Educação pra que? Cabeças pensantes só atrapalham o roteiro do golpe

Eles querem uma juventude despolitizada, desorganizada, anestesiada, descrente de que o importante é se posicionar sobre a situação política e social do país. Aos estudantes, cassetetes, jatos de água fria e balas de borracha. Não importa o teor de suas reivindicações se mais ou menos justas

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ensino medio
escola
sala de aula ensino medio escola (Foto: Chico Vigilante)

Somente 420 anos após o descobrimento do Brasil, em 1920, foi implantada a primeira universidade do país, a Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Nesta época 75% da população brasileira era analfabeta, mas a elite nacional já estava ciente do papel da universidade para o conhecimento humano e o desenvolvimento científico - desde que sob sua tutela.

O acesso à universidade no Brasil sempre esteve reservado à uma casta de privilegiados. Para começar a se democratizar necessitou eleger como Presidente da República, um metalúrgico nordestino, que nunca havia pisado numa.

Quando Lula entrou em 2003, o país tinha 16.505 cursos de graduação e 3,4 milhões de matrículas na educação superior. Em 2015, havia 32.878 cursos e 8,5 milhões de estudantes, segundo o ex-ministro da Educação Aloísio Mercadante, o período de maior expansão da educação universitária de toda nossa história.

O mesmo aconteceu com os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Eram 140 campi em 2002 e 600 em 2016, superando 1 milhão de estudantes matriculados.

Hoje, sob a égide do golpismo jurídico, midiático, parlamentar, para uma entrega tranquila das riquezas do país, e a demolição dos direitos trabalhistas e previdenciários faz-se necessário golpear o acesso ao pensamento, à crítica, à formulação de propostas progressistas.

As universidades, os professores universitários e os estudantes de cursos superiores, de mestrados e doutorados pensam muito, enxergam muito, se posicionam demais. Vamos acabar com eles. Deixá-los morrer a míngua.

Pobres e negros na universidade, para que? Para propor politicas públicas para pobres e negros? Para se preocuparem com tecnologias que servirão às maiorias do país? Isso não é bom para os golpistas.

Eles querem uma juventude despolitizada, desorganizada, anestesiada, descrente de que o importante é se posicionar sobre a situação política e social do país.

Aos estudantes, cassetetes, jatos de água fria e balas de borracha. Não importa o teor de suas reivindicações se mais ou menos justas.

Temer e seus aliados golpistas tucanos tem sede de dizimar com o movimento estudantil assim como aconteceu na ditadura porque a juventude grita, é brava, é corajosa, e não se envergonha de demonstrar um sentimento espontâneo de preocupação pelo bem da nação.

Em São Paulo enfrentam o tucano Dória. Durante três dias ocuparam o plenário da Câmara Municipal de São Paulo aos gritos "Doria, nem tenta, SP não está à venda". Querem a volta do passe livre estudantil e a suspensão da votação dos projetos de privatização e concessão de bens públicos da cidade a empresários.

O tucano Beto Richa, aquele que mandou a polícia bater em professores nas manifestações de 29 de abril de 2015, enfrentou em 2016 forte onda de ocupações de escolas com mais de 250 escolas ocupadas em todo o estado, contra a reforma do ensino médio, o sucateamento das escolas e universidades públicas.

Em Minas Gerais, o ex-governador Antonio Anastasia, amigo do golpista mor Aécio Neves, e envolvido em várias falcatruas, também demonstrou como o tucanato trata a educação.

Em maio de 2016, o MP de Minas Gerais prendeu seis pessoas por suspeita de desvio de R$ 14 milhões entre 2012 e 2014. Dentre os detidos estavam o ex-secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais durante o governo Anastasia, Narcio Rodrigues, também presidente do PSDB estadual.

Ou seja, a educação onde quer que seja, estando em mãos de tucanos está em muito boas mãos: leves, rápidas, e descompromissadas com o futuro da Nação.

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