Eduardo Suplicy deita no chão para derrubar a violência e a hipocrisia

Pessoalmente não estranho a atitude tomada por Eduardo Suplicy. Pelo contrário, ele é coerente com o que sempre pregou e acreditou. O que causa tristeza é que outros vereadores, deputados e candidatos não estivessem lá para defender o povo. Isso é anormal e desprezível

Pessoalmente não estranho a atitude tomada por Eduardo Suplicy. Pelo contrário, ele é coerente com o que sempre pregou e acreditou. O que causa tristeza é que outros vereadores, deputados e candidatos não estivessem lá para defender o povo. Isso é anormal e desprezível
Pessoalmente não estranho a atitude tomada por Eduardo Suplicy. Pelo contrário, ele é coerente com o que sempre pregou e acreditou. O que causa tristeza é que outros vereadores, deputados e candidatos não estivessem lá para defender o povo. Isso é anormal e desprezível (Foto: Dom Orvandil)

Querido Padre Augusto Farias, Ananindeua,Pará

Nosso encontro em Cametá continuará eterno em minhas emoções e memória. Uma das razões é a tua amável pessoa.

Como é bom dialogar com um sacerdote que entende de mulher e com uma se alia para viver a beleza da vida. Emocionei-me ao ouvir-te falar de tua história de amor com a ex-catequista e agora a doutora Luana, tua esposa. Conhecer a inteligência de um casal na lida com as diferenças de percepção da vida é esperançoso para um mundo de respeito nas relações humanas, mas sentir a emoção de um homem no reconhecimento de sua parceira é algo que arrebata a gente e destrói machismos. Parabéns padre trabalhador!

Agradeço também as lindas palavras com que te referiste elogiosamente a mim ao final da missa no auditório da Universidade Federal de Cametá.

Ao contrário desse brilho, meu amigo, olhamos para o setor do Brasil cruel, desumano, torpe e nojento que a prisão de Eduardo Suplicy representa, ele que foi arrastado desrespeitosamente por policiais despreparados e violentos.

Quem não conhece a história de lutas do ex-senador Eduardo Suplicy na defesa dos direitos humanos e dos oprimidos, concordemos com ele ou não?

Nesta segunda feira, dia 25 de março, mais uma vez Suplicy se postou ao lado dos expulsos, excluídos, violentados em seus direitos, alvos de tiros com balas de borracha, com balas verdadeiras também, de spray de pimenta e de retroescavadeira. A população, composta de pobres e espezinhados por Alckmin, foi atropelada na Cidade Educandário, perto da Rodovia Raposo Tavares, zona oeste da capital paulista.

A nota emitida pelo governo neoliberal e corrupto de Geraldo Alckmin explica os dois mundos em confronto, inspirando Suplicy a colocar-se ao lado de um deles.

Com um fingimento de doer, o texto "lamenta" que Eduardo Suplicy se aproveite da "fragilidade" das famílias para "tumultuar".

Ora, se o governador dos brancos e da elite paulista reconhece que as famílias desterradas de suas casas são frágeis, por que enviou tamanha força policial, brutalidade e violência para enfrentá-las?

Governos de ideologia como o de Alckmin somente falam em fragilidade quando lhes interessa mentir e manipular a opinião pública. Na verdade, aquele governador é acostumado a matar negros pobres, a destroçar as vidas das famílias fragilizadas realmente, como é histórica a barbárie praticada pela polícia dele no dia 22 de janeiro de 2012 contra 1500 famílias pobres, indefesas e frágeis em Pinheirinho em São José dos Campos, SP. Pior, nada lhe aconteceu, nenhuma CPI na Assembleia Legislativa, nenhum processo de impeachment, nenhuma crítica das dondocas batedoras de panelas e da mídia rica com dinheiro público. Nada! Agora mencionar a palavra "fragilidade" como contraponto demagógico é perverso na tentativa de desqualificar a atitude digna de Eduardo Suplicy.

