. Se Lula foi investigado, denunciado, considerado culpado e preso da forma como foi, sem provas, imaginem, por exemplo, o que teria acontecido com ele e com tantos outros de esquerda se o PT decidisse mesmo fazer uma autocrítica e pedir desculpas por possíveis erros!? Acho que os loucos de Curitiba desenterrariam até mesmo Marx para colocá-lo na cadeia, jogando a chave fora. Uma eventual autocrítica seria deturpada em forma de confissão de culpa, um prato cheio para procuradores e juízes ungidos por Deus na batalha contra tudo aquilo que eles batizam como sendo corrupção.  

Da mesma forma não existe conciliação com extremistas, com loucos cheios de ódio que só conhecem a destruição como forma de existir. São diabos travestidos de cidadãos de bem que buscam a guerra incansavelmente, em uma cruzada louca pela imposição de seus caprichos e vontades sobre o bem estar de uma esmagadora maioira da população que é explorada e que está desprogegida. Conciliação é possível quando não existe fanatismo, quando existe racionalidade, humanidade.

Quanto aos acordos, no desespero para lutar e tentar derrubar a extrema-direita, acho que vale até mesmo chamar a Globo de bonita, fingir que a Folha não apoiou as reformas de Guedes. Vale flertar com a direita, apoiar até mesmo uma eventual candidatura de Luciano Hulk. Quem diria... Vale tudo, mas sempre com a certeza de que eles também não são confiáveis e que também não gostam de pobre. Eles também não querem o bem de nosso povo e já demonstraram que depositar confiaança neles pode levar o País inteiro ao abismo – foram eles que começaram toda essa tragédia, com a demonização exagerada de Lula e PT, sentindo o pavor de que seriam derrotados mais uma vez, se permitisse que houvesse uma disputa justa, limpa.

É preciso lutar (e saber lutar) com todas as forças contra esse sistema deplorável dos extremistas, terraplanistas, bolsonaristas, olavistas, que no final das contas nada mais são do que os bodes na sala, permitindo que os militares continuem chegando de forma suave com seus tanques, reforçando cada vez mais seu controle sobre o Estado brasileiro. É urgente sermos intolerante com a intolerância de todos eles, enquanto ainda é possível ser qualquer coisa contra eles. Se não lutarmos, se fizermos nada, se a esquerda continuar assistindo passiva, atolada em pensamentos sobre autocrítica, conciliação, acordos, sem que nada de prático e realista aconteça, é provável que em um futuro não muito distante, quem ainda estiver resistindo acabe ocupando os calabouços de uma nova ditadura, presos, torturados, assassinados. 

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