Ei-nos

O Brasil caminha a passos largos para uma projeção internacional nos moldes do século 19. A economia está estagnada, o país é entregue às nações centro de poder e parte da imprensa mantendo no ar a discussão sobre datas em recibo de aluguéis, comprovadamente legítimos

Brasília - DF, 31/08/2016. Michel Temer durante posse como Presidente da República no Senado Federal. Foto: Beto Barata/PR
Brasília - DF, 31/08/2016. Michel Temer durante posse como Presidente da República no Senado Federal. Foto: Beto Barata/PR (Foto: Enio Verri)

O Brasil caminha a passos largos para uma projeção internacional nos moldes do século 19. O retrocesso se dá sob os aspectos econômico, social e político. Por trás de um discurso modernizante, instala-se uma condição absolutamente liberalizante nos enfrentamentos entre o capital e o trabalho. A economia está estagnada, o país é entregue às nações centro de poder e parte da imprensa mantendo no ar a discussão sobre datas em recibo de aluguéis, comprovadamente legítimos.

O desemprego, a fome e a desesperança atingem 15 milhões de lares. Um dos resultados das medidas da camarilha plutocrata de Temer é a estagnação econômica, por falta de arrecadação. Não há consumo, porque não há emprego, porque não há produção, porque não há quem consuma... Há um propósito nessa hecatombe, a privatização do Estado brasileiro para o capital financeiro.

Condição imposta pelo mercado para criar postos de trabalho, a deforma trabalhista expõe a classe trabalhadora ao modo de produção escravocrata da elite mais truculenta e mesquinha das Américas, a brasileira. Recentemente, o Ministério Público do Trabalho impetrou uma Ação Civil Pública contra a rede de confecções Riachuelo, por promover a precarização das condições de trabalho.

A empresa terceirizou para pequenas facções têxteis do interior do Rio Grande do Norte, a produção da matriz, em Natal, onde os empregados são contratados diretamente, antes protegidos por Lei. Segundo o MP-TR, os trabalhadores das facções terceirizadas recebem menos e têm menos direitos que os já bem reduzidos operários da matriz, onde são contratados diretamente. Esse é um dos efeitos nefastos da terceirização da área fim de uma empresa, contra a qual o Partido dos Trabalhadores (PT) tanto luta contra.

A mando do mercado financeiro, Temer usa os grandes veículos de comunicação para mentir à nação. Os noticiosos afirmam que o salário médio aumentou e haverá mais empregos. O que aparenta ser aumento salarial, nada mais é do que o altíssimo índice de desemprego. Em crise, uma empresa dispensa os trabalhadores menos qualificados, que recebem menos, mantendo aqueles em que foi investido formação técnica. Dispensá-lo seriam duas perdas, a do investimento direto e do preço a pagar pela recontratação, quando superada a crise econômica.

Em novembro, quando passar a valer as novas regras da reforma trabalhista, haverá mais pessoas comprometidas com alguma atividade laboral, mas em condições precárias de trabalho e com salários das funções já anteriormente exercidas mais baixos. Já o modelo de contratação de trabalho intermitente e a terceirização permitirão a uma empresa ter, com mesmo custo, a força de trabalho de três, ao invés de um empregado.

Em outra frente, a plutocracia, que rasteja para as nações centro de poder, com a chancela dos grandes veículos de comunicação, entrega as riquezas energéticas e as empresas estratégicas do Brasil. A produção de petróleo e gás, junto com a Petrobras, assim como todo o sistema Eletrobras, as usinas e as águas brasileiras, estão sendo entregues para empresas estatais de outros países, como a China, um país vermelho e com um apetite gigante para adquirir as empresas brasileiras.

A imprensa, propriedade do mercado financeiro, trabalha diuturnamente para esconder as contradições dos comparsas do golpe. Alega-se que as reformas prejudiciais à classe trabalhadora e à soberania da nação são para superar um suposto déficit fiscal e recuperar a economia brasileira, em frangalhos. A prática de Temer não corresponde ao discurso. A realidade é que se precariza a vida da maior parte da população e perdoa R$ 40 bilhões em dívidas da elite.

Dos 513 deputados, cerca de 210 são empresários que devem milhões ao Fisco e muito interessados na aprovação do refinanciamento de dívidas dos mais ricos. Segundo a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, senadores e deputados devem, juntos, mais de R$ 1 bilhão. É um verdadeiro estímulo à sonegação dos ricos e poderosos. O empresário deixa de recolher os impostos e espera o governo adotar um programa de pagamento, com 90% de desconto na dívida, 25% e 75% nos juros e nas correções. O governo também deixará de arrecadar mais de R$ 10 bilhões com o desconto de recolhimento ao Funrural que concedeu ao agronegócio.

A escandalosa renúncia fiscal de Temer é para comprar o apoio de parlamentares para se livrar das novas acusações contra ele, enviadas pela Procuradoria Geral da República (PGR). Mais uma vez, com provas documentais, e não apenas de torturadas delações premiadas, o golpista decorativo é acusado de obstrução à justiça e formação de quadrilha. Apesar das provas e da margem de erro que lhe dá apoio, Temer continua presidente. Por muito menos, a presidenta Dilma Rousseff foi deposta.

Ou seja, temos um desgoverno que prejudica a classe trabalhadora e os mais pobres, em favor dos mais ricos e poderosos e é protegido pela pior inimiga da nação, a imprensa hegemônica. A trama do tecido social da classe trabalhadora não está unida e coesa. A inação é reflexo da incapacidade das instituições representativas da classe trabalhadora de mobilizar e manter mobilizada quem produz as riquezas do País.

É preciso resgatar a participação política, na família, na vizinhança, no trabalho, no sindicato, na igreja. Os grandes movimentos sociais, urbanos e rurais têm um grande poder de mobilização, mas uma visibilidade pequena e criminalizada. Aqui e ali, vê-se debates pontuais, mas sindicatos e partidos políticos estão desacreditados, tanto por conta de posturas contraditórias, quanto por conta de uma propaganda negativa feita pela mídia e apresentada como opinião pública. Ei-nos.

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