O grande problema dessa classe dominante das mansões e contas bancárias gordas, auferidas com o suor e a exploração dos pobres, é que ela não tem olhos nem ouvidos para os sofrimentos dos fragilizados. Pelo contrário, seus projetos são necessariamente fragilizadores dos mais atingidos pelo empobrecimento causado pelo capitalismo dos que avançam armados sobre os pobres e fragilizados.

Em contradição à noção demagógica de "fragilidade" das famílias da Cidade Educandário, constante da nota do governador das elites paulistas, aparece a avaliação de que o ex-senador quis "tumultuar uma reintegração de posse em cumprimento a uma ordem judicial...".
A desonestidade do conteúdo oficial é patente. Não toca jamais na truculência policial. Contudo, o "tumultuador" Suplicy disse que se deitou no chão para evitar a violência entre policiais e moradores. "Fiquei com receio de que pudesse haver uma cena de violência quase que incontrolável. Eu vou me deitar aqui para evitar qualquer violência", pensou ele.

Como sempre procedem os inimigos do povo neste caso também inverteu-se a ordem para encobrir a desordem e a injustiça. A verdade de tudo é que quem fragiliza as famílias são as políticas públicas – ou falta delas -, notadamente a da segurança, de estilos políticos como o de Alckmin. A fragilidade real extenua as pessoas ao ponto de impor-lhes insegurança, medo e desespero. É fácil de imaginar a situação emocional e social de quem se vê despejado e colocado no meio das ruas sob cassetetes, balas, gases lacrimogêneos, botas de policiais desumanizados, de tratores e das patas dos cavalos. Como não reconhecer a fragilidade e sua causa, nada originadas em Suplicy nem nos pobres desalojados e despejados para não se sabe para onde?!

Nas notícias não aparece em lugar algum que o homem público, coerente com seu discurso e crenças, tenha tentado obstaculizar a tal justiça. Sua atitude foi a de evitar a violência policial e da resistência das famílias feridas em seus direitos, inclusive no seu direito à defesa da moradia. O que Suplicy tentou foi evitar que mulheres, crianças, velhos e trabalhadores fossem trucidados pelos que povo apelida de "pés de porco", pelo desrespeito reconhecido com que tratam os mais humildes.

Pessoalmente não estranho a atitude tomada por Eduardo Suplicy. Pelo contrário, ele é coerente com o que sempre pregou e acreditou.

O que causa tristeza é que outros vereadores, deputados e candidatos não estivessem lá para defender o povo. Isso é anormal e desprezível.

Enquanto governos injustos e dos ricos, como Alckmin, administrarem estados e municípios atitudes como a de Suplicy são as desejáveis. Tumultuadores da "ordem" opressora e desumana têm que se levantar no meio do povo e se deitar para defendê-lo, quando necessário.

As coisas relativas a esse tipo de "ordem" judicial desumana e desrespeitosa serão de grande valor quando policiais, que são homens e mulheres paridos nas favelas e saídos do meio dos pobres, se sensibilizarem para desobedecer hierarquias que, em vez de negociar, arrastam um homem de 75 anos, como aconteceu a Suplicy.

Policiais que batem em pobres e matam negros, mulheres e crianças, como aconteceu nesse fato com um que jogou spray de pimenta nos olhos de uma criança, gerando tiros revoltados dos habitantes do local, são muito bons para obedecer ordens de juízes de bundas fincadas em cadeiras de tribunais com ar condicionado e confortávies, mas não são bons ao ponto de obedecer o senso de justiça social e humana que verte das dores dos pobres de moradia, de direitos e de respeito.

Exemplo de desobediência a ordens injustas, tumultuadoras e que fragilizam os laços sociais, foi o dado pelo militar responsável pelo avião que levaria Lula para Curitiba sob custódia do discutível juiz Sérgio Moro. Graças à sua desobediência a uma ordem injusta de um juiz que serve aos piores interesses que atropelam a República, uma guerra civil não iniciou e muito sangue não se derramou em nosso País.

Portanto, viva o tumulto provocado por Eduardo Suplicy. Sua atitude foi a favor da justiça social. Que venham outros tumultuadores com gente boa, generosa e justa que toma o lado dos fragilizados e pisados por governos como o de Alckmin. Que venham policiais justos para tumultuar as desordens da injustiça, também!

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