Economia e política: uma ruptura impossível

Somos uma economia deprimida, sobretudo, porque economia é política e política é economia; são irmãs siamesas onde uma não existe sem a outra e, o dramático de toda essa erosão político-econômica: a resposta que as desonestas e entreguistas elites do Brasil encontraram para "afugentar" a crise foi sacrificar a política

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É que os pouco inteirados com a economia de ciência e que não tem absolutamente nada que ver com a economia de mídia, esse "vale-tudo" malcheiroso e bem ao gosto de tipos como Mirian Leitão, Carlos Sardenbergh ou William Waack, já identificaram que o Brasil não está apenas atravessando uma recessão econômica; bem mais grave, já somos um país de economia depressiva.

O que isso quer dizer? Ora... Quer dizer que os processos econômicos, sejam eles quais forem, já se dão de forma e maneira deprimida ou seja, é como se todo o mundo econômico do país fosse lançado, de uma vez só para o "andar de baixo". Tudo perde valor, energia, relação e efeito.

Descemos não só na quantidade econômica, onde plantas industriais e outras unidades produtivas acham-se com capacidade produtiva dramática e largamente ociosa, causa e efeito de toda sorte de desemprego, inatividade econômica e notória inanição produtivo-empresarial mas também e, principalmente, a qualidade da economia desce em sua escala de grandeza o que é profundamente grave para uma economia que até a bem pouco tempo, se pretendia global; para um país que despontou no novo milênio como grande surpresa para o mundo como ousado "player" internacional. Era voo de galinha!

Não era crescimento de tipo insustentável porque sequer era crescimento: foi um inchaço econômico desordenado, fora de qualquer projeto de efetiva constituição nacional e financiado pelo governo para uma população que, enfim, se tornava consumidora.

Aos milhares de debiloides que saem às ruas em uma necro-militância clamando pelos milicos no poder seria razoável ler algo sério sobre as governanças econômicas dos militares; sobre suas prioridades; leiam sobre "Brasil e crise do petróleo"; pesquisem sobre "endividamento externo nos governos militares" e; já que eventualmente, estão buscando informações leiam sobre "os anos oitenta e a década perdida"; emendem na "infame década de 1990" e, finalmente, leiam três ou quatro parágrafos sobre "neoliberalismo na América Latina" e atentem para seus impactos e efeitos.

Caso leiam, identificarão que, grosso modo, a história econômica brasileira é um reprisado filme de terror; é mais ou menos como aquele onde a mãe pari um filho monstro. Metaforicamente, a mãe é o Estado com sua capacidade de financiamento e o/os monstro/monstros são projetos de "desenvolvimento" econômico assustadores e bastante frágeis onde ao primeiro franzir de testa de qualquer representante econômico do hemisfério norte faz tudo tremer por este trópico.

Somos uma economia deprimida, sobretudo, porque economia é política e política é economia; são irmãs siamesas onde uma não existe sem a outra e, o dramático de toda essa erosão político-econômica: a resposta que as desonestas e entreguistas elites do Brasil encontraram para "afugentar" a crise foi sacrificar a política; fincaram fundo o punhal da mentira, da traição e da sordidez no peito de nossa, ainda muito menina, democracia.

Essa velha, velhaca e viciada economia de monopólios e oligopólios achou mesmo que seguiria sem o fulgor e a vitalidade da política; sem suas manifestações diárias nas ruas, praças e universidades. E a soberba da direita foi aos píncaros do gozo político ao anunciar Temer (piada e mais depressão!) como presidente. O resultado? Depressão; a baixa como constante e instituição; o subterrâneo da economia e o desalento como permanência capilarizada na vida econômica cotidiana. O resultado não poderia ser outro e quem melhor sintetiza todo esse pandemônio político-econômico é o muito sábio Mino Carta: "...e o governo Temer derrete".

E a menina? A menina renasceu e segue renascendo todas as manhãs em universidades paralisadas; escolas ocupadas; acampamentos dos sem-terra ou no surpreendente protagonismo dos sem-teto; no surgimento de novas lideranças de esquerda; no papel decisivo de intelectuais sérios e comprometidos e que quebraram seu silêncio em prol de democracia e poder popular e; na certeza de que o capitalismo, ainda mais periférico, marginal e deletério como é o brasileiro, definitivamente, não se reforma; se supera!

E a menina? A menina renasceu e, como toda criança, espera o tempo melhorar para sair para a brincadeira.

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