Eles não vão retroceder – os cachorros loucos do poder não vão retroceder

"Enquanto cachorros loucos, povo dormente, cínicos e povo de Deus pulsam uma sociedade que contém um pouco de cada, os calculistas nos postos de poder não dormem, arquitetando ações em benefício pessoal, independentes de qualquer futuro ou compromisso institucional"

Exposto ao sol, Bolsonaro age como fera ferida
Exposto ao sol, Bolsonaro age como fera ferida (Foto: Marcos Corrêa/PR)

De um lado, a matilha de cachorros loucos que foi encorajada pela Globo, por Moro, por Bolsonaro e por Olavo de Carvalho – do outro, a maioria, que pouco reage e está desarticulada.

Os cachorros loucos são a representação dos que querem vencer na vida, querem chegar lá. Como vencer na vida e chegar lá é um interesse completamente relativo, vale tudo! São os valores da classe média majoritária brasileira. 

Deltan Dallagnol desenhou os valores da classe média liberal nas últimas mensagens expostas pelo The Intercept. Ele é o ícone dos que querem enriquecer através da sociedade “justa” da meritocracia – todos os seus showzinhos têm aspirações para o futuro. O mentiroso de quem ninguém pode duvidar de suas “boas intenções” – afinal, ele jejua. 

Prender Lula foi a maior jogada de marketing da vida dos medíocres de primeira instância da república de Curitiba. Quando sairiam do anonimato? O marketing pessoal correu solto. Cada um é um produto calculado de si mesmo! Palestravam sobre combate à corrupção e nada mais queriam do que encontrar uma forma de entrar no jogo.

Somente num país de uma classe média de ego inflado, de narcisismo infantil e com desejo de ser inteligente, forte e poderosa, um quadro de abusos como os que estamos vendo pode ser aceito. Não se trata de não compreenderem as ilegalidades sucessivas desde o impeachment, trata-se de muitas distopias de autoimagem. 

A classe média brasileira compartilha do valor do sucesso a qualquer custo, ao mesmo tempo que levanta o estandarte da moralidade cristã. A classe média brasileira não é autorreflexiva e é induzida a não ter consciência de si, é totalmente esquizofrênica, é uma contradição louca com cara de sanidade. 

Como se não bastasse essa sociedade da festa estranha com gente esquisita para destruir nossas esperanças, quando pensamos que nada pior poderia acontecer, eis que surge mais uma lista de desastres para corroerem nossa condoída alma. 

Essa foi a semana de perder direitos previdenciários. 

Essa é a semana do chapista, hablador de English, o 03 de Bolsonaro, ser candidato a Embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

Essa foi a semana de ver o Dallagnol fazendo cálculos que chegavam a 400k, havidos com palestras que são a colheita da prisão espetacular e pirotécnica de Lula.

Essa é a semana em que foi agendada uma reunião para tratar sobre a privatização das Universidades. 

Sim, o conhecimento é um adversário fatal para os cachorros loucos.

Todas essas perdas são reforçadas pela apatia de um povo dormente que nos desafia em termos de descrição. As recorrentes estratégias de fazer acertos em salas de reuniões são um mal irreparável à uma sociedade que se fez nação sem lutas. A falta de reação dos prejudicados expõe a improbabilidade de mudanças a curto prazo. Quem vai tirar o rivotril da água dessa gente?

O cinismo é a contrapartida da apatia. Estamos cercados de cínicos. Tudo parece possível nesse momento e, possivelmente, seja. O avião da comitiva do presidente carrega 39 quilos de cocaína e o irresponsável general Heleno diz apenas que não tinha bola de cristal e que foi uma falta de sorte. Se 39 quilos, presidente, comitiva, bola de cristal e falta de sorte não são todos absurdos, então, o absurdo foi também reconceituado nessa terra insana. É enlouquecedor esse Brasil do povo de Deus, tomado por demônios.

“O povo de Deus, no deserto andava”, da música para o Brasil. Eles são totalmente adeptos à falta de princípios quando lhes convém, na mesma pegada que lutam pela moral e bons costumes. Enquanto isso, os anestesiados pouco estão se importando com o que acontece, não se sabe se conseguem rir das mesmas piadas que rimos ou se ficam em pânico com o que nos apavora - trevas bolsonarianas.

A dormência causada pela alienação, pela ignorância, pelo desinteresse e pela indiferença do povo é imensamente perigosa. O Brasil é um balão de ensaio onde se vem utilizando os recursos da Guerra Híbrida, principalmente no que diz respeito à tecnologia e à utilização massiva da pós-verdade – este, um recurso frequente da fala do senhor de todas as loucuras, Bolsonaro. 

Enquanto cachorros loucos, povo dormente, cínicos e povo de Deus pulsam uma sociedade que contém um pouco de cada, os calculistas nos postos de poder não dormem, arquitetando ações em benefício pessoal, independentes de qualquer futuro ou compromisso institucional. Condução coercitiva, holofotes na polícia, conversa entre ex-presidente e presidenta vazada, conversa entre mãe e filho vazada, justiçamento, powerpoint de convicções, fogos de artifício na PF, atos de ofício indeterminados e toda pirotecnia da Lava Jato valorizam o preço das palestras dos justiceiros. O tempo de maximizar lucros é agora!

Deus salve a alienação que favorece o caminho dos canalhas!

A sociedade brasileira contém as mais incríveis controvérsias já vistas dentro de uma mesma nação. O Brasil é uma mescla de tolerância indescritível com o arbítrio, conivência bovina com a destruição, crença cega de que nada lhes atinge, pobres que não se veem como pobres e o desprezo assustador da maioria por tudo que está dentro das fronteiras brasileiras. É possível que, com essas características, seja o local adequado para a experiência piloto da conquista de territórios, riquezas e povos pela Guerra Híbrida.

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