Eleições 2022: certeza sim, ameaça nunca!

Nosso país já passou por tanta coisa, crises, impedimentos e não se deixou corroer, não se deixou abater. A democracia brasileira é cada vez mais forte e vai ficar ainda mais, independentemente dos estilos de quaisquer presidentes

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Estabeleceu-se uma falsa polêmica: haverá ou não eleições em 2022? O ministro da Defesa, Braga Netto, homem com uma carreira bonita e a quem sempre respeitei, embora praticamente não o conheça, de repente se equivoca e diz que, se não for por voto impresso, não haverá eleições. O mesmo general Braga Netto que votou sem voto impresso dezenas de vezes ao longo de sua vida, o mesmo que, como ministro da Defesa, tem que estar em consonância com o que pensam os seus comandados e esses são completamente a favor da democracia. 

Queria dizer de uma forma bem simples e singela. Vamos ter eleições, sim! No dia marcado, e depois de apurados os votos, os vencedores serão empossados, sim!

Não estamos mais nos tempos dos golpes. Não estamos mais nos tempos em que chefes militares dizem o que iria acontecer com o Brasil. Estamos nos belos tempos de chefes militares, como o ex-ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva; o ex-chefe do Exército Brasileiro, Edson Pujol; o ex-comandante da Marinha, Ilques Barbosa Júnior; e o ex-comandante da Aeronáutica, Antonio Carlos Bermudez, que negaram ao presidente o estado de emergência e, de imediato, entregaram seus cargos.  Esse é o gesto de hoje, o ontem ficou para trás. Faz parte da história, mas não faz parte do nosso futuro.

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Lembro que, certa vez, houve uma homenagem ao Duque de Caxias, patrono do Exército e, entre os oradores, estávamos eu e o deputado petista José Genoíno.  Conversando entre nós, ele disse: "Arthur, impressionante essa coisa da democracia, estamos aqui homenageando os militares e eu nunca vi tanto quepe junto na minha vida". Aí eu disse a ele que, há alguns anos, se eu visse tanto quepe junto sairia correndo, com velocidade de recordista olímpico. Rimos, concordamos e a conclusão de nossas conversas e brincadeiras foi que estávamos felizes por viver a democracia, onde as pessoas se unem, se irmanam. Este país que se democratiza, cada vez mais, mostra que as conjunturas vão mudando para melhor, civis e militares agora convivem respeitosa e fraternamente.

Por que tenho tanto respeito pelos militares? Porque eles mudaram, não são os mesmos. Não existe mais o general Ibiapina, acusado de tortura durante o regime militar. Uma vez, ele como presidente do clube militar, já bastante idoso, me encarou com muito rancor em um evento, provavelmente mais rancor ao meu pai do que a mim. Acredito que pela liderança civil de Arthur Virgílio Filho, grande combatente da ditadura militar.

Mas eu também mudei, não tenho a mesma cabeça de antes. Acredito que mudei para melhor, com mais sensatez, mais maturidade. Então, creio que as Forças Armadas mudaram, são outras pessoas, outras formações, outras definições. A democracia brasileira que era tão instável, tão sujeita a golpes, a quarteladas, ela de repente se viu assegurada, defendida e protegida pelos militares da geração atual, que superaram os hábitos antigos e que eram, infelizmente, comuns a toda a América Latina, cuja marca era a instabilidade.

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Nunca fui um atiçador do impeachment da presidente Dilma e não vejo posta, ainda, condições fortes o suficiente para se pedir o impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Procuro ser justo e não acho que um país como o Brasil amadureça decretando o impedimento de um presidente da República a cada quatro anos ou a cada dez anos. Isso é coisa de república bananeira e não de um país emergente e com o peso internacional como o Brasil.

Nessa questão da falsa polêmica, entendo que deveria ser feito um comunicado para alguém que está desavisado. General Braga Netto, com todo o respeito, se informe de uma vez por todas: vamos ter eleições, sim, em 2022. No dia constitucional, na hora marcada, com apuração imediata e com as urnas eletrônicas que são exemplo para o mundo inteiro. E o senhor irá votar no candidato de sua preferência, é seu direito enquanto cidadão, um homem de tantos serviços prestados a este país. O que sabemos é que a democracia vai se perpetuar e isso, tenho certeza, é um desejo também seu.

Mas é preciso refletir mais cautelosamente também sobre outro tema: militar da ativa não deve falar sobre política, até mesmo pelo papel moderador que ele exerce. Militar da reserva vira civil, diz o que quer e de quem bem quiser, mas militar da ativa precisa ter esse comportamento mais contido, pela própria distância que deve guardar dos fatos e cotidianos da vida pública.

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Nosso país já passou por tanta coisa, crises, impedimentos e não se deixou corroer, não se deixou abater. A democracia brasileira é cada vez mais forte e vai ficar ainda mais, independentemente dos estilos de quaisquer presidentes. Eles não podem alterar as regras do jogo, porque a democracia está acima de todos nós. Temos que cultuar a democracia, que é o único sistema político que permite que uma nação busque o desenvolvimento pleno, nos caminhos da civilidade, do respeito e do sentimento fraterno que sempre haverá de ligar irmãos fardados a irmãos civis.

